UMA VIDA DE AMOR – Zélia Maria Mendes Biasoli-Alves
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Fica sempre um pouco de perfume Nas mãos que oferecem rosas Nas mãos que sabem ser Generosas |
Iniciada em 14 de janeiro de 1945 em Pedregulho – SP, filha de D. Cissa e de seu Constantino, cidade plantada para sempre no coração da família e dos amigos pela saudosa distancia, pelas ladeiras, pelo vento, pelas brincadeiras no sobrado. “Bença mãe, bença pai, bença vó descendo as escadas”.
De sua infância guardou e repassou para todos além da saudade da terra natal que hoje a guarda, um orgulho infinito pelas realizações do pai, tantas vezes prefeito, e principal realizador do que até hoje a cidade é!
Da mãe herdou uma religiosidade profunda e sincera e um amor e uma dedicação sem par à família. Marcaram também a infância os tios e primos maternos Geraldo (com quem compartilha o gosto por plantas!), Irene, Carlinda “cozinheira e bordadeira de mão cheia!” e figura humana de incomensurável valor, Wagner e Neusa, José (Zezé), Hamilton, Afrânio e Márcia. Destes recordava sempre das viagens e descobertas pelo interior do Brasil realizadas numa velha camionete, do “galeto al primo canto com radiche e vinho na Serra Gaúcha”, do camarão descascado na praia para a Márcia, amiga e companheira fiel de todas as horas...
Outra lembrança sempre presente foram os passeios ao Rio de Janeiro na companhia dos irmãos Wander, Antonio, José Expedito, Fernando, Márcio, Olavo e Maria José. Também de Elza e Lima e das cunhadas Eunice, Dalma, Elvandir, Adélia e Salete.
Mudou-se aos doze anos para Ribeirão Preto em virtude da doença do pai. Esta passagem foi marcante em sua vida por conta das dificuldades de adaptação em uma cidade maior, da distância dos amigos e conhecidos, das gozações dos colegas da escola. Depois da mudança para Ribeirão fez os estudos clássicos no Gymnasio do Estado Otoniel Mota, sendo que aí desenvolveu fortes e duradouras amizades e também uma intensificada paixão pela língua e pela cultura francesas e também pela língua portuguesa. Recordava-se sempre com carinho e admiração da mestra Florianete.
A paixão pela língua e pela cultura, e também a pressão paterna a levaram a concluir o curso de Direito pela Associação de Ensino de Ribeirão Preto, atual UNAERP em 1967. Neste ano bacharelou-se também em Língua e Cultura Francesa pela Aliança Francesa. Esta paixão pela cultura (em especial a francesa) traduziu-se num sem-número de livros e discos (Edith Piaf e Charles Aznavour foram sempre seus intérpretes favoritos nesta área). Amava também a música italiana, sobretudo Luigi Tenco, Gigliola Cinquetti e Sérgio Endrigo.
Suas viagens há muito romperam as fronteiras verde-amarelas estendendo-se à Grécia, Inglaterra, Cuba, México, Suíça e outros países, sempre em companhia dos filhos, e sobretudo das filhas e com visitas às igrejas, onde quer que estivesse. Das viagens trazia sempre além do horizonte profissional sempre ampliado uma série de mimos com os quais presenteava o esposo, os filhos, as netas, os sobrinhos, os irmãos. Isto tudo, somado aos livros, aos discos e aos espaços verdes faz de sua casa, que embora não seja no campo, um espaço ideal para guardar todos eles.
É impossível falar em amigos, filhos, netos e esposo sem falar na USP, no Campus de Ribeirão Preto e em tudo o que ele representa. “Coquinha” e os “picaretas” são de 1964. Época brava, de prisões, perseguições, exílio..., mas também de uma amizade e de um amor forjado a ferro e convivência, a Grêmio e Feira de Ciência, as mosquinhas catadas no ponto de ônibus e a canção de Carlos Lyra. “Se você quer ser minha namorada... Ah que linda namorada você poderia ser... Mas se quer ser minha amada, sem a qual a vida é nada...”
Isto depois evoluiu para a Escolinha de Artes do Campus com a Tia Márcia, para o mixto-quente com Guaraná Caçulinha na Cantina do Toninho (coca-cola não podia!), para a salinha de brinquedos, para as brincadeiras que unem até hoje os filhos e netos de toda a “picaretagem”. Evoluiu também para um trabalho intenso, profundo, rigoroso e apaixonado com os professore belgas e húngaros, e com orientadas que mais do que isto se tornaram irmãs e amigas. É necessário falar também no Clube de Mães, e mais recentemente com a pós-graduação, a Paidéia e um desafio novo na área administrativa da USP.
Outra face da Zelinha era a de católica dedicada. Vem de longa data, e também de herança familiar a amizade com o Padre João Rípoli, figura importante em nossa família, e que agora oficia esta singela homenagem, mas que também batizou a quatro de seus filhos e participou, sempre de forma carinhosa, de outros eventos.
Padre João é figura carismática também em outras missões da Igreja. Seu trabalho e seu exemplo em favor dos mais pobres foram para minha mãe e é para todos os que conviveram com ela fonte de inspiração para que continuemos seu trabalho nas equipes de casais e de batismo, como também na assistência caridosa ao mais próximo e mais necessitado.
Falta falar agora dos tempos mais recentes, da sogra que acolheu em sua família duas noras, sabendo por elas, ao seu modo, expressar o seu amor e o reconhecimento pela maneira como seus filhos foram recebidos na família delas. Era a sogra que criticava, mas que apoiava projetos, e que, dentro de suas possibilidades, soube apoiar a cada uma nas horas em que precisavam.
Foi também a “vó do SEDEX”, da caixinha tão cuidadosamente preparada, ansiosamente esperada e alegremente desmontada. Foi a avó que reviveu parte das agruras do seu passado esperando e acompanhando a chegada da neta Júlia, da nossa Julinha, este anjo a quem ela segurou por dois dias inteiros no colo tão logo chegou em casa. É necessário falar também da tia quase-irmã para todos os sobrinhos e da companheira para as cunhadas, irmã e cunhado, a quem tanto admirou!
É impossível terminar esta homenagem sem falar na companheira Cida, amiga de tantos anos que sempre tratou a nossa mãe como irmã e a nós todos como seus filhos, cunhadas e netos. Para você, Cida, não basta, mas é preciso dizer uma coisa: “As pessoas entram na nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem!”, e você é um dos anjos que Deus-Pai destacou de sua guarda pessoal para cuidar de nós!
É difícil encararmos o momento da partida! Resta-nos, no entanto agora o conforto de que temos uns aos outros para o consolo e a comunhão. Resta-nos a certeza de que ela está entre os seus e continua entre nós, e sobretudo, que temos um belíssimo legado de amor a continuar!!!
VÁ COM DEUS, MÃE !!
ELE JÁ TE ABENÇOU!!
E QUE TEU AMOR CONTINUE NO MEIO DE NÓS!
Teus filhos e teu esposo
“Mãe! Ô mãe!” “Zélia Maria, cadê você?”
Sempre foi assim, na multiplicidade das horas, a mãe-esposa Zélia Maria era, acima de tudo, presente ... Presente no sentido da sincronia do tempo, presente enquanto aquela surpresa boa que poderia vir embrulhada no aniversário, no dia das crianças, no Natal, ou melhor, todos os dias! Se chovia, era hora de entrar no carro e ir em busca das poças de água fresca, passando em velocidade e fazendo cachoeira. Ou então, sentar, montar quebra-cabeça, ler livros de história e gravar fitas K7 com músicas e invenções de cada um. Se o dia era de sol, então eram as bicicletas e carrinhos de bebê (com cinco filhos em 14 anos, havia variados tamanhos de bicicleta e um eterno carrinho, ou então, a barrigona do próximo que chegaria) que saiam a passear na pracinha “do Garibaldi” ou da “Mônica”. Nas férias o melhor programa era arrumar as malas! Em julho para a serra (podia ser em São Paulo, mas, o melhor era em Minas Gerais!), em dezembro para a praia (sempre rumo ao sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) ... E era tempo de preparar os palitinhos de cebola, o pão caseiro com manteiga, comprar biquínis e sungas para todos, correr atrás de bronzeador ou agasalhos, dependendo da época do ano ... E não havia espaço para medo, não se pensava se haveria desvios nas rotas, estavam todos no carro, cada qual com sua tarefa (um lia as placas, outro escolhia e cantava as músicas, outro ficava com o irmão mais novo no colo, outro dormia e um ainda mamava ...) e todos juntos na aventura de simplesmente existir em família e construir sólidas bases morais, culturais e afetivas ... Se tudo era previamente programado? Não, a vida é para ser vivida e seu entendimento é soberanamente misterioso para conter previsões!
Sim, sempre foi necessário o controle pelo olhar e este era preciso, exato, jamais falhou! Também, a aprendizagem se fez presente nos momentos de “levar e buscar” na escola, quando ainda na idade de todas as perguntas íamos a escolhinha de artes da USP aprender do bom e do melhor com os desenhos e caçar cigarras da “Tia Márcia”, com argila que fazia presentes, com as músicas da hora do lanchinho e com o tranqüilo e tão presente campus da USP Ribeirão.
Sempre leve e transparente a vida se fez, cheia de músicas e risos de quem sabe que a melhor coisa e a mais difícil de se compreender é a alegria, mas que ela existe e está para ser compartilhada e não explicada ...
...Nascer acolhido e compreendido, voar seguro e feliz, retornar sabendo que o café seria passado na hora, o bolo preferido estaria assando no final da tarde e que a conversa boa aconteceria sempre na mesa, com muita fartura de alimento para corpo e, principalmente, para a alma ...
E assim é a saudade ... Eterna no reconhecimento e gratidão por tantos bons momentos ... Firme e segura na presença dos que ficaram e hoje podem expandir este jeito tão querido e efetivo de ser ... Molhada de lágrimas com sabor de beijo e um “até breve” que faz acreditar que nada na vida é por acaso e que há tempo de plantar e de colher ... Sincera e sensata ao validar que nem tudo é festa, que há tempestades e vendavais, dores e mágoas, dificuldades e defeitos ... Amorosa como as mãos que, calejadas do trabalho, da escrita de muitos e muitos anos, oferecem o fruto feliz das realizações, buscam o afago sincero que chega aos corações, acenam um adeus leve, sereno e iluminado ... A saudade é assim, de todos pra você, Mãe Querida, Zélia Maria, Profª. Drª. de vida viva e lembrança cálida em todos nós ...
QUERIDOS!
Sabemos que a vida é dádiva divina, seu início é sempre de esperança e seu dito fim nada mais é do que realização e a promessa do re-encontro...
São segundos, momentos em que nos são permitidas as mais profundas e intensas aprendizagens... São encontros, emoções e sentimentos que transcendem a nossa humana compreensão...
Assim nos percebemos e assim compartilhamos a existência da nossa querida Zélia com todos: Coragem, Fé, Amor, Esperança e Caridade...Semente boa, terra fértil, raízes fortes, serenas folhas ao vento, frutos diversos e tão cuidadosamente criados...
O Eterno Jardineiro abençoa a todos e reconhece o valor de cada um...É Ele que sabe a hora do plantio e do retorno da colheita.
A maturidade dos frutos se renova na crença de que o melhor é sempre o que vem....A Saudade traz lágrimas que, como água viva, recriam o ciclo da vida...
Abençoados somos todos nós por compartilhar da existência deste ser divino, a mais do que querida, competente e criadora Zélia Maria...
Gratos e saudosos estamos, por tudo: pela educação tão forte nos valores, pelos carinhos e “Deus te abençoe” na hora de dormir, por tudo mãe, por você, Zelinha, pequenininha de tamanho e imensa de amor!
A ti,“ Mãe Querida”, o nosso mais profundo amor e o desejo de um despertar sereno e feliz, sempre sorrindo e cantando.
A todos vocês, que se fazem presentes junto de nós, o nosso encantamento e gratidão por tamanho reconhecimento e por tão singelas manifestações de Amor.
Amor e Esperança! Paz e Bem!
FAMILIA BIASOLI ALVES