Sínteses dos GT  - X Simpósio ANPEPP

 

GT - PSICOLOGIA E MORALIDADE

GT- PSICOLOGIA EVOLUCIONISTA

GT - RELAÇÕES INTERPESSOAIS E COMPETÊNCIA SOCIAL

GT - A Psicologia Sócio-Histórica e o contexto brasileiro
de desigualdade social( GT/PSOH)

GT – ARGUMENTAÇÃO E EXPLICAÇÃO: MODOS DE CONSTRUÇÃO/CONSTITUIÇÃO DO CONHECIMENTO

GT - BRINQUEDO, APRENDIZAGEM E SAÚDE

GT - FAMÍLIA E CASAL: ESTUDOS PSICOSSOCIAIS E PSICOTERAPIA

GT - Contextos Sociais de Desenvolvimento: 
aspectos evolutivos e culturais 

GT - Cotidiano e Práticas Sociais

GT - DISPOSITIVOS CLÍNICOS EM SAÚDE MENTAL

GT - HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

GT - REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

GT - Subjetividade, Conhecimento e Práticas Sociais  

GT- Desenvolvimento em Situação de Risco Pessoal e Social

GT - PRÁTICAS PSICOLÓGICAS EM INSTITUIÇÕES

GT Subjetividade Contemporânea 

GT: Atendimento psicológico em clínicas-escola

GT de Psicobiologia e Neurociências & comportamento (2004)

GT - DESENVOLVIMENTO E EDUCAÇÃO NA PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL

   

 

 

 

 


 

GT Psicologia e Moralidade

Coordenadora: Maria Luiza Macedo de Araújo (UGF)

A discussão dos trabalhos suscitou uma proposta de pesquisa em conjunto, desenvolvida pelos pesquisadores que compõem o GT em seus respectivos estados e que constará de uma investigação com professores acerca do conhecimento de Ética e Cidadania, enquanto tema transversal no Ensino Fundamental, Médio e Profissionalizante. Dedicou-se uma parte substancial do tempo destinado à discussão das pesquisas à elaboração do planejamento piloto desta pesquisa.

Devido à pluralidade de abordagens dos integrantes do GT e da riqueza dos dados encontrados, os integrantes do grupo propuseram que, para o próximo biênio, seu nome fosse substituído para “Psicologia e desenvolvimento de valores sócio-morais”. O novo coordenador do GT escolhido pelo grupo foi o colega Mário Sérgio Vasconcelos.

Segue abaixo um resumo das discussões dos trabalhos apresentados pelos pesquisadores presentes:

Clary Milnitsky-Sapiro (UFRGS)

Analisou e investigou os Modelos Identificatórios oferecidos pela mídia escrita, virtual e televisiva e sua influência como referência para a construção de valores sócio-morais em adolescentes de diferentes níveis sócio-econômicos, através de oficinas-intervenção como espaço facilitador para uma discussão crítica com grupos de adolescentes acerca dos valores na Contemporaneidade e formas de constituição subjetiva, inferindo que a mídia e a escola devem ser convocadas a participar responsavelmente na constituição desses espaços sociais de subjetivação.

 

Cleonice Pereira dos Santos Camino (UFPE)

Investigou a influência do pensamento moral e da atitude institucional de universitários sobre o seu envolvimento com os Direitos Humanos (DH), através do enfoque psicossociológico, verificando que a influência do julgamento moral sobre o envolvimento com os DH indicou que as morais legalista e da afetividade influenciavam negativamente o principio organizador denominado Protesto Social – quanto mais o indivíduo era favorável ao protesto social menos legalista e menos afetivo ele era, e que a moral do bem-estar social influenciava positivamente este mesmo princípio – quanto mais o indivíduo era favorável ao Protesto Social mais preocupado com o bem-estar da sociedade.

 

Heloisa Moulin

Pesquisou o juízo moral com o objetivo de investigar, em um contexto psicogenético, a parcialidade e a imparcialidade de juízos de ação de crianças e de adolescentes na vida de seus pares, submetidos a humilhações públicas de calúnia. Foi utilizado o método clínico de Piaget e discutido que o fato de a ação ser imparcial ou parcial parece não alterar os juízos de valor moral dos sujeitos.

 

Maria Luiza Macedo de Araújo (UGF)

A pesquisa se insere na interrelação entre Psicologia e Sexologia e teve como objetivo estudar a fidelidade como uma virtude moral, levando a reflexões quanto às questões de gênero que freqüentemente geram conflitos interpessoais, utilizando uma amostra de adolescentes de ambos os sexos. O trabalho evidencia que questões relacionadas à fidelidade são percebidas de forma diversa por homens e mulheres e que, desde muito cedo, as jovens se colocam de forma a tomar uma posição que seria vista como a mais justa, diferentemente dos rapazes. Reflexões acerca do planejamento de Educação Sexual como tema transversal são necessárias, pois estas e outras questões suscitam uma abordagem de desenvolvimento de valores sócio-morais.

 

Maria Teresa Ceron Trevisol (UNOESC)

O trabalho investigou como sujeitos de diferentes idades apreendem, organizam e julgam uma faceta do conhecimento social: os direitos das crianças. Os resultados encontrados revelam que os sujeitos apreendem, organizam e julgam o conteúdo social dos direitos das crianças de diferentes formas e que a idade é um fator relevante na compreensão de um conteúdo social; entretanto, não é critério suficiente para explicar as diferenças de compreensão dos sujeitos.

 

Mário Sérgio Vasconcelos (UNESP-Assis)

A pesquisa visou investigar os Modelos Organizadores do Pensamento enquanto perspectiva teórico-metodológica para o estudo da construção do conhecimento, indicando que: a)foram identificados uma grande variedade de modelos organizadores os quais foram agrupados em categorias; b)existem diferenças significativas nos modelos apresentados por cada grupo e c)tais modelos refletiram a diversidade e as regularidades presentes nos raciocínios elaborados para resolver os conflitos apresentados. Tudo isto leva à conclusão de que a variedade de modelos organizadores identificados evidencia a importância dos conteúdos na construção dos raciocínios sobre a indisciplina escolar.

 

Sérgio Rego (FIOCRUZ)

O trabalho visou identificar e discutir a percepção dos estudantes de medicina sobre questões éticas que eles vivenciaram ou testemunharam durante seu processo de formação profissional, reconhecendo as possibilidades que a universidade tem para contribuir com a capacidade dos indivíduos de reconhecerem o outro e o incluírem como objeto de preocupação de suas ações profissionais, levando à conclusão de que o sistema educacional tem que oferecer possibilidades regulares e sistematizadas para que cada aluno realize discussões sobre os aspectos morais de sua prática.

 

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RESUMO DOS TRABALHOS DESENVOLVIDOS PELO

GT PSICOLOGIA EVOLUCIONISTA

Coordenadora: Maria Emilia Yamamoto

 

O GT Psicologia Evolucionista, que contou com a participação de 13 dos 15 membros inscritos (Adriana Odalia-Rímoli, da Universidade Católica Dom Bosco, Angela Donato Oliva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, César Ades, da Universidade de São Paulo, Eduardo B. Ottoni, da Universidade de São Paulo, Eliane Sebeika Rapchan, da Universidade Estadual de Maringá, Emma Otta, da Universidade de São Paulo, Eulina da Rocha Lordelo, da Universidade Federal da Bahia, Fívia de Araújo Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Maria B. C. Sousa, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Maria Emília Yamamoto, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Mauro Luís Vieira, da Universidade Federal de Santa Catarina, Patrícia Izar, da Universidade de São Paulo e Renato da Silva Queiroz, da Universidade de São Paulo), reuniu-se durante três períodos, nos dias 25/05/04 (das 14:00 às 18:00 horas) e 26/05/04 (das 9:00 às 12:00 hs e das 14:00 às 17:00 hs), sob a coordenação da Profa. Maria Emilia Yamamoto, que propôs as seguintes questões norteadoras gerais: Qual a Psicologia Evolucionista que queremos fazer?, Como responder às críticas que lhe são feitas? Como divulgar a Psicologia Evolucionista?

Conceitos chave da Psicologia Evolucionista e questões norteadoras gerais

Os trabalhos foram iniciados com uma apresentação por Yamamoto dos conceitos chave da Psicologia Evolucionista: 1. Mecanismos psicológicos evoluídos como adaptações subjacentes aos comportamentos humanos (a seleção natural não selecionou comportamentos, mas mecanismos que produzem comportamentos); 2.  Ambiente ancestral ou ambiente de adaptação evolutivo (AAE), que permite reconstruir as demandas; 3. Ênfase em módulos mentais “domínio específicos”. Foram consideradas algumas críticas externas (o temor do determinismo genético e concepções equivocadas da influência da biologia sobre o comportamento humano) e internas [por exemplo, de Stephen Jay Gould segundo o qual a Psicologia Evolucionista considera pouco exaptaçãoes (características adaptativas hoje que não eram adaptativas no passado)].

 Desenvolvimento humano a partir de uma abordagem comparativa

    As apresentações foram agrupadas em três blocos de acordo com afinidades temáticas. No primeiro bloco formam apresentados e discutidos os trabalhos “De preparações para a aprendizagem à modularização da mente: uma avaliação das contribuições da psicologia evolucionista” (Otta), “Competências cognitivas de recém-nascidos e estruturas cerebrais iniciais” (Oliva), “Investimento parental e desenvolvimento da criança” (Lordêlo), “Análise comparativa entre animais e seres humanos sobre a relação entre cuidados parentais e desenvolvimento infantil” (Vieira) e “A visão das mulheres Kaiowá/Guarani sobre a maternidade: primeiras informações” (Odália-Rimoli). Foram discutidos resultados de pesquisas mostrando que recém-nascidos apresentam muitas competências perceptivas e cognitivas. Bebês percebem profundidade, fazem segmentações no fluxo de linguagem; prestam atenção à voz humana e aos contrastes de fonemas que são relevantes para sua língua nativa; apresentam preferência pela voz materna; olham por mais tempo o rosto humano; olham mais para o contorno dos objetos; orientam a cabeça para sons; parecem reconhecer pela visão uma informação recebida pela sensação tátil; imitam movimentos faciais que não observam em si mesmos; viram mais o rosto quando suas faces são tocadas por outra pessoa do que quando a estimulação é casualmente ocasionada por eles mesmos; reconhecem estímulos novos e atraentes.

Numa inversão do senso comum e de concepções ainda arraigadas hoje na psicologia, os psicólogos evolucionistas defendem a noção de que os organismos que adquirem muita informação sobre o ambiente precisam de mais instintos e não menos. Para adquirir informação sobre o ambiente os organismos precisam ter algum conhecimento sobre o que deve ser inferido. Para adquirir mais informação os sistemas cognitivos precisam de mais estruturas e de estruturas mais complexas para guiar a busca, o reconhecimento e o processamento de informação. Foram examinadas razões ideológicas para a influência persistente da noção de tabula rasa na psicologia, a despeito de evidências contrárias acumuladas em várias áreas do conhecimento.

Discutiu-se o valor heurístico da análise comparativa para a compreensão do ser humano, ampliando o entendimento da nossa espécie e permitindo-nos ter uma melhor compreensão do que significa ser humano. Em termos comparativos, o ser humano é uma das espécies que apresenta, em termos relativos com o seu tempo de vida, um dos mais longos períodos de desenvolvimento.  Essa condição acaba gerando algumas implicações para a organização social e para o indivíduo.  Por exemplo, em função de sua imaturidade ao nascer, o bebê tornou-se, ao longo da nossa história filogenética, dependente do adulto para garantir sua sobrevivência, necessitando de cuidados materno, paterno ou parental.  Outra implicação é a capacidade ampliada que a criança tem para a aprendizagem, o que permite a ela se apropriar da complexidade da cultura em que vive.

Além disso, variações individuais e culturais no cuidado parental podem ser consideradas como respostas fenotípicas adaptativas às diferentes condições ecológicas e históricas. Neste sentido, o estudo comparado do cuidado parental, em diversas sociedades humanas, é extremamente importante. Discutiu-se a influência de estilos diferenciais de investimento parental para o desenvolvimento infantil.

 Estudos com primatas não-humanos

 Um bloco temático foi constituído por estudos com primatas não-humanos: “Variabilidade ecológica e comportamental de primatas”, “Uso de ferramentas, transmissão social de informação e tradições comportamentais em macacos-prego (Cebus apella)” e “A noção de cultura e seus usos: uma reflexão sobre o pensamento antropológico e a etologia”.

    Foram analisados modelos de organização social de primatas e de espécies hominídeas, ao longo da evolução humana. A variabilidade de estrutura social e sua relação com diferentes condições ecológicas de habitats foi ilustrada por Izar para um macaco do Novo Mundo (Cebus apella). O estudo de Ottoni sobre o uso de ferramentas com macacos-prego faz uma ponte entre os processos cognitivos individuais e a dinâmica da transmissão social de informação, enquanto que o trabalho de Rapchan e Ades estabelece uma ponte entre o pensamento da psicologia evolucionista e o da antropologia cultural. Quais os vários significados do conceito de cultura e como este conceito é utilizado no estudo etológico.

 Comportamento alimentar, sexualidade, agressão e moralidade a partir do enfoque da Psicologia Evolucionista

 Os trabalhos “Comportamento alimentar: predisposições, neofobia alimentar e facilitação social na composição da dieta” (Lopes), “Seleção sexual, hormônios e dimorfismo sexual” (Sousa) e “Agressão e cinema: um estudo etoantropológico” (Queiroz) propiciaram a análise dos temas do comportamento alimentar, da sexualidade e da agressão humanas como conseqüência de uma complexa interação entre biologia, experiência individual e influências sociais. Em todos estes aspectos, a abordagem darwinista enriquece a análise e proporciona um olhar ampliado sobre alguns comportamentos que eram tidos como fundamentalmente culturais. A reunião do grupo foi encerrada com o trabalho “Comportamento moral, ou como a cooperação pode trabalhar a favor de nossos genes egoístas” (Yamamoto). Foram examinados dois modelos para a evolução da cooperação, baseados em parentesco e em reciprocidade.

 Questões norteadoras

 A conclusão dos trabalhos mostrou que ainda há muitas questões a responder, tais como a questão da modularização da mente vs uma capacidade cognitiva geral, a continuidade homem/animal (possibilidades de generalização e limitações), questões metodológicas e a possibilidade da compreensão de aspectos complexos do comportamento humano, a definição do que é o ambiente de adaptação evolutiva (AAE), entre outras. Houve concordância sobre alguns aspectos: primeiro, que o olhar evolucionista é fundamental se queremos entender o comportamento humano, que nosso objeto de estudo são as diferentes modalidades e formas de interação social entre humanos e não humanos e que essas interações são moduladas filogenetica e ontogeneticamente.

 As duas outras questões, neste momento, levam a uma mesma ação – a promoção de oportunidades de discussão da psicologia evolucionista, seja em eventos da área da psicologia e mais concretamente em um manual a ser escrito pelos componentes do grupo.

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SÍNTESE DO GT - 
RELAÇÕES INTERPESSOAIS E COMPETÊNCIA SOCIAL

 

COORDENADOR - ALMIR DEL PRETTE

 

TEMA PARA 2004 - PREVENÇÃO E REMEDIAÇÃO: QUESTÕES CONCEITUAIS E METODOLÓGICAS NA AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO SOBRE PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO E COMPETÊNCIA SOCIAL

 

1. Histórico do Grupo e Objetivos para o X Encontro

O atual GT – Relações interpessoais e Competência Social – teve sua primeira participação na ANPEPP no IX Simpósio realizado em 2002. Isso não obstante, a maioria de seus integrantes já realizava, há vários anos, diversas formas de intercâmbio científico, não somente em congressos mas, também, em cursos e reuniões de trabalho. Foi essa experiência prévia e um conjunto de preocupações compartilhadas quanto ao desenvolvimento de pesquisas e de formação de pesquisadores para a área, aliada à possibilidade de aprofundar temas próximos sob perspectivas complementares, os principais motivadores de sua formação.

O IX Simpósio propiciou um aprofundamento inicial de estudos e intercâmbios além de uma agenda de trabalho conjunto que resultou no livro Habilidades sociais, desenvolvimento e aprendizagem: Questões conceituais, avaliação e intervenção, publicado em 2003.

Para este X Simpósio da ANPEPP, o GT foi coordenado por Almir Del Prette e teve os seguintes objetivos:

1)     Discutir as contribuições individuais de cada um dos participantes para a temática geral do GT definida para este Simpósio;

2)     Identificar perspectivas e desafios para a produção de conhecimento e formação de recursos humanos para a pesquisa (tema geral do evento) na temática específica do grupo;

3)     Encaminhar a produção de um artigo sobre o estado da arte no Brasil sobre a área de Relações interpessoais e habilidades sociais;

4)     Resolver algumas questões específicas sobre projetos integrados de pesquisa em andamento, coordenados pelos membros do GT, visando maior intercâmbio e participação nesses projetos;

5)     Elaborar uma agenda para o próximo biênio (até 2006), formando-se subgrupos e um cronograma de trabalho para a produção acadêmica de interesse para a área;

 

O tema geral do GT reuniu as contribuições de cada um dos seus integrantes, brevemente apresentadas a seguir.

A Profa. Dra. MARINA BANDEIRA  abordou o tema O comportamento assertivo e suas relações com a ansiedade, o locus de controle e a auto-estima, discutindo o papel destas variáveis na emissão do comportamento assertivo e apresentando os resultados de uma pesquisa empírica, realizada com uma amostra aleatória de estudantes universitários dos cursos de Ciências Humanas e Ciências Exatas. Em seguida a professora apresentou ao grupo os projetos em andamento nessa área, junto à população de adultos: Elaboração de uma Escala de Habilidades Sociais, por meio de desempenho de papéis; Levantamento das habilidades sociais profissionais relevantes para a atuação do psicólogo. Apresentou também três estudos em andamento sobre habilidades de crianças de 1ª a 4ª séries de Ensino Fundamental, avaliadas por meio do Social Skills Rating System (Gresham & Elliott, 1990), enfocando as relações entre: a) habilidades sociais e problemas de comportamento; c) habilidades sociais e desempenho acadêmico; c) habilidades sociais e variáveis sociodemográficas.

A Profa. Dra. ELIANE GERK-CARNEIRO abordou o tema Relações entre habilidades sociais e inteligência: Focalizando Inteligência Interpessoal, Compreensão Verbal, Inteligência Geral (Gf) e Raciocínio Verbal (Gc). A professora analisou em detalhe as relações entre os conceitos de inteligência e habilidades sociais, a partir de uma avaliação empírica utilizando quatro instrumentos de avaliação dos quatro referidos tipos de inteligência em duas amostra: uma de 54 professores de 6 escolas técnicas estaduais do Rio de Janeiro e outra de 218 estudantes universitários de sete universidades do Estado do Rio de Janeiro. Foram retomadas algumas das questões conceituais e metodológicas que relacionam esses dois temas gerais e analisadas detalhadamente as correlações entre os fatores e itens do Inventário de Habilidades Sociais (Del Prette & Del Prette, 2001) e cada um dos aspectos da inteligência investigados. A professora apresentou os projetos em andamento relacionados a essa temática: 1) Estudos comparativos das habilidades sociais e da inteligência em três faixas etárias de adultos (17-25; 35-45; acima de 65 anos) utilizando o IHS-Del-Prette, ABPR5 (Almeida & Primi, 2001), Escala Verbal de Compreensão e a de Arranjo de Figuras do WAISIII (Nascimento, 2004), Inteligência Prática  (Sternberg, 1988); 2) Estudo das habilidades sociais em crianças a partir da aplicação do IMHSC-Del-Prette (Del Prette & Del Prette, 2004), Social Skills Rating Systems (Gresham & Elliott, 1990), WISC-III (Figueiredo, 2002) e de provas piagetianas de relacionamento de perspectivas como indicativas de inteligência social.

A Profa. Dra. SONIA REGINA LOUREIRO abordou o tema Problemas de comportamento e o bom desempenho acadêmico: Implicações preventivas. Considerando que o bom desempenho escolar e a competência nas relações interpessoais constituem-se nas principais tarefas evolutivas da infância, a Profa. analisou dados empíricos relativos ao perfil comportamental e à auto-eficácia de escolares que apresentam bom desempenho acadêmico, sistematicamente avaliado. Foram abordados os aspectos relativos aos padrões de adaptação, aos problemas de comportamento e as autopercepções, discutindo as implicações para a saúde mental e para os programas de intervenção preventiva. Com relação aos projetos futuros, apresentou a proposta de continuidade dos estudos relativos às autopercepções e à socialização de escolares além do desenvolvimento de um projeto amplo sobre fobia social abordando a aferição de instrumentos de rastreamento e de diagnóstico, associando tais manifestações clínicas a variáveis pessoais dos sujeitos.

A Profa. Dra. ZILDA APARECIDA PEREIRA DEL PRETTE abordou o tema: Avaliação da competência social de crianças: procedimentos, instrumentos e indicadores. Partindo dos conceitos de competência social e habilidades sociais, presentes na literatura nacional e internacional, a professora disutiu os diferentes indicadores e critérios que têm norteado a avaliação do repertório social de crianças e suas implicações na elaboração e seleção de instrumentos e procedimentos de avaliação nessa área. Apresentou também o Sistema Multimídia de Habilidades Sociais para Crianças (SMHSC-Del-Prette) que contém o Inventário Multimídia de Habilidades Sociais para Crianças (IMHSC-Del-Prette), juntamente com estudos realizados ou em andamento sobre e com o referido instrumento. Foram discutidos alguns desafios metodológicos inerentes à investigação e aperfeiçoamento de instrumentos e procedimentos para a avaliação de habilidades sociais com crianças e alguns projetos de pesquisa em andamento sobre o tema, destacando-se o projeto temático do qual fazem parte as Profas. Dra. Marina Bandeira e Eliane Gerk-Carneiro.

A Profa. Dra. ALESSANDRA TURINI BOLSONI SILVA apresentou um trabalho realizado em co-autoria com a Profa. Dra. EDNA MARIA MARTURANO intitulado Habilidades sociais educativas e problemas de comportamento: Comparando pais e mães de pré-escolares. Este trabalho comparou habilidades sociais educativas  (HSE-P) de pais e mães de crianças pequenas que possuíam indicativos de problemas de comportamento e também de crianças que não apresentavam tais indicativos. A Profa. apresentou dados que indicaram semelhanças e diferenças entre os grupos, para então descrever quais as HSE-P que parecem prevenir o surgimento e/ou a manutenção de problemas de comportamento, discutindo as implicações para estudos de intervenção e de avaliação. A professora apresentou parte dos dados de uma revisão bibliográfica sobre o estado da arte no campo das habilidades sociais a partir de pesquisa sistemática em bases de dados indexadas (Scielo, PsychInfo, Lilacs, IndexPsi) relativas à produção nacional sob a forma artigos em periódicos científicos. Como futuros projetos a professora relacionou estudos que pretendem dar andamento à caracterização e à avaliação de intervenção junto a pais de crianças com e sem problemas de comportamento em sua relação com habilidades sociais parentais.

O trabalho do Prof. Dr. ALMIR DEL PRETTE sobre o tema: O método vivencial com crianças: Intervenção e pesquisa, foi apresentado no grupo, discutindo-se questões metodológicas relativas à implantação de um currículo transversal de promoção de Habilidades Sociais de crianças na escola pública e aspectos da metodologia vivencial que caracteriza a proposta. Discutiu-se a questão da capacitação do professor (e de coordenador de grupos de crianças em geral), mas, por falta de recursos materiais (vídeo e tv), não foi apresentado o vídeo-documentário inicialmente previsto. Foram discutidos alguns encaminhamentos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico necessários a esse tipo de pesquisa-intervenção na área e o trabalho, em andamento pelo autor, de produção de um livro sobre a metodologia vivencial com crianças.

A Profa. Dra. LIDIA NATALIA DOBRIANSKYJ WEBER discorreu inicialmente sobre as pesquisas que têm realizado nos últimos anos, tecendo breves considerações sobre os resultados encontrados até o momento. Em seguida abordou o seu atual projeto de pesquisa: Qualidade de interação familiar: instrumento de medida e programa de prevenção. Está finalizando a validação de um instrumento de medida construído para avaliar as práticas educativas parentais e trouxe alguns resultados de confiabilidade interna, validade convergente e discriminante da escala. Em face de suas pesquisas atuais, relatou a elaboração e a aplicação de um programa de Capacitação para Pais: oito encontros vivenciais com material apostilado. Suas pesquisas futuras pretendem traçar novas investigações sobre o instrumento construído (grupos de risco e correlações com desenvolvimento da criança e do adolescente), e delinear estratégias de avaliação do Programa de Capacitação para Pais.

O Prof. Dr. AGNALDO GARCIA - recém-integrado ao grupo, relatou estudos vêm realizando ou coordenando no município de Vitória (ES) sobre o tema da amizade na infância e na adolescência a) um estudo envolvendo 431 participantes sobre diversos aspectos da amizade e outro, envolvendo 587 participantes a respeito do melhor amigo (a serem apresentados em Madison, EUA, no Congresso Bianual da International Association  for Relationship Research; b) relações de amizade entre crianças portadoras de Síndrome de Down e seus pares em ambiente escolar (com Bolsista IC obtendo primeiro lugar na UFES na área de Ciências Humanas); c) orientação de pesquisas sobre relacionamento interpessoal e relações de amizade, no Programa de Pós Graduação em Psicologia da UFES (relacionamento entre mãe e filha adulta no momento da separação; influência de diabetes em relações de amizade entre jovens); d) projeto teórico pessoal sobre amizade (Bolsa Pq/CNPq). O autor apresentou o Grupo de Pesquisa Relacionamento Interpessoal: Um Enfoque Interdisciplinar (CNPq) da UFES e o Núcleo Interdisciplinar para o Estudo do Relacionamento Interpessoal (NIERI), informando que, em 2005, Vitória deverá sediar um Congresso Internacional da IARR, tendo a sociedade já aprovado a sua realização.

 

2. Encaminhamento e projetos comuns para o biênio 2004-2006

Decidiu-se, como atividade comum do grupo, a preparação de um livro relativo a temática abordada por cada um dos participantes neste X Simpósio, com data limite para março de 2005. Pretende-se, com isto, divulgar a produção do grupo, sob a forma de um texto didático, que reflita a metodologia de pesquisa que vem sendo utilizada nos estudos relativos às habilidades sociais e os dados obtidos nesses estudos.

Outra atividade assumida pelo grupo foi a finalização do estudo de revisão sistemática sobre habilidades sociais no Brasil, que será incluído como um dos capítulos do livro.

Foram definidas outras atividades coletivas em termos de apresentações em congressos, sob a forma de sessões coordenadas e simpósios.

Em termos de projetos de pesquisa, o grupo está se estruturando para a finalização dos estudos de validação de dois instrumentos de medida de habilidades sociais de crianças: 1) adaptação transcultural do SSRS - um instrumento do tipo questionário lápis-papel - com análise de variáveis associadas em amostras brasileiras; 2) IMHSC-Del-Prette - que constitui um instrumento multimídia produzido no Brasil, também com estudo de variáveis associadas.

Um último projeto comum refere-se ao estudo transcultural (Brasil, México e Espanha) em fase de redação de artigo para publicação, que será finalizado ao longo do próximo biênio.

 

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GT A Psicologia Sócio-Histórica e o contexto brasileiro
de desigualdade social( GT/PSOH)

 

Tema do Simpósio 2004: A metodologia da pesquisa sobre desigualdade e exclusão social na perspectiva sócio-histórica: avanços e problemas enfrentados.

 

 

Perseguindo o tema acima proposto, discutimos, durante o Simpósio 2004, os diferentes modos  de analisar a desigualdade e os processos de exclusão/inclusão social que nossas pesquisas desenvolvem, refletindo  sobre as  discordâncias e  pontos de intercessão teórico-metodológicos e sobre os métodos ( de investigação e intervenção) que  viabilizam transformações sociais.

 

Os debates iniciaram-se com a apresentação dos  textos sobre  nossas pesquisas, especialmente preparados para o Encontro.  

Ficou claro  o compromisso social que  marca o GT/PSOH.  O  que nos une é o objetivo de responder, por meio da Psicologia, aos problemas sociais  referentes à desigualdade e à exclusão social, direcionando nossas pesquisas para sistematizar saberes militantes, aptos a subsidiar políticas sociais voltadas à superação desses problemas.

Entendemos que a Psicologia é lugar privilegiado de análise e planejamento social pela sua reconhecida competência  para analisar como o sujeito singulariza, na sua experiência, as práticas  sociais,  o que permite superar as falsas dicotomias entre singular e coletivo e entre público e privado.

Compreender as dimensões das necessidade, desejos e sofrimentos da população excluída das políticas sociais, nos coloca frente ao desafio de construir a categoria de cidadão, dando visibilidade às suas carências e à impotência a que vêm sendo submetidos.

Da mesma forma, a qualidade da inclusão deixa de ser  medida, exclusivamente, pelo acesso às  condições   materiais  mínimas  necessárias á sobrevivência física, para incorporar a  liberdade e felicidade, a dignidade e o prazer. Dar legitimidade a estas sutilezas psíquicas, tributadas exclusivamente aos que não sofrem com a desigualdade social, é condição  básica para a legitimação dos excluídos como sujeitos de direitos, em nosso contexto ideológico neoliberal dominado pelo significado moral  de que quem vive na pobreza e segregação já está acostumado a desejar e a sentir menos, reduzidos, que estão, às necessidades biológicas.

Nesta mesma direção,  a discussão metodológica ressaltou a concepção de pesquisa  como práxis, como ação e transformação das forças  convencionais de sentir, pensar e organizar a realidade. Todas as pesquisas relatadas  visam  compreender  e problematizar criticamente o modo singular  pelo qual a exclusão é experimentada, com a certeza de que, ao faze-lo, intensificam-se  dimensões do cotidiano ( senso comum,  relações e ações) que  constituem o particular em que o sujeito experencia as suas determinações sócio-políticas e culturais, promovendo, assim, rupturas de crenças, hábitos e  vínculos emocionais cristalizados. 

Uma  constatação teórica importante é a de que em todas as nossas pesquisas há a confluência de  teorias psicológicas com uma teoria social  e  a  certeza da obrigatoriedade desta  última como eixo da Psicologia sócio-histórica para superar reducionismos exclusivamente, subjetivista ou objetivistas .

 As teorias sociais que nos inspiram são  oriundas do Materialismo Histórico e Dialético, especialmente a versão do marxismo luckaciano, da psicologia  soviética, da esquizoanálise e, em menor escala, do marxismo frankfurtiano.

 O embate do  dia,  girou em torno das categorias teóricas  predominantes em nossas pesquisas: sentido, subjetividade, afetividade  e cotidiano, tendo o  grupo demonstrado a preocupação com o privilegiamento do sentido, o que pode levar à ênfase  do discurso em detrimento da  materialidade, na análise dos fenômenos psicossociais.

 

No segundo dia, por conseguinte, a discussão  centrou-se na teoria, especificamente  nas categorias de sentido e de  subjetividade e na  análise dos  contextos em que elas aparecem em nossas pesquisas, começando pelo exercício de garimpar os diferentes conceitos usados para qualificá-las: Configuração, Produção, Constituição, Construção, atribuição,  dentre outras. Discutiu-se que  o melhor  predicado é o que   declara  a concepção de  subjetividade da  psicologia sócio-histórica: 

-subjetividade como um " entre"  o homem e a sociedade e como um inter- subjetividades.

-Subjetividade como singularidade e potência de criação e, ao mesmo tempo, como modos de subjetivação estimulados pela sociedade, portanto um processo tensionado pelo conformismo e pela resistência.

O mesmo vale para o sentido. O seu predicado deve  garantir a idéia de que sentido não é atribuído, produzido ou construído, mas sofrido e experimentado por corpos e mentes singulares nos encontros e atividade. Sentido é da ordem da experiência e da sensibilidade, é a soma de todos os eventos psicológicos que o significado  desperta na consciência humana, por isso é infinitamente variável e sua   análise não é discursiva ou  hermenêutica. A compreensão do sentido se dá pela análise da  base afetivo-volitiva  das diferentes forma de sua  expressão (fala ou atividade).

Vygotsky nos brinda com a brilhante idéia de que há duas zonas de sentido na palavra, uma estável, construída e compartilhada socialmente,  política na sua essência , portanto ideologizada, hegemônica,  dicionarizada., inscrita na cultura,  a que ele chama de significado, diferente de sentido que é ligado à individualidade. Significado e sentido são dimensões distintas que se integram dialeticamente (identidade de contrários),  pela mediação. Essa distinção é fundamental para se trabalhar a dialética singular/coletivo e a tensão entre a forças sociais de controle e a atividade revolucionária nas pesquisas de orientação sócio-histórica, uma vez que a unidade dialética sentido/significado  contém  o discurso,  a materialidade, o simbólico,  a historicidade , a afetividade e a singularidade.

Concluindo o intenso debate do dia, todos concordamos que a  categoria central de nossas pesquisa, explicita ou implícita,  é a subjetividade, melhor dizendo, os processos de subjetivação, entendidos como área de luta social .Todos estamos pesquisando as  formas com que se apreende a singularização do sujeito em face da desigualdade, para  se compreender  a reprodução do paradoxo social  da inclusão excludente ou  da exclusão integrativa, em diferentes contextos, tanto da da zona urbana quanto ( ressalta-se) da rural:  saúde, educação, movimentos sociais, ONGs, políticas públicas ,  trabalho, violência.

Tal discussão, pela  complexidade e diversidade dos enfoques, foi  eleita o principal problema a ser enfrentado pelo GT , até o próximo Encontro.

 

No último dia, a reflexão focou  a prática transformadora e os saberes militantes na  relação com as políticas públicas. Para tanto, sintetizamos o debate anterior, levantando pontos inegociáveis entre nós:

-           restituir aos excluídos o direito de singularidade e sutilezas psicológicas que lhes foram extraídos nas teorias sociais e psicológicas;

 

-           potencializar o desejo do "comum", de coletivos de caráter criacionista e autofundador capazes   de recolocar o compromisso ético com a produção da vida, tanto na esfera cotidiana quanto política. Portanto, nossos alvos de ação são a invenção compartilhada  e a participação social que se  voltam  diretamente às políticas públicas.

 

-         A estética, que  foi destacada  como dimensão fundamental do sentido( para incorporar  a idéia de sensibilidade, criação e necessidade do belo), é recuperada no debate da práxis, com destaque da arte como instrumento de aproximação com a comunidade, de inclusão  e de educação. Levantou-se, apropriadamente, o risco do modismo da " arte-educação"  e da " arte-includente" e de sua instrumentalização e transformação em  objetos de consumo. Foi apresentada uma proposta concreta de  oficina de estética e não de educação artística , para evitar estes riscos, transformando a arte em meio de sensibilização à criação e ao belo e  enfatizando que se trata de processo educativo pela reflexão e não só pela emoção .

 

- Também foi sugerida a reflexão sobre o conceito de zona de desenvolvimento proximal (ZDP) de Vygotsky  como idéia reguladora  da atividade  prático-crítica  e a necessidade de se distinguir esta atividade, que transforma a totalidade, da atividade para fins particulares que eqüivale a comportamento.

 

-    A meta final é construir  ferramentas conceituais e de intervenção  pautadas pela idéia de que  o psicológico  é fenômeno ético-político,  um fenômeno privado, mas cuja gênese e conseqüências são sociais, resguardando a idéia de homem por inteiro e buscando as  mudanças na realidade em curso, através da ação coletiva  e individual, pública e privada e da compreensão dos  bloqueios e pressões de cristalização da potência de ação.

 

 

Tarefas para o biênio 2004/2006:

 

Agenda de Eventos que o GT pretende participar (2005):

Abril             Ulapsi (SP) Psicologia Escolar

Maio            IV Congresso Norte Nordeste de Psicologia (Salvador)

Junho           SIP (Buenos Aires)

Outubro         Abrapso (BH)

 

Publicação :

1) Coletânea intitulada: A Psicologia sócio-histórica e o contexto brasileiro de desigualdade social: desafios metodológicos

Os textos deverão buscar a articulação teoria/método/intervenção e os temas a serem enfatizados são:

         Desigualdade, exclusão/inclusão  e transformação ( rural e urbana)

         Processos de subjetivação

         Metodologia de pesquisa  e intervenção

           Sentido/significado

           Dimensão afetivo/volitiva da subjetividade e a mediação social

           Psicologia e Políticas públicas

          Atividade revolucionária

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GT – ARGUMENTAÇÃO E EXPLICAÇÃO:

MODOS DE CONSTRUÇÃO/CONSTITUIÇÃO DO CONHECIMENTO

 

Coordenadoras:

Selma Leitão (UFPE) & Luci Banks-Leite (UNICAMP)

 

 Relatório das atividades realizadas pelo GT durante o X Simpósio da Anpepp

Vitória, ES, 24–28 de maio de 2004

  O trabalho do GT durante o X Simpósio da Anpepp transcorreu nas quatro sessões prevista pela organização do Simpósio tendo, entretanto, o tempo alocado para tais sessões sido estendido de modo a viabilizar o pleno cumprimento da agenda de trabalho proposta pelo GT para execução naquela oportunidade.

 Participantes

 Estiveram presentes à reunião do GT quatro pesquisadores vinculados a quatro diferentes universidades brasileiras, oito alunos de Pós-Graduação (cinco doutorando e três mestrandos) e uma pré-doutoranda, todos membros-associados do GT. Duas outras pesquisadoras estiveram ausentes por se encontrarem na ocasião cumprindo programas de estudo fora do país e uma terceira devido a imprevistos não contornados. A coordenação do trabalho do GT no X Simpósio esteve sob a responsabilidade exclusiva da profa. Selma Leitão em virtude da segunda coordenadora, profa. Luci Banks-Leite, se encontrar fora do Brasil em licença sabática.

 

Objetivo

 A proposta central para o trabalho do GT no X Simpósio era a discussão coletiva de análises de dados realizadas, individualmente ou em sub-grupos formados por membros do GT, sobre um mesmo corpus constituído por transcrições de discussões de sala de aula. O corpus sobre o qual todo o grupo trabalharia – uma discussão professora-alunos numa aula de História no Ensino Fundamental – fora definido em duas reuniões do GT realizadas em 2003 tendo o grupo se empenhado, desde então, à análise do mesmo a partir de diferentes perguntas de pesquisa e perspectivas analíticas. Ponto comum a todas elas, entretanto, seria o foco nas relações entre argumentação e/ou explicação e construção do conhecimento.

 

Trabalhos discutidos

 Sete trabalhos foram apresentados oralmente e discutidos pelo GT. Cinco destes foram trazidos para o grupo também na forma de trabalho escrito. Tais textos, cuja produção fora incentivada pela coordenação do GT e prontamente acatada pelos membros, foram considerados versões preliminares de artigos que deverão integrar uma publicação coletiva planejada como meta do grupo para o biênio 2004-2006. Ainda um oitavo trabalho, de uma das pesquisadoras ausentes do Simpósio, foi trazido para o GT apenas na forma escrita. Além dos trabalhos referidos, foram discutidas ainda idéias preliminares do projeto de pesquisa de uma das mestrandas associada ao GT. Merece destaque o fato de que cinco dos trabalhos apresentados a partir da proposta de análise coletiva de um mesmo corpus foram produzidos por alunos de pós-graduação em cooperação, ou não, com pesquisadores integrantes do grupo. A relação completa dos trabalhos/autores em questão é dada em seguida.

 BANKS-LEITE, L. Discurso argumentativo, (re)significação e construção de    conhecimentos em História.

CAVALCANTI, T., DE CHIARO, S. & FERREIRA, A. P. M. A compreensão textual constituída pelo discurso argumentativo de sala-de-aula.

GOULART, C. & SALOMÃO, S. Argumentação a partir dos estudos de Bakhtin: em busca de contexto teórico e de balizadores para a análise de interações discursivas em sala de aula.

LEITÃO, S. Argumentação e construção do conhecimento: A dimensão auto-reguladora da argumentação.

MORAIS, S. M. O discurso sobre jornalismo e a prática da reportagem.

NETO, F. E. P; JUCÁ, M. R. B. de L. & LIRA, M. R. Articulação entre argumentação e explicação através de acordos permitindo a construção do conhecimento em sala de aula.

SANTA-CLARA, A. & PINHEIRO, R. Argumentação e a constituição mútua do contexto e do conhecimento em uma atividade de sala de aula de história.

SANTOS, C. & COLINVAUX, D. Inferência, dedução e argumentação: Explorando situações escolares.

SOUTO, R. & ALMEIDA, E. Avaliação qualitativa de argumentos em sala de aula: o bom argumento é aquele que promove a aprendizagem.

 As análises e textos apresentados foram discutidos de maneira ampla com a participação integral de todos os membros do GT. Ao final da sessão de encerramento dos trabalhos do GT a coordenadora em exercício fez uma sinopse dos pontos mais discutidos em cada trabalho com o intuito de apontar direções para posteriores elaborações e desenvolvimento de cada um.

 

Metas definidas para o biênio 2004-2006

 [1] Produção até 2005 de versões completas de textos para publicação elaborados a partir da cada trabalho apresentado no X Simpósio.

[2] Encontro do GT em 2005 durante a participação dos membros em congresso nacional. A pauta única desta reunião será a discussão dos textos de que trata o item 1 acima. A realização destas reuniões de ‘entre-safra’, como têm sido denominadas no GT, tem sido vista como extremamente importante no sentido de garantir a continuidade e manutenção do ritmo de trabalho do grupo entre os simpósios da Anpepp.

[3] Elaboração e encaminhamento de proposta para publicação coletiva (no formato de livro ou número especial de revista) dos trabalhos em questão.

 

Avaliação

 A avaliação geral dos participantes da reunião do GT durante o X Simpósio foi de que a pauta de trabalhos prevista foi plena, proveitosa e ‘prazerosamente’ cumprida.

 

Santiago do Chile, junho de 2004.

 Selma Leitão

Co-coordenadora do GT

 

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GT - BRINQUEDO, APRENDIZAGEM E SAÚDE

 

Coordenadora :Edda Bomtempo - IPUSP -(eddabom@usp.br)

 

Participantes:

2-  Vera M. Barros de Oliveira - UMESP (veraboliveira@aol.com.br)

3-  Elsa Lima G. Antunha - IPUSP (elsa.antunha@terra.com.br)

4-  Aidyl M. Q. Pérez-Ramos - IPUSP (juanaidyl@terra.com.br)

5-  Silvana Maria Moura da Silva- UFMA (smmourasilva@bol.com.br)

7-  Ilka Dias Bichara - UFBA (ilkadb@ufba.br)

8-  Antonia Cristina Peluso de Oliveira  UNISAL (cristinapeluso@uol.com.br)

9-  Terezinha Vieira – UFMG (thevi@uol.com.br)

 

1.Histórico do Grupo

Brincar tem, junto ao Estatuto da Criança e do Adolescente, um status de importância semelhante ao que é dado à Saúde e a Educação. Embora a pesquisa na área de Psicologia do Brinquedo tenha tido seu início nos anos 20 e 30, coincidido com o movimento da educação progressiva e o início do movimento das creches, ela apresenta um hiato, para só ter plena recuperação a partir da década de 70, com o aumento de interesse pela área tanto no exterior como no Brasil. Esse interesse entre nós é percebido pela multiplicação de dissertações, teses e outras publicações nos últimos anos. O crescimento da área se destaca pela procura de cursos de extensão e especialização, pela expansão de brinquedotecas que atendem a vários segmentos da população, pelo surgimento de Associações de âmbito nacional e internacional, como a "Toy Library Association", que se preocupam com o brincar como um dos direitos fundamentais da criança. Periódicos científicos dedicam números inteiros ao tema como é o caso do "Psychological Day Care".

Os pesquisadores/professores que propõem a operacionalização deste GT têm já um histórico em comum, que vem acompanhando o processo acima descrito. Assim, têm orientado dissertações e teses que enfocam o lúdico, assim como têm participado das respectivas Bancas Examinadoras uns dos outros, em diversas ocasiões e em diferentes instituições, o que tem contribuído para uma aproximação efetiva entre eles, possibilitando inclusive publicações em conjunto. Essa aproximação tem gerado a formação de Mesas Redondas sobre Brinquedo, apresentadas em congressos de nível nacional e internacional, contribuindo com diferentes abordagens teóricas e linhas de pesquisa, em caráter complementar. Esse GT conta com estudiosos das diferentes faixas etárias, indo do bebê à adolescência. Possui também já pesquisas sobre a importância do brincar na manutenção e reabilitação das funções cognitivas e do Bem estar do idoso, perfazendo desta forma, o ciclo vital. Aborda o Brincar em diversos aspectos, como o cognitivo, inclusive com suporte da Epistemologia Genética, da visão Sócio-Histórica de Vygotsky e da Neuropsicologia, e o afetivo-relacional, principalmente com a leitura winnicottiana. Os aspectos culturais do Brinquedo também têm pesquisas a respeito. Essas diversas leituras e enfoques giraram em torno da tríade principal deste GT: Brincar, Aprendizagem e Saúde, sendo que as pesquisas que seus membros vêm desenvolvendo têm esse interesse.

 

2.Objetivos e proposta de trabalho do grupo neste simpósio:

O objetivo principal deste GT é tornar-se num núcleo gerador de pesquisas/publicações com sólida base teórica, sobre o Brincar em suas múltiplas intercessões com a Aprendizagem e a Saúde.

Tem também como objetivos específicos:

-        Expor as pesquisas feitas em congressos científicos, sempre que possível, compondo Mesas Redondas, com diversos de seus membros;

-        Coletar e organizar o registro de pesquisas e publicações realizadas no Brasil ou no exterior, sobre brinquedo, disponibilizando estes dados através da Biblioteca Virtual;

-        Manter contato com as Associações nacionais e internacionais que se preocupam com o Lúdico, buscando informações sobre o que vem sendo realizado, assim como divulgando pesquisas desenvolvidas pelo GT.

 

3. Início do trabalho :

1.     Momento- Apresentação do Grupo com breve histórico das pesquisas e publicações realizadas, assim como exposição das expectativas quanto ao trabalho a ser desenvolvido.

2.     Momento- Apresentação dos trabalhos, discussão e proposta de desenvolvimento do GT

Trabalhos:

Edda Bomtempo; Fabiane de Amorim Almeida (USP)

   “Em busca da confiança necessária para viver criativamente através do brincar: a criança diante da cirurgia cardíaca”

Vera Barros de Oliveira; Alan Demanboro (UMESP)

    “Fisioterapia com estratégias lúdicas: uma proposta em reabilitação psicomotora de crianças com paralisia cerebral”.

Vera Barros de Oliveira; Denise Milani, Egon Felix Haderann, Magali M. Miguel; daniella Lucato (UMESP)

    “Trabalho preventivo lúdico em motricidade junto ao bebê de creche”

Elsa L.G. Antunha (IPUSP)

    “Jogos Sazonais- coadjuvantes do amadurecimento das funções cerebrais”

Aidyl M.Q. Pérez-Ramos (IPUSP)

    “Avaliação do ambiente lúdico nas unidades pediátricas hospitalares”

Silvana M. Moura da silva; Wilércia F. V. Miranda (UFMA)

    “Atividades lúdicas para crianças hospitalizadas por câncer: o olhar dos profissionais e das voluntárias”.

Ilka Dias Bichara (UFBA).

    “Usos e delimitações do espaço em brincadeiras de rua”

Therezinha Vieira; Cristiane H. Vieira; Maria Imaculada M. Cunha. (UFMG)

    “Um estudo sobre espera de crianças em um ambulatório pediátrico e a concepção de hospital”

Antonia Cristina Peluso de Azevedo (UNISAL), ausente por motivo de saúde, teve seu trabalho comunicado ao grupo:

    “Brinquedoteca psicopedagógica:um levantamento de dados sobre a queixa escolar”.

 

 Discussão dos trabalhos : após cada apresentação, discutia-se sua relevância abordagem e  metodologia, levantando-se já possíveis futuras pesquisas entre os participantes, combinando e ampliando os trabalhos de forma conjunta. Ao final, fez-se uma discussão geral, na qual foram destacados os seguintes pontos:

1.      Quanto aos trabalhos apresentados :

-         Foram apresentados trabalhos sobre o lúdico nos dois grandes eixos temáticos do grupo: Saúde e Aprendizagem.

-         Verificou-se contudo, um maior número de pesquisas realizadas no campo da Saúde, o que reflete o momento atual de uma maior conscientização dos profissionais e instituições desta área , quanto à importância do lúdico nos processos de formação, manutenção e recuperação da saúde.

-         O brincar como fator de prevenção de saúde também foi associado ao contexto histórico-sócio-cultural que vivemos, com notada diminuição do tempo e do espaço para as crianças brincarem, reformulação de padrões vigentes na dinâmica familiar e escolar, com pressão progressiva na agilização da educação formal.

-         Registrou-se também a presença de trabalhos na área da aprendizagem, notadamente no ambiente pré-escolar e da brinquedoteca.

-         O tema do Brincar favoreceu um movimento interdisciplinar, conjugando as áreas da neuropsicologia, da psicomotricidade  e da aprendizagem.

-         A discussão favoreceu a reflexão sobre a ampliação e operacionalização da aplicação do lúdico a contextos institucionais ( relacionados à família, escola e saúde), como contexto facilitador  de aprendizagem e saúde.

 

 Propostas de desenvolvimento do GT

     A  partir das considerações levantadas, o GT pensou em sistematizar e divulgar de forma mais ampla e ágil as pesquisas realizadas . Assim: 

            Buscar criar e desenvolver um Banco de Dados on-line com resumos e palavras chave (em português e inglês) das pesquisas de seus membros e respectivos orientandos, sobre o brincar.

            Gerar, a partir de agora, publicações em conjunto, com dois ou mais membros do grupo, quer on-line, quer em periódicos ou livros. O grupo resolveu começar por um livro em conjunto.

            Aumentar a participação conjunta em congressos.

            Divulgar entre os membros do GT e  a comunidade científica em geral, núcleos de estudo e de aplicação do lúdico à Aprendizagem e à Saúde, de âmbito nacional e internacional.

 

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GT FAMÍLIA E CASAL: ESTUDOS PSICOSSOCIAIS E PSICOTERAPIA

X SIMPÓSIO DA ANPEPP – PRAIA FORMOSA, ES / 2004

 

  Participaram do GT “Família e Casal: Estudos Psicossociais e Psicoterapia”, no X Simpósio da ANPEPP, 19 pesquisadores de sete estados brasileiros, filiados a doze universidades. A metodologia de trabalho do grupo foi muito produtiva e instigante: os textos a serem discutidos foram disponibilizados com mais de um mês de antecedência e lidos antes do Simpósio pelos membros do grupo, havendo para cada texto um relator cuja principal função consistia em fazer uma síntese e pontuar as questões que eram, em seguida, discutidas com o autor e os demais participantes.

 Dos 19 trabalhos de pesquisa discutidos, doze faziam referência a dados empíricos da família e/ou do casal, provenientes da clínica ou do contexto psicossocial, variando de estudos de caso único a estudos quantitativos com grandes amostras. Os oito trabalhos teóricos apresentaram uma trama conceitual bastante relevante para a discussão da estrutura e da dinâmica da família e do casal. Assim, dentre as modalidades de pesquisa desenvolvidas, destacaram-se pesquisas teóricas, pesquisas clínicas, pesquisas-intervenção, e pesquisas em abordagens quantitativa e qualitativa .

 As discussões basearam-se num eixo central, tendo como ponto de partida uma tentativa de correlacionar pesquisas nas áreas clínica e social. Os trabalhos apresentados cobriam todo o ciclo de vida da família: crianças, adolescentes, adultos e idosos. Dentre as temáticas abordadas destacaram-se: a) Nos trabalhos empíricos: práticas educativas, educação de crianças pelos avós, atitudes e expectativas quanto ao casamento, conjugalidade dos pais e projeto de casamento dos filhos, intersubjetividade dos cônjuges, maternidade e  paternidade, saúde e família, relação entre trabalho e família tendo como foco os adolescentes. B) Nos trabalhos teóricos: transmissão psíquica geracional, familia e esquizofrenia, interação conjugal, violência simbólica, diferentes abordagens na terapia de família. Na pesquisa intervenção: busca de adoção, prática clínica em hospitais universitários e em clínicas-escola.

 A pluralidade das pesquisas apresentadas, tanto no que se refere aos referenciais teóricos adotados quanto aos métodos de investigação, favoreceu um intercâmbio produtivo entre os participantes do grupo, aguçando o posicionamento crítico dos pesquisadores, acrescentando inúmeras contribuições e estimulando a reformulação de algumas posturas.

 Em vários trabalhos foram ressaltadas as questões de gênero, a contextualização das populações investigadas, e as novas configurações familiares e conjugais da contemporaneidade. Na discussão sobre a contextualização das populações investigadas, destacou-se a necessidade de considerarmos a diversidade dos modelos de família e de casal encontrados nas diferentes regiões brasileiras e a necessidade de remapear historicamente as influências que contribuem para nossa realidade plural. Uma das grandes contribuições das pesquisas realizadas pelo GT é a produção de uma literatura nacional sobre família e casal que considera a singularidade de cada população investigada.

 As questões de gênero surgiram em quase todas as pesquisas, apontando algumas semelhanças, notadamente no que diz respeito ao importante papel da mulher na organização familiar, na transmissão de modelos e na educação dos filhos. Revelou-se que as mulheres continuam sentindo-se oprimidas pelo modelo patriarcal e pela ditadura da maternidade, principalmente nas classes sociais mais desfavorecidas.

 Nos vários trabalhos em que as novas configurações familiares foram alvo de investigação, discutiu-se o quanto podemos considerar que esses modelos são inéditos ou são reproduções camufladas de arranjos tradicionais com uma roupagem discursiva pós-moderna. Ficou evidente que demandas modernas coexistem com padrões clássicos de funcionamento do sistema familiar, o que aumenta a complexidade do trabalho de pesquisa sobre os diferentes fenômenos que dizem respeito à família. Constatou-se ainda que quaisquer que sejam os novos arranjos, as funções do modelo tradicional permanecem, não importando se desempenhadas por distintos membros da família. Pode-se dizer que a questão relacionada às transformações atuais da contemporaneidade e seus efeitos sobre a família e seus membros perpassou o conjunto dos trabalhos discutidos. De modo geral, o debate teve como linha de demarcação o que pode ser considerado como novo ou antigo nas relações familiares, ou seja, o que apresenta ou não transformações. As discussões levaram os membros do grupo a postularem a importância da investigação sobre a questão das “micro diferenças”, que podem ser consideradas “não só novas” e “não unicamente  antigas”. E é a análise prolongada de tais diferenças que poderá nos mostrar os significados das mesmas junto às famílias e seus efeitos na sociedade.

 Finalmente, foi estipulado o prazo de 15 de setembro de 2004 para que todos encaminhassem os seus textos completos, em versão final, para a coordenadora do grupo, para que os mesmos fossem publicados em forma de livro: a quinta publicação conjunta dos trabalhos do GT “Família e Casal: Estudos Psicossociais e Psicoterapia”. Foi ainda proposto que se aprimorasse a metodologia de trabalho do grupo para o XI Simpósio, sugerindo-se que o leitor de cada texto apenas problematizasse as questões a serem discutidas com o autor e os demais participantes, descartando-se os relatos resumidos (na medida em que os textos serão lidos antecipadamente pelos membros do grupo), visando a um maior aproveitamento do tempo de trabalho.

 

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Síntese de Atividades do 

GT Contextos Sociais de Desenvolvimento: 
aspectos evolutivos e culturais no 
X Simpósio de Pesquisa e Intercâmbio Científico da ANPEPP

 Aracruz (ES), Maio de 2004

 

Participantes:

Alysson Massote Carvalho (Universidade Federal de Minas Gerais)

José Moysés Alves (Universidade Federal do Pará)

Lívia Mathias Simão (Universidade de São Paulo) (Coordenadora)

Maria Isabel Pedrosa (Universidade Federal de Pernambuco)

Maria Margarida Pereira Rodrigues (Universidade federal do Espírito Santo)

Maria Thereza Costa Coelho de Souza (Universidade de São Paulo)

Paulo de Salles Oliveira (Universidade de São Paulo)

Sérgio Antônio da Silva Leite (Universidade Estadual de Campinas)

Vera Sílvia Raad Bussab (Universidade de São Paulo)

 

Durante o X Simpósio, o GT desenvolveu as seguintes atividades:

 

  1. Exposição e discussão de três textos sobre o tema Razão e Afetividade, produzidos em co-autoria pelos nove integrantes do GT, organizados em três trios de co-autores, segundo sub-temas do tema principal. A discussão desses textos possibilitou localizar aspectos a serem aprofundados em suas versões finais, que comporão, juntamente com outros nove textos de autoria individual, já produzidos, o próximo volume que o GT submeterá à publicação. Esta foi a atividade focal do GT , tal como tem sido a sistemática do GT sempre que se reúne, priorizando a interlocução para aprofundamento das reflexões sobre o tema., a partir de textos prévios trazidos para discussão.
  2. Discussão de procedimentos e critérios para viabilizar a próxima publicação do GT, trocando-se idéias, impressões e informações, e definindo-se prazos, coordenações e demais providências para viabilizá-la.
  3. Discussão e planejamento da participação do GT a ser submetida ao IV Congresso Norte-Nordeste de Psicologia, que terá lugar na cidade Salvador, Bahia, em maio de 2005.
  4. Discussão e decisões sobre inclusão de novos membros no GT, considerando-se a manifestação de interesse de alguns colegas a esse respeito.

 

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GT Cotidiano e Práticas Sociais

X Simpósio da ANPEPP

Aracruz, ES, 24-28 de maio de 2004

 

Todos os membros inscritos estiveram presentes: Mary Jane P. Spink (Coordenadora); Fernando Gonzalez-Rey; Henrique C. Nardi; Katia de S. Amorim; Neuza Guareschi; Peter Spink; Ronald Arendt; Solange Jobim (e Carlos Passarelli); Marcos Reigota e Valéria H. Kemp. Dois membros do GT --  Sandra Azeredo e Martha Traverso -- não compareceram por estarem realizando estágios no exterior. Sonia Grubits (Universidade Católica Dom Bosco) esteve presente na qualidade de ouvinte.

O GT, neste ano, havia proposto uma temática única para debate: a naturalização das desigualdades. Tendo por objetivo demonstrar a contribuição prática de uma multiplicidade de visões teóricas sobre a questão da naturalização da desigualdade foi decidido que usaríamos, como ponto de partida, os eventos, acontecimentos e comentários nos jornais diários. Para tal foram definidas as seguintes instruções de procedimento:

“Use o jornal que você lê diariamente. Guarde os números dos dias 8 – 13 de dezembro. Separe as partes mais vinculadas ao cotidiano. Utilize os diversos conteúdos possíveis do jeito que você quiser, podendo focalizar um caso, muitos casos, um tema, diversos temas, analisar textos, discutir idéias – a opção é livre. Só queremos que você escreva algo em torno de dez a doze paginas (Times Roman 12, espaço simples com bibliografia em formato de nota de roda pé, estilo impessoal).”

Desta maneira, todos os papers referiram notícias veiculadas na mídia no período acima definido. Algumas das reflexões tomaram certas notícias como ponto de partida para, à maneira do fio de Ariadne, seguir uma linha de argumento sobre a naturalização de “fatos” sociais, como a desigualdade. Outras reflexões debruçaram-se mais especificamente sobre o papel da mídia na naturalização da desigualdade, optando por realizar algum tipo de análise discursiva no material coletado.

O GT reuniu-se durante três sessões: na terça feira, dia 25, das 14:00 às 19:00; na quarta feira, dia 26, das 9:00 às 12:30 e das 14: 18:00, sendo apresentados, nesses períodos os trabalhos dos dez membros participantes na seguinte ordem:

Dia 26:

Peter Spink: A desigualdade cotidiana - a naturalização das materialidades territoriais

Valéria Kemp: Políticas públicas em trabalho e meio ambiente: o associativismo econômico e a reconstrução do laço social

Henrique Nardi: A naturalização do discurso liberal: riscos da privatização do público

Neuza Guareschi: Marcadores identitários e adolescência: “tudo pelo popular”

 

Dia 27, manhã

Fernando Gonzalez Rey: O tratamento da violência como meio de naturalização da desigualdade

Mary Jane Spink: O poder das imagens na naturalização das desigualdades: os crimes no cotidiano da mídia jornalística.

Kátia Amorim: Para além da naturalização, em busca de rede de significações.

 

Dia 27, tarde

Marcos Reigota: O meio ambiente na imprensa de Sorocaba, Florianopolis e Macapá

Solange Jobim e Carlos Passarelli: Espaço urbano e constituição subjetiva da desigualdade: uma possível leitura das políticas da diferença.

Ronald Arendt: O(s) cotidiano(s) do(s) Rio de Janeiro(s)

 

Fiel à proposta de analisar os processos de naturalização à luz dos diferentes referenciais teóricos adotados pelos membros do GT, uma variedade de construtos teóricos foi discutida a partir das apresentações. Peter Spink apoiou-se nas noções de materialidades e socialidades, constituídas no diálogo com Haraway, Hacking e Actor Network Theory,  para ilustrar o uso de espaços públicos como as calçadas urbanas; Valéria Kemp, em interlocução com Donzelot, focalizou a economia solidária, usando como ilustração os catadores de papel de Belo Horizonte para discutir a naturalização/desnaturalização do “estar na rua”; Henrique Nardi tomou como objeto de reflexão a naturalização do ato filantrópico tendo por referencial a constituição da subjetividade no âmbito dos regimes de verdade (ou seu bloqueio na medida em que o caminho da auto-transformação passa a ser obstaculizado), trazendo para o debate as posturas de Foucault e Castel; Neuza Guareschi, criando um diálogo entre a Teoria Cultural e a abordagem construcionista, abordou os marcadores identitários sobre ser popular na adolescência de modo a ilustrar o jogo entre cultura e discursos (pedagógico e psicológico) no processo de naturalização da exclusão; Fernando Rey abordou as noções de sujeito e sentido, presentes sobretudo no terceiro Vygotsky, como foco para a compreensão das maneiras como a mídia veicula os atos de violência; Mary Jane Spink, focalizou os aspectos teóricos e metodológicos do estudo de imagens no âmbito da comunicação multimodal, triangulando autores da comunicação (Kress & van Leewen; Fairclough) e a teoria social de mídia de J. Thompson,  ilustrando a proposta com uma análise discursiva de dois crimes veiculados na mídia na semana em estudo; Katia Amorim, utilizando artigos que tratam da naturalização de ser humano, além dos efeitos de naturalização das suas relações, funções e do seu desenvolvimento, discutiu maneiras de desnaturalizar que considerem o biológico e o cultural como mutuamente determinados, caminho trilhado a partir de Varela e colaboradores, com a noção de embodiment; Marcos Reigota tomou como foco o conceito de des-fixação e ilustrou uma maneira específica de abordar a notícia a partir da perspectiva dos viajantes-narradores, tendo Bauman como interlocutor; Solange Jobim e Carlos Passarelli, apoiando-se em Benjamin, tomaram três notícias sobre o Rio de Janeiro como ilustração da naturalização da cidade como espaço privado, com o abandono paulatino da cidade como “bem comum” e espaço público de fazer política; Ronald Arendt, partindo da proposta metodológica da não totalização de Latour, focalizou o jornal como actante buscando entender as cadeias de humanos e não humanos que constituem o Rio de Janeiro como um tipo particular de coletivo pautado pela violência.

A riqueza das reflexões e do debate realizado levou à proposta de colaboração na elaboração de um livro que terá o título Práticas Cotidianas de Naturalização da Desigualdade: uma semana de notícias no jornal. Com esta finalidade, foram definidos procedimentos de leitura e pareceres para a versão final dos textos que serão encaminhados, em setembro deste ano, à Editora (ainda a ser definida).

 

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GT DISPOSITIVOS CLÍNICOS EM SAÚDE MENTAL

 

X SIMPÓSIO DA ANPEPP

maio de 2004

 

RELATÓRIO

 

Participantes:

 

Ana Cristina Figueiredo – UFRJ (coordenadora)

Ana Cleide Guedes Moreira - UFPA

Andréa Hortélio Fernandes – UFBA

Andréa Máris Campos Guerra – PUC-MG (doutoranda UFRJ)

Daniela S. Chatelard – UnB

Doris Rinaldi – UERJ

Fátima Sudbrack – UnB

Maria Inês Gandolfo Conceição – UnB

Sônia Alberti – UERJ

Nuria Malajovich Muñoz – SMS/RJ (doutoranda UFRJ)

 

Sobre o GT

 O GT DISPOSITIVOS CLÍNICOS EM SAÚDE MENTAL se formou este ano a partir do trabalho que seus participantes já vêm desenvolvendo no campo da Saúde Mental, em diferentes instituições públicas, com uma população diversificada de crianças, adolescentes e adultos com diferentes transtornos psíquicos, psicose, drogadicção entre outros, visando uma articulação entre clínica pesquisa e docência em Saúde Mental a partir dessa experiência.

Os pesquisadores envolvidos desenvolvem trabalhos vinculados a hospitais gerais e psiquiátricos, ambulatórios, centros de atenção psicossocial (CAPS), e demais serviços da rede pública de saúde.Sua atuação se dá em diferentes setores do campo da saúde mental em consonância com as novas políticas públicas nesse campo. Essa escolha também norteia os projetos individuais de pesquisa e aprofundamentos teóricos no trabalho universitário em diferentes centros do país como a UFRJ, UERJ, UFBA, UFPA, UnB e PUC-MG.

A Coordenadora do GT, professora Ana Cristina Figueiredo, desenvolveu sua tese de doutorado na área da saúde coletiva, investigando os serviços ambulatoriais de saúde mental, publicando-a logo em seguida. Dando continuidade a esse projeto, acompanha e supervisiona diferentes serviços da rede pública em saúde mental visando aplicar e avaliar novos dispositivos clínicos nesse campo, com referência na psicanálise aliada aos novos projetos de assistência e cuidados em saúde mental do Ministério da Saúde. Além disso, desenvolve sua atividade docente no Instituto de Psiquiatria da UFRJ na coordenação dos Cursos de Especialização na área da Saúde Mental, onde atua como supervisora clínica, e no Programa de Pós graduação em Teoria Psicanalítica da UFRJ onde desenvolve projetos de pesquisa clínica em Psicanálise com enfoque em instituições públicas, e orienta alunos de mestrado e doutorado nessa área.

A professora Sonia Alberti trabalha no campo da Saúde Mental desde a década de 1970. Inicialmente como estagiária em comunidade terapêutica em hospital psiquiátrico, logo em seguida passou a desenvolver sua clínica em hospital geral. Foi nesse âmbito que trabalhou no IPPMG/UFRJ, HUPE/UERJ, Service des Adolescents do Hôpital de Bicêtre/França, para retornar, em 1991 ao HUPE/UERJ onde desenvolve, desde então, trabalho prático e de pesquisa no Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente tendo fundado aí o Setor de Saúde Mental, do qual foi a primeira coordenadora. Ingressou no IP/UERJ por concurso público na área da Psicopatologia e hoje é docente do Programa de Pós graduação em Psicanálise da UERJ onde desenvolve seus projetos no Mestrado em Psicanálise e no Curso de Especialização em Psicanálise e Saúde Mental.

A professora Doris Rinaldi é coordenadora do Curso de Especialização em Psicanálise e Saúde Mental, e também coordenadora adjunta do Programa de Pós-graduação em Psicanálise, ambos do IP/UERJ. É pesquisadora do CNPq e desenvolve pesquisa no campo da Saúde Mental desde 1995 com bolsa de produtividade. O projeto mais recente se intitula "Clínica do sujeito e atenção psicossocial: novos dispositivos de cuidado no campo da saúde mental". Atualmente estão sendo pesquisadas as diversas significações das categorias ‘cuidado’, ‘acolhimento’, ‘escuta’, ‘cidadania’, ‘sujeito’ e ‘clínica’ nos discursos e nas práticas dos técnicos que atuam nos CAPS do município do Rio de Janeiro. Junto a isso, investiga as possibilidades e dificuldades de vigência do discurso psicanalítico – junto a outros discursos – no campo da Saúde Mental.

As três pesquisadoras integraram e integram os movimentos que implementam as novas políticas de Saúde Mental no Rio de Janeiro, participam de bancas examinadoras de Pós Graduação stricto e lato sensu na área da Saúde Mental, na interface com a psicanálise, e iniciam agora um intercâmbio com colegas de outros estados do Brasil. É nesse sentido que se associam às demais pesquisadoras que integram o grupo.

A docente pesquisadora Andréa Hortélio Fernandes realizou seu doutoramento na França no Laboratório de Psicopatologia Fundamental e Psicanálise da Universidade de Paris VII a partir de sua experiência em estágios em Serviços de Saúde Mental (Centro Médico Psicológico e Hospital Dia para Crianças e Adolescentes, e Hospital Sainte Anne/França). Tendo ingressado na Universidade Federal da Bahia em concurso público para a área de Psicopatologia, iniciou em março de 2003, novo projeto de pesquisa: “Saúde Mental e família: uma abordagem psicanalítica” que desenvolve a partir da sua atividade como supervisora de estágio em clínica. Atualmente, é coordenadora do curso de Especialização em Teoria da Clínica Psicanalítica e docente no Programa de Pós-graduação em Psicologia do Departamento de Psicologia da UFBA.

A docente pesquisadora Ana Cleide Guedes Moreira desenvolve sua pesquisa em psicopatologia no campo da Saúde Mental, examinando o tema da melancolia, que foi objeto de sua tese de doutoramento na PUC-SP, também publicada em livro. Seu trabalho se desenvolve no campo mais amplo da saúde, articulando a saúde mental ao trabalho no hospital geral, enfatizando a importância das condições psíquicas no tratamento das doenças auto-imunes. Entre seus projetos, está a criação de cursos de pós-graduação senso lato e estrito na UFPA, articulando clínica, pesquisa e docência.

A docente pesquisadora Fátima Sudbrack é professora titular da Universidade de Brasília e já participou de GTs anteriores desde a fundação da ANPEPP. Hoje, está envolvida com pesquisa e atuação na área de Saúde Mental com enfoque na drogadicção na adolescência, não só no trabalho comunitário de prevenção ao uso de drogas, mas também no atendimento às famílias e no trabalho em equipe interdisciplinar, visando integrar seu trabalho às atuais políticas de Saúde Mental no tratamento dessa população em Centros de Atenção Psicossocial para usuários de álcool e drogas (CAPS-ad).

A pesquisadora Daniela Scheinkman Chatelard, tendo obtido seu doutorado na Universidade de Paris VIII, é pesquisadora associada no Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília - UnB. Ministrou a disciplina de Psicopatologia na graduação e trabalha no Serviço da Unidade Intensiva Neonatal no Hospital Universitário de Brasília – HUB, desenvolvendo um trabalho em saúde mental no hospital. Neste ano, passou a integrar o corpo docente do Curso de Especialização em Saúde Perinatal, Educação e Desenvolvimento do Bebê, da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, em razão de sua pesquisa em Saúde Mental e Psicanálise na relação com a clínica médica.

Além das referidas pesquisadoras, o GT conta com mais duas doutorandas do Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica da UFRJ. Andréa Máris Campos Guerra é docente da PUC-MG e da FUMEC em Belo Horizonte, e Nuria Malajovich Muñoz é psicóloga da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Ambas desenvolvem suas pesquisas com pacientes psicóticos atendidos nos serviços da rede pública em Saúde Mental, visando redimensionar as possibilidades dos novos dispositivos de tratamento desses pacientes.

É importante frisar que o GT se constituiu como resultado de diferentes parcerias e colaborações mútuas que já vêm sendo realizadas. Os participantes do Rio de Janeiro, UFRJ e UERJ, já mantêm um intercâmbio de acompanhamento e participação em bancas de mestrado (UERJ/UFRJ) e doutorado (UFRJ), além de trocarem experiências e participação nas pesquisas individuais. A coordenadora participa como docente convidada das atividades dos cursos de pós-graduação lato sensu do Departamento de Psicologia da UFBA sob a coordenação da professora Andréa Hortélio Fernandes. Essa parceria foi decorrente do intercâmbio institucional entre a UFRJ e a UFBA na realização do mestrado interinstitucional nos anos anteriores. O contato com a UnB foi iniciado através da pesquisadora recém-doutora Daniela S. Chatelard cujo trabalho vem sendo acompanhado pela coordenadora do GT desde o início de suas pesquisas, ainda no curso de graduação, posteriormente no doutorado, e agora prefaciando seu livro com o tema de sua tese. Está tendo início agora uma nova parceria com as professoras Fátima Sudbrack e Maria Inês Gandolfo, ambas da UnB. A parceria com a UFPA, através da professora Ana Cleide Moreira, visa incentivar o trabalho em nível de pós-graduação e o intercâmbio em pesquisa e publicação. As duas doutorandas são orientandas da coordenadora do GT e futuramente devem dar continuidade a seu trabalho acadêmico de pesquisa e publicação, já como doutoras, além de sua atuação no campo da Saúde Mental, propondo desdobramentos para o GT nos próximos anos.

 

Atividades do GT no X Simpósio

 Foram apresentados e discutidos os principais objetivos do GT e as formas de viabilizá-los. Destacamos os seguintes:

         Realização de um trabalho que articule clínica, pesquisa e docência no campo da Saúde Mental, tanto em nível universitário quanto dos serviços da rede pública de saúde;

         Vinculação das pesquisas ao atendimento à população no âmbito da saúde mental, envolvendo diferentes níveis etários, tipos de instituição e quadros psicopatológicos;

         Abertura de possibilidades de pesquisa para um grupo que, já tendo um intercâmbio entre seus participantes, possa avançar parcerias em várias direções, sempre levando em conta o campo privilegiado da Saúde Mental e seus dispositivos clínicos;

         Proposta de um aprofundamento no estudo dos dispositivos clínicos nas novas políticas da saúde mental, visando uma maior contribuição para o tratamento de pacientes institucionalizados a partir do ponto de vista da psicanálise.

 

Propostas de trabalho para o biênio 2004/06

 O GT traçou novas propostas de trabalho conjunto com parcerias diversificadas no grupo em diferentes atividades. Destacamos as principais, que devem seguir um roteiro e um cronograma estipulado de acordo com a antecedência necessária de cada tipo de atividade:

-                      intercâmbio docente: através da participação em cursos de pós-graduação lato e stricto sensu, em bancas de avaliação de monografias, dissertações e teses com o tema afim ao do GT. Também através do incentivo à implementação de Programas de Pós-graduação, ou áreas de concentração nas IES onde já existam Programas em Psicologia, com ênfase na Saúde Mental. Já foram agendadas atividades em parceria da UFRJ com a UFBA e a UFPA em cursos de especialização através de seminários, docência em disciplinas e consultoria.

-                      intercâmbio de publicação: na forma de artigos, resumos de tese e relatórios de pesquisa, em parceria ou individualmente, com o tema do GT. Já foram propostas parcerias de trabalho entre a UERJ e a UnB na preparação de um artigo conjunto com o tema “família e saúde mental”, e um artigo sobre “estabilizações na psicose” que envolve a parceria das professoras da UFRJ e PUC-MG. Além disso, como resultante da parceria no ensino entre a UFRJ e a UFBA, está sendo preparada uma coletânea com o tema do ensino, pesquisa e transmissão da psicanálise, recolhendo artigos de docentes e discentes do Curso de Especialização em Teoria da Clínica Psicanalítica realizado em 2003 na UFBA.

-                      intercâmbio de pesquisa: acompanhamento dos desdobramentos das pesquisas individuais visando aproximações metodológicas e aprofundamento do tema do GT. Será consolidada a proposta de contato constante via email na troca de informações e material de pesquisa alimentando as formas de intercâmbio referidas acima.

-                      participação em congressos: reafirmação das parcerias na composição de mesas redondas com sub-temas afins mantendo a referência maior ao tema do GT e ao trabalho conjunto na ANPEPP. Já foi encaminhada uma proposta de mesa redonda com o tema “O trauma no cotidiano da clínica: questões em Saúde Mental”, envolvendo participantes da UERJ, UnB, UFBA e PUG-MG para o VII Congresso Brasileiro e I Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental a ser realizado em setembro de 2004 na PUC-RJ. Ainda em 2004, haverá a participação conjunta das professoras da UnB e da UERJ no Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira – JUBRA, a ser realizado em outubro de 2004 na UFRJ. Além disso, foram feitas propostas de mesas redondas a serem melhor detalhadas para o IV CONPSI em maio de 2005 com temas relacionados às propostas de publicação já menciondas acima envolvendo todos os participantes do GT.

 Esperamos, assim que nosso trabalho seja constante e profícuo, desdobrando-se em novas propostas na consolidação do nosso GT.

 Ana Cristina Figueiredo (coordenadora)

anafigueiredo@openlink.com.br

 

 

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GT - HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

NO SÍMPOSIO DE 24 A 28 DE MARÇO EM VITÓRIA

 

TEMA PROPOSTO PARA O TRABALHO NESTE SIMPÓSIO:

 

DISCUSSÃO DOS PROJETOS DE PESQUISA REALIZADOS
PELOS COMPONENTES DO GRUPO,NA ÁREA DE HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

 

O grupo reuniu-se contando com a presença dos seguintes membros: Elisabeth de Melo Bonfim, Heliana de Barros Conde Rodrigues, Ines Rosa Bianca Loureiro, Maria do Carmo Guedes, Marina Massimi, Marisa Todescan Dias da Silva Baptista, Nádia Maria Dourado Rocha, Rachel Nunes da Cunha, Roberto Yutaka Sagawa, William Barbosa Gomes. Alguns membros não puderam estar presentes devido a problemas familiares (Mitsuko Antunes, Raul Albino Pacheco, Regina de Freitas Campos) ou a viagem de pesquisa no exterior (Ana Jacó, Norberto de Abreu).

Cada membro elaborou e apresentou um trabalho relatando o projeto de pesquisa sua e de seu grupo, na área de estudos históricos em Psicologia, realizado neste período. O conjunto das investigações delineia um quadro bastante diversificado, seja no que diz respeito aos períodos históricos abordados, seja no que diz respeito aos contextos geográficos estudados  e ao tipo de documentação escolhida.

 

Temas das investigações propostas para a discussão:

As investigações que estão sendo desenvolvidas abrangem os seguintes temas:

1.      o estudo do ensino da Psicologia no século XX (por exemplo: a história dos cursos de psicologia social no Brasil – analisada por Bonfim; e a dos dois cursos de graduação em São Paulo – realizada por Todescan),

2.      a consolidação da área através das visitas científicas (vide estudo sobre a visita de Lapassade e sua contribuição à história da psicologia social no Brasil, realizada por Conde),

3.      o estudo de alguns importantes autores da história da psicologia (como Minkowsky, estudado por Abreu) e a influência do pensamento de alguns autores da psicologia internacional no âmbito da psicologia brasileira (como Claparède, estudado por Campos)

4.      o estudo da história de abordagens teóricas e clínicas, no Brasil – tais como a Análise do Comportamento (Nunes da Cunha) e a Psicanálise (Sagawa e Pacheco Filho).

5.      O estudo dos processos de transmissão dos saberes psicológicos em épocas históricas diferentes e com diversos meios culturais: a pregação, no período colonial (Massimi), as teses da Faculdade de Medicina no século XIX (Rocha), os Manuais de Psicologia científica no século XX (Gomes).

6.      O estudo das modalidades históricas de constituição da subjetividade, numa perspectiva foucaultiana (Lourenço).

7.      O ensino da história da psicologia na pós graduação (Guedes).

A diversificação dos interesses e dos assuntos pesquisados representa uma grande riqueza promissora de novos resultados e fecunda para suscitar novas indagações, sendo ao mesmo tempo acompanhada por um evidente amadurecimento do grupo no que diz respeito aos percursos metodológicos utilizados nas pesquisas.   

Na ocasião deste Simpósio, o Grupo de trabalho teve a oportunidade de poder propor e avaliar alguns importantes resultados de trabalhos conjuntos anteriores, tais como o livro História da Psicologia no Brasil do século XX, editado pela EPU e lançado ao longo do Simpósio, o qual condensa os resultados de pesquisas desenvolvidas por membros do GT e seus grupos de pesquisa; a revista eletrônica Memorandum: Memória e História em Psicologia – da qual vários membros participam como editores, colaboradores e autores, e a revista Psicologia: Teoria e Pesquisa – a qual conta com a colaboração da Professora Rachel Nunes da Cunha como editora e de vários membros do GT como autores; o Museu Virtual de Psicologia – criado pelo Professor William Gomes tendo o apoio do CNPq. 

 

Tópicos que foram destacados nas discussões acerca das pesquisas:

1.      a importância de articular os estudos realizados sobre as origens e o desenvolvimento dos laboratórios de psicologia em algumas instituições confessionais, para identificar eventuais matrizes teóricas comuns;

2.      a importância da utilização de métodos historiográficos como a históriia oral, a história biográfica – para abordar a história recente da psicologia;

3.      a importância da superação de uma historiografia de teor apologético e autobiográfico em favor de uma história contextual e crítica – o que parece especialmente importantes em alguns campos, como por exemplo a psicanálise.

4.      A importância de elaborar instrumentos conceptuais úteis para a organização dos dados da pesquisa e sua contextualização, tais com o glossários.

5.      A importância de investigar os processos de transmissão cultural e de apropriação de métodos, teorias e práticas ao longo do tempo e a partir de específicas circunstâncias e exigências de grupos sociais e momentos culturais.

 

Planos de trabalho para os próximos meses e anos, discutidos e propostos pelo GT:

 

1. Pesquisa:

1.1. produzir os trabalhos elaborados e discutidos neste simpósio em forma de número especial de periódico científico, destinado aos pesquisadores na área da história da psicologia, desde a Iniciação científica até ao doutorado

1.2. ampliar o interesse pelo estudos históricos em psicologia no nível de trabalhos e monografias de conclusão de curso e iniciação científica, tendo em vista também favorecer contratações de novos docentes na área da história da psicologia

1.3. aproveitar de oportunidades de bolsas e auxílios para pós graduados e pós doutorandos

 

2. Ensino:

2.1 dar continuidade às propostas de cursos de história da psicologia em congressos nacionais e regionais, propondo novos objetos e envolvendo os pós graduados para atividades docentes

 

3. Publicação científica:

3.1. Finalizar edição coletânea em História da Psicologia editada pela EDUC;

3.4. Dar continuidade à publicação de artigos nas Revistas Memorandum, e em Teoria e Pesquisa em Psicologia, em Clio-Psiquê, bem como em outras revistas nacionais e internacionais.

 

4. Eventos científicos:

4.1. Participação no congresso da Clio-Psiquê do Rio de Janeiro em Outubro. Haverá participação dos membros do GT em conferências, mesas e comunicações científicas bem como uma reunião do GT, e visita guiada à Biblioteca Nacional;

4.2. Participação no próximo congresso da SBP no mês de outubro. Haverá participação dos membros do GT em conferências, mesas e comunicações científicas bem como uma reunião do GT;

4.3. Participação congresso Norte-Nordeste em Salvador, em 2005.

 

 

6.     Estrutura organizacional do GT:

Foi consenso que o cargo de coordenador do GT deverá ter duração de um biênio. Optou-se por esta solução visando expressar uma modalidade democrática e participativa de gestão do grupo. Sendo assim, o novo coordenador proposto pelo grupo para o biênio 2004/2006, é o Professor Doutor William Gomes.

 

Algumas observações acerca do Simpósio da Anpepp no seu conjunto

Nosso GT gostaria de contribuir também com algumas considerações referentes ao Simpósio de 2004.

A partir da importante retomada do significado originário da Anpepp – enquanto Sociedade científica, colocada pela Prof.a Carolina M. Bori, na introdução à mesa redonda sobre a memória da pós graduação no Brasil, na qual afirmou que a Anpeep foi originariamente concebida como “lugar de estudo, análise e discussão da pós graduação no Brasil”, consideramos uma contribuição útil nesta perspectiva o trabalho realizado pelos Fórum (s) ao longo do Simpósio.

Gostaríamos também de colocar neste documento algumas sugestões para otimizar a realização dos próximos simpósios e também no que diz respeito à gestão da Associação:

1.Com relação à gestão:

1.1. Concordamos plenamente com orientação da Comissão eleitoral e da atual Diretoria acerca da idéia de inscrição de chapas para a próxima eleição, pois achamos que esta modalidade propícia a participação democrática no processo de organização e de consolidação da Anpepp;

1.2. Nesta perspectiva gostaríamos também de alertar acerca de um cuidado que nos parece necessário: nos parece conveniente que não deveriam se candidatar como membros da Diretoria e do Conselho, pesquisadores que desempenhem cargos em outros órgãos de fomento.

2. Com relação à organização dos próximos Simpósios:

2.1. Nosso GT de História da Psicologia gostaria de auxiliar na indicação de monumentos e sítios históricos importantes do local e da região que hospedará os próximos eventos. Desta vez, por exemplo, constatamos que em Vitória e também nas redondezas de nosso hotel havia um patrimônio histórico de grande interesse cultural – que mereceria ser melhor sinalizado aos visitantes. Nesse sentido, já que a história é a marca de nosso Grupo, gostaríamos em futuro de poder sinalizar aos colegas eventuais oportunidades deste tipo – nos locais onde se realizarão os próximos Simpósios;

2.2. Consideramos importante que a Diretoria retome o empenho no que diz respeito a procura de todas as possíveis formas de financiamento para propiciar a participação dos pesquisadores (contar com o esforço econômico individual, a nosso ver, acaba induzindo uma indevida diferenciação econômica entre os participantes e as instituições aos quais eles são ligados). O fato de que alguns colegas não puderam participar por falta de verba, nos fez refletir sobre a necessidade de batalhar para proporcionar o todos condições de participar do trabalho comum. Neste sentido, também gostaríamos de alertar que como entidade nacional a Anpepp deve solicitar verbas somente a órgãos de fomento nacionais deixando aos pesquisadores individuais a possibilidade de solicitar auxílio individual das FAPs: pois, neste ano, a Fapesp, por exemplo, negou verba aos pesquisadores com a justificativa de que “pedido coletivo de sobrepõe a pedido individual”, de modo que muitos pesquisadores forma prejudicados  e não puderam comparecer por falta de dinheiro para o custeio da passagem.

2.3. A propósito, acerca das Faps, gostaríamos de solicitar que a Anpepp participe do movimento de apoio nos diversos Estados, à manutenção destas agências de fomento que são tão importantes para a realização da pesquisa e da formação acadêmica.

 Por fim, gostaríamos de agradecer a oportunidade que este Simpósio nos ofereceu e de frisar mais uma vez a grande contribuição da Anpepp no que diz respeito à articulação e a integração das pesquisas que desenvolvemos, bem como da formação acadêmica de nossos orientados. Historicamente, inclusive, a Anpepp com seus Simpósios, foi o local que propiciou a consolidação da nossa área de pesquisa como uma comunidade de pesquisadores representativos de várias instituições e realidades do Brasil e que ainda hoje continua a possibilitar e promover a integração e organicidade da área da história da psicologia, no Brasil. Nesse sentido, reiteramos todo o nosso interesse e empenho em participar e colaborar da maneira melhor possível com a estabilidade e o crescimento desta Sociedade científica que tanto nos auxiliou e nos auxilia.

 Marina Massimi

Coordenadora GT em História da Psicologia

Biênio 2002-2004,

E o Grupo de Trabalho em História da Psicologia

 

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GT REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
DURANTE O X SIMPÓSIO DA ANPEPP, 
Vitória, 24 a 28 de maio de 2004

 O grupo reuniu-se em 2004 contando com a presença de Brígido Vizeu Camargo (UFSC), Edson Souza Filho (UFRJ), Maria de Fátima de Souza Santos (UFPE), Pedrinho Guareschi (PUC-RS) e Angela Arruda (UFRJ), coordenadora.

 

Foi feita inicialmente uma rodada de troca de informações, durante a qual foram comunicadas:

§         as publicações por sair e em preparação de todos os colegas, e outras de que tivéssemos notícia, relativas a representações sociais.

§         A mudança de datas para envio de resumos para a próxima CIRS (até 15 de julho), bem como a notícia de que a preparação da próxima JIRS ( João Pessoa, setembro de 2005) já está se iniciando.

§         Os participantes concordaram sobre a necessidade de espaçar as Jornadas de representações sociais para intervalos de 3 anos, e não mais de dois

 

Diante da solicitação da ANPEPP de que o grupo redefinisse os seus objetivos, que não haviam sido modificados nos dois últimos simpósios, o grupo priorizou esta discussão, que ocupou a maior parte do seu tempo, abrangendo vários aspectos, como os desdobramentos desta definição, a mudança da coordenação e o ingresso de novos participantes.

 

 

  1. Objetivos do grupo

 

O debate sobre os objetivos do grupo revelou-se de grande riqueza, asseverando que efetivamente já se fazia necessário, ao estampar-se a insatisfação de alguns membros com o formato atual de apresentação de trabalhos geralmente individuais e sobre resultados de pesquisas.

Reafirmou-se que a ANPEPP tem grupos temáticos e grupos teóricos, como este, e que o encontro de um grupo de trabalho da ANPEPP não se destina apenas ao intercâmbio e à apresentação de trabalhos individuais, mas implica uma construção coletiva de saber que contribua para a Psicologia brasileira através de discussões, no nosso caso, de cunho mais teórico, sobre a TRS, suas lacunas, sua atualização. Todos nós temos pontos teóricos  que desejamos debater, cada um tem acesso a determinadas áreas cuja interface com a TRS atualiza e enriquece a reflexão, e o GT deveria ser o espaço privilegiado para este debate. Compete também, no quadro deste aprofundamento e da promoção de visibilidade,  levar o debate sobre questões polêmicas ou lacunares da teoria para os espaços científicos mais amplos da Psicologia, propondo a elaboração de debates por ocasião de eventos.

Ao mesmo tempo, esta construção é importante para a legitimação e fundamentação da teoria no campo da Psicologia brasileira. Uma parte das questões que surgem para nós provém de questionamentos colocados por este campo, junto ao qual a teoria ainda não se afirmou. Mais uma vez, é o GT da ANPEPP o espaço indicado para pensar tais questões coletivamente, tendo em conta ademais que os desenvolvimentos que nossas reuniões possam atingir vão repercutir no ensino e pesquisa das pós graduações às quais pertencemos,  e em particular as de psicologia.

O caráter de grupo e a construção coletiva se objetivam mais facilmente através de atividades realizadas em conjunto. Isto pode ser observado quando existem   projetos institucionais reunindo colegas de entidades diferentes, ao possibilitar uma prática e uma elaboração conjuntas como é o caso do atual projeto realizado pelas colegas Angela Almeida, Fátima Santos e Zeidi Trindade. Baseado nesta experiência, o PROCAD é sugerido como uma fonte de recursos interessante para a realização destes projetos interinstitucionais.

Os participantes da reunião chegaram ao consenso de que o objetivo do grupo, então, seria promover uma discussão da articulação da Teoria das Representações Sociais com a Psicologia e a Psicologia Social, incluindo o debate de questões emergentes, polêmicas (como a questão do método, por exemplo), lacunas da teoria e críticas que lhe são feitas.

Como objetivos específicos foram propostos:

 

  1. Atividades propostas

 

Em consonância com os objetivos propostos e a partir da constatação do uso cada vez mais constante do conceito de RS como uma chancela, mas sem uma conexão obrigatória com a perspectiva de Moscovici,  foram definidas algumas atividades:

 

  1. Candidaturas

 

Foram trazidas ao grupo três candidaturas, uma das quais já havia sido formalizada na reunião anterior:

 

Denize Cristina Oliveira

Pedro Humberto Campo

Antonia Moreira Paredes

 

Os presentes concordaram com sua aceitação,  o que fecharia o número de participantes do grupo por enquanto. Cabe aos membros ausentes se pronunciarem.

 

  1. Coordenação

 

Consultando as diretrizes anteriores do grupo, que estabelecem a coordenação por rodízio, e dada a situação dos membros do grupo como um todo, propôs-se o nome de Zeidi Trindade como o mais provável para assumir a função no próximo biênio. Consultada a respeito, a colega aceitou o encargo.

 

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GT - Subjetividade, Conhecimento e Práticas Sociais

Aracruz/ES, maio de 2004

 

         Durante o X Simpósio Nacional de Pesquisa e Intercâmbio Científico da ANPEPP, realizado de Aracruz/ES, o Grupo de Trabalho “Subjetividade, Conhecimento e Práticas Sociais” deu prosseguimento às suas atividades com a participação da maioria de suas integrantes: Cecília Maria B. Coimbra (UFF); Esther Maria de M. Arantes (PUC/RJ e UERJ); Lília Ferreira Lobo (UFF); Maria Elizabeth Barros de Barros (UFES); Cleci Maraschin (UFRGS); Maria Juracy Filgueiras Toneli (UFSC); Maria Lívia do Nascimento (UFF) e Andréa Vieira Zanella (UFSC). A ausência das pesquisadoras Tania Mara Galli Fonseca (UFRGS) e Susana Molon (FURG) se deu em virtude da participação destas em evento no exterior; e Margarete Axt (UFRGS) ausentou-se por motivo de doença de familiares. Participou como convidada do GT neste evento a professora Nair..., da UFRGS.

 A temática de trabalho definida pelo grupo para este evento foi “modos de subjetivação e possibilidades de invenção e criação da vida em práticas psi”, sendo que os participantes prepararam textos a serem discutidos na ocasião. Outro objetivo foi dar continuidade às discussões sobre políticas de pós-graduação no Brasil, mais especificamente sobre os critérios de avaliação dos programas e da produção científica.

Os trabalhos neste encontro compreenderam as seguintes atividades:

-          Apresentação e discussão dos trabalhos dos integrantes do GT;

-          Discussões preparatórias para a participação nos fóruns sobre políticas de pós-graduação propostos pela organização do evento;

-          Delineamento de agenda de trabalhos para o biênio;

-          Avaliação dos trabalhos e encaminhamentos;

-          Participação nos fóruns de discussão do evento bem como na sessão plenária final.

 

         Os trabalhos confeccionados para este evento seguiram, em sua maioria, a estratégia definida pelos participantes de constituírem parcerias que permitissem a interlocução das múltiplas vozes que nos conotam. Os textos resultantes, polifônicos e polissêmicos, expressam as práticas que vimos engendrando no campo psi  e, ao mesmo tempo, apresentam-se como dispositivos potencializadores de novos encontros e parcerias.

         Quanto às reflexões sobre políticas de pós-graduação no Brasil, estas foram intensas e mobilizaram a todas. Discutimos vários aspectos, entre os quais os critérios de distribuição de bolsas de pós-graduação, de produtividade e de iniciação científica; a avaliação dos programas e o financiamento da pós-graduação; as (des)valorizações da produção científica de pesquisadores e os periódicos da área. Várias sugestões foram apontadas:

- a necessidade de inclusão de um membro que trabalhe com pesquisa “qualitativa” nos comitês de ética para pesquisa com seres humanos das IES;

- a necessidade de se considerar, na avaliação da produção científica, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; ainda sobre esse tópico, foi apontada a necessidade de valorização de outras formas de socialização de conhecimentos que não somente a linguagem escrita, como a promoção de eventos e as atividades de extensão, que aproximam a academia da realidade social brasileira. A valorização de artigos em revistas foi outro aspecto discutido, posto que o GT entende que é importante para o debate da academia com a sociedade a publicação de livros e capítulos de livros para a sociedade. Argumenta-se ainda que há bons artigos que não se enquadram nos padrões fixados pelos periódicos, como por exemplo, o número de páginas, o que não significa menor qualidade e relevância da reflexão apresentada;

- a necessidade de transparência em relação a todos os procedimentos adotados pelas entidades de fomento. Nesse sentido, o GT destaca a necessidade do estabelecimento de critérios claros para a distribuição de verbas e bolsas, levando-se em consideração a relação entre o número de bolsas e a demanda;

- a necessidade de que os critérios adotados sejam os mesmos para todos os pesquisadores, de dentro e fora do sistema;

- a necessidade de que os pesquisadores com produção científica e cujos projetos sejam reconhecidos pelo mérito, porém que estão fora do sistema em razão do número escasso de bolsas de produtividade, possam concorrer junto com os pesquisadores I e II nas disputas por verbas e bolsas, sejam de IC, Pq, ou AT.

         Com o intuito de socializar as discussões que vínhamos tecendo retomamos a “Carta de Vitória”, documento produzido pelo GT em evento realizado em 2003 que está à disposição dos interessados na página da ANPEPP. A atualização dos aspectos ali apresentados foi feita em uma reunião que contou com a participação de integrantes de outros GTs, igualmente interessados em assumir uma postura propositiva frente à entidade que nos congrega e às agências de fomento que regulam as atividades no âmbito da pesquisa e da pós-graduação no Brasil. As discussões resultaram no documento “Carta de Aracruz/ES” que foi apresentado nos fóruns de discussão e entregue aos membros da chapa que concorrerá à nova diretoria da ANPEPP.  

        

         Com relação à continuidade do GT, definiu-se a seguinte pauta de trabalho:

 

-          Incrementar o intercâmbio para participação em bancas de defesa de trabalhos de pós-graduação, bem como realização de palestras e cursos; 

-          Composição de 3 mesas redondas junto ao Encontro Nacional da ABRAPSO, a ser realizado no segundo semestre de 2005, em Belo Horizonte.

-          Publicação conjunta dos textos das pesquisadoras do GT apresentados neste simpósio. A publicação será feita em forma de livro, com o título “Práticas Psi e Invenção da Vida”.

-          Troca de publicações das pesquisadoras, concretizando-se assim a interlocução necessária para o delineamento de trabalhos conjuntos.

-          Incremento de convênios interinstitucionais.

-          Intensificação das trocas com outros GTs e participação mais ativa nas representações junto à ANPEPP.

 

Seguindo regras da ANPEPP, foram escolhidas, dentre as integrantes, duas pessoas para assumirem as funções de coordenadora e secretária do GT para o próximo biênio: Maria Lívia do Nascimento e Esther Arantes, respectivamente.

         A avaliação que coletivamente fizemos dos trabalhos desenvolvidos e da participação do GT na ANPEPP foi muito positiva. Consolidamo-nos como grupo e, ao mesmo tempo, contribuímos efetivamente com as reflexões sobre as políticas de pós-graduação no país, o que pretendemos intensificar. Com este encontro consolidamos a rede que nos caracteriza, que nos move, comove e mobiliza a todas: a produção de estratégias que potencializem a vida e são, nesse sentido, guiadas pela possibilidade do devir.

 

 

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X Simpósio da ANPEPP

GT- Desenvolvimento em Situação de Risco Pessoal e Social

Síntese das discussões

Coordenação: Sílvia Helena Koller

Relatores: Carolina Lisboa & Lucas Neiva-Silva

 

  E-mails dos participantes do GT

Ângela Coelho - UCDB
e-mail: coelho_angela@hotmail.com

Bernardo Monteiro de Castro – FAMIH
e-mail: bmcastro.bh@terra.com.br

Carolina Lisboa - UFRGS
e-mail: carolinalisboa@terra.com.br

Clarissa De Antoni - UFRGS
e-mail: clarissadeantoni@yahoo.com.br

Dagmar Silva Pinto de Castro – UMESP
e-mail: dagmar.castro@metodista.br

Deise Matos do Amparo – UCB
e-mail: Deise@ucb.br

Débora Dalbosco Dell’Aglio – UFRGS
e-mail: dallbosco@cpovo.net

Lucas Neiva-Silva – UFRGS
e-mail: lucasneiva@yahoo.com.br

Maria Ângela Mattar Yunes - FURG
e-mail: Yunes@vetorialnet.com.br

Maria de Fátima Pereira Alberto – UFPB
e-mail: jfalberto@uol.com.br

Maria Inês Costa Moreira – PUC-MG
e-mail: maigcomo@uol.com.br

Marilza Terezinha Soares de Souza – PUC-SP
e-mail: de_souzamarilza@hotmail.com

Renata Maria Coimbra Libório – UNESP 
e-mail: coimbralibor@uol.com.br

Rosângela Francischini – UFRN
e-mail: rfranci@uol.com.br

Sílvia Helena Koller – UFRGS
e-mail: skoller@uol.com.br

Veriana de Fátima Rodrigues Colaço – UFC
e-mail: verianac@uol.com.br


 

Introdução

Inicialmente, foi realizada por cada participante uma apresentação teórico-metodológica de sua linha de pesquisa, seguida por comentários, questionamentos e sugestões do grupo. Houve permanente troca de referências, bem como de instrumentos de avaliação e mensuração.

Ações planejadas a partir do GT: 

Segue um breve resumo sobre a área de interesse científico específica de cada participante e as metodologias que utiliza para coleta e registro dos dados.

Ângela Coelho - UCDB
e-mail: coelho_angela@hotmail.com

Área de pesquisa: psicologia da saúde; percepção de risco; stress pós-traumático.

Área de investigação científica:

Interesse Posterior:

Metodologias: Qualitativa e Quantitativa

 

 

Bernardo Monteiro de Castro – FAMIH
e-mail: bmcastro.bh@terra.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Metodologias:

Alguns resultados divididos no GT:

 

Carolina Lisboa - UFRGS
e-mail: carolinalisboa@terra.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Metodologias:

 

Clarissa De Antoni - UFRGS
e-mail: clarissadeantoni@yahoo.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

 Metodologias:

 Alguns resultados divididos no GT:

  

Dagmar Silva Pinto de Castro – UMESP
e-mail: dagmar.castro@metodista.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Metodologias:

Alguns resultados divididos no GT:

 

Deise Matos do Amparo – UCB
e-mail: Deise@ucb.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Participa de uma pesquisa financiada pela Petrobrás e trabalha com mais outros profissionais em equipe. Uma das pessoas da equipe é a Prof. Paola Biasoli Alves, que faz parte deste GT, mas não pôde comparecer à ANPEPP

Metodologias:

Alguns resultados divididos no GT:

Apontou-se no GT a necessidade de avaliar a complementaridade dos diversos instrumentos, ressaltando a riqueza dos conteúdos e a importância da análise.

 

Débora Dalbosco Dell’Aglio – UFRGS
e-mail: dallbosco@cpovo.net

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

 

Metodologias:

Alguns resultados divididos no GT:

 

Lucas Neiva-Silva – UFRGS
e-mail: lucasneiva@yahoo.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Metodologias:

Alguns resultados divididos no GT:

 

Maria Ângela Mattar Yunes - FURG
e-mail: Yunes@vetorialnet.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Metodologias:

Alguns resultados divididos no GT:

 

Maria de Fátima Pereira Alberto – UFPB
e-mail: jfalberto@uol.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Metodologias:

Alguns resultados divididos no GT:

 

Maria Inês Costa Moreira – PUC-MG
e-mail: maigcomo@uol.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Metodologias:

Alguns resultados divididos no GT:

 

Marilza Terezinha Soares de Souza – PUC-SP
e-mail: de_souzamarilza@hotmail.com

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Metodologias:

OBS: Utilizou uma escala likert para as respostas com selinhos coloridos (vermelho, verde e amarelo!)

Alguns resultados divididos no GT:

 

Renata Maria Coimbra Libório – UNESP Pres. Prudente
e-mail: coimbralibor@uol.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Alguns resultados divididos no GT:

Participa de Programas Sociais:

 

Rosângela Francischini – UFRN
e-mail: rfranci@uol.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Metodologias:

Alguns resultados divididos no GT:

 

Sílvia Helena Koller – UFRGS
e-mail: skoller@uol.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Metodologias:

Alguns resultados divididos no GT:

 

Veriana de Fátima Rodrigues Colaço – UFC
e-mail: verianac@uol.com.br

Área de pesquisa:

Área de investigação científica:

Núcleo Cearense de Estudo e pesquisa sobre a Criança:

Alguns resultados divididos no GT:

 

AVALIAÇÃO DO TRABALHO

Os participantes avaliaram esta atividade muito rica em termos de trocas de conhecimentos e conteúdos, entendendo até mesmo a trocas afetivas e intercâmbios culturais. Ficam propostas reais de parcerias e a clareza da existência de interesses comuns e a necessidade de discussão conceitual.

         A Professora Rosângela Francischini da UFRN foi escolhida como a próxima coordenadora, para a organização do GT para a participação no XI Simpósio da ANPEPP. As ações planejadas neste Simpósio deverão ser postas em prática no intervalo entre os eventos.

 

 

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RESUMO DO GT PRÁTICAS PSICOLÓGICAS EM INSTITUIÇÕES

X SIMPÓSIO ANPEPP – 2004 (Aracruz)

 

 

1. Discussões e encaminhamentos

Reunido, em Aracruz, ES, de 24 a 28 de maio de 2004, o GT Práticas Psicológicas em Instituições: atenção, desconstrução e invenção discutiu tomando por base a proposta final apresentada no IX Simpósio ANPEPP  em 2002, em Lindóia, SP, abaixo citada:

Temática Geral:

Práticas psicológicas que, surgidas a partir de instituições universitárias e com caráter investigativo, crítico e formador, perspectivam queixas e demandas da clientela no contexto da vida atual e de instituições nas quais o trabalho se realiza.

Eixos de Discussão:

1.       leitura contextualizada das práticas psicológicas em instituição;

2.         aprofundamento teórico e aproximações com Psicossociologia Clínica francesa;

3.         explicitação do compromisso ético-político dessas práticas;

4.         necessidade de adotar conceitos que avaliem esse compromisso (polaridades entre resistência e conformismo e interdisciplinariedade);

5.       caráter dialógico-constitutivo dessas práticas na relação com a população atendida;

6.         problematização da alteridade como diferença e como exclusão;

7.         questionamento acerca de possíveis formas de reificação dessas práticas e do sofrimento humano, via crenças, representações sociais, imaginário humano;

8.       análise crítica de políticas públicas em saúde e educação;

9.       forma de investigação participativa interventiva e questionamento metodológico;

10.         ressignificação de atenção psicológica como eixo norteador atitudinal das práticas psicológicas em instituições;

11.         exploração da eficácia terapêutica dessas práticas;

12.         elaboração de projeto temático.

2. Mudanças de Eixos de discussão da Temática

Tendo decidido pela manutenção da mesma temática e eixos de discussão, optou-se por re-configurar um projeto temático do GT, contemplando os desafios de nossas pesquisas no cenário brasileiro atual. Para isso, alunos de nossos programas de Pós-Graduação foram convidados a participarem do GT no X Simpósio, em 2004, para que suas pesquisas fossem discutidas como meio de encaminhamento do direcionamento de questões a serem tematizadas a partir do estágio atual do GT. Desse modo, evidenciou-se o que segue:

Temática Geral:

Projeto de avaliação das práticas psicológicas, desenvolvidas pelos integrantes do GT 28, que se propõem, a partir de extensão universitária com caráter crítico e formador para pesquisa, dirigirem-se ao contexto de instituições de saúde e educação, para intervenção junto a seus atores sociais, via atenção psicológica como acolhimento do sofrimento humano e formação de pesquisadores e profissionais, no tocante ao desafio da pesquisa interventiva participativa frente à demanda da realidade brasileira na contemporaneidade.

Eixos de Discussão:

1. contextualização das práticas psicológicas em instituição;

2. revisão teórica das aproximações e diferenças com  psicossociologia clínica;

3. reiteração do compromisso ético-político dessas práticas no contexto do desafio contemporâneo;

4. formular conceitos que avaliem esse compromisso (polaridades entre resistência e conformismo e interdisciplinaridade);

5. caráter dialógico-constitutivo dessas práticas na relação com a população atendida;

6. problematização da alteridade como diferença e como exclusão;

7. questionamento acerca de possíveis formas de reificação dessas práticas e do sofrimento humano, via crenças, representações sociais, imaginário humano;

8. análise crítica de políticas públicas em saúde e educação;

9. forma de investigação participativa interventiva e questionamento metodológico;

10. ressignificação de atenção psicológica como eixo norteador atitudinal das práticas psicológicas em instituições;

11. exploração da eficácia terapêutico-educacionias dessas práticas;

12. elaboração de projeto temático de avaliação da proposta do GT após 10 anos de experiência.

Após as apresentações das pesquisas dos novos membros e dos alunos pós-graduandos, o GT decidiu manter a temática geral, reformulando, contudo algumas das direções, apresentando-as abaixo:

Eixos de Discussão em relação a práticas psicológicas em instituições:

1. contextualização das práticas psicológicas em instituição;

2. revisão crítica das diferentes perspectivas teórico-metodológicas contempladas pelo GT;

3. reiteração do compromisso ético-político dessas práticas no contexto do desafio contemporâneo;

4. constituição de conhecimento sistematizado acerca de prática psicológica;

5. ênfase na produção de um saber compartilhado entre todos os envolvidos nessa prática;

6. problematização da alteridade como diferença e exclusão;

7. questionamento acerca de possíveis formas de reificação dessas práticas e do sofrimento humano, via crenças, representações sociais, imaginário humano;

8. análise crítica de políticas públicas em educação, saúde e trabalho;

9. significar atenção psicológica como eixo norteador de prática e pesquisa:

10. proposta de avaliação genealógica para alguns dos projetos de prática psicológica em instituições, a fim de encaminhamento dessa temática  do GT, após 10 anos de experiência e pesquisas em diferentes IES do país.

 

3. Repercussões do GT no Grupo de Pesquisa do CNPq “Aprendizagem significativa na formação de profissionais de saúde e educação” a ser atualizado

As condições do mundo e sociedade atuais, do modo de vida humana e da tecnocracia científica desafiam a Psicologia pela fragmentação e desamparo social, ético e político do homem contemporâneo. O questionamento do Grupo parte da atenção às demandas sociais por práticas psicológicas desconstrutoras da hegemonia do pensamento moderno. Nesse sentido, investigações dirigem-se a problematizar as relações tensionais entre tais práticas e as instituições nas quais se efetivam. São pesquisadas brechas promovidas por essas práticas, para transformar a formação e atuação de profissionais de saúde e educação quanto ao oferecimento de melhoria de serviços com qualidade à comunidade. O eixo norteador parte do questionamento acerca aprendizagem significativa, explorado através de modalidades da prática psicológica, situações impedidoras, possibilitando apontar transmutações de reversão de espaços instituídos, mas não atuantes em seus propósitos. As pesquisas envolvem práticas interventivas, imersas no tecido social, promovendo aprendizagem a profissionais, revelada por adesões da própria comunidade assistida na expectativa por serviços. Pesquisando essa prática, são investigadas, ainda, metodologias para acolhimento do sofrimento humano, revertendo-as em ação social multiplicadora, legitimadas por projetos de pesquisa interventiva social em instituições hospitalares (HCUSP e UNICAMP, HCUFPE, HCUFRN), educativas (conselhos tutelares, FUNABEM e FEBEM), de segurança pública (DP e PM) e jurídicas (TRTSP, TJPE, DJFDUSP). Os temas estudados passaram a contemplar cursos de graduação, especialização e pós-graduação, tanto os consagrados como alguns emergentes para criação de massa crítica em regiões carentes do país. Os questionamentos possibilitaram temas para projetos de teses, dissertações, iniciação científica, seminários, simpósios nacionais, apresentações em congressos nacionais e internacionais, participação em bancas com temática pertinente (USP, PUCSP, PUCCAMP, UFES, UFPE, UFRN, UNICAP, UNIP), além de propiciar convênios de colaboração científica entre laboratórios internacionais (Dipartimento di Salute Mentale di Trieste, Itália, e Laboratoire de Changement Social, Université Paris 7, França), e nacionais (LABI, LACLIFE, LEFE, CPAT, LABCLIN). Destacam-se, ainda, publicações conjuntas entre pesquisadores e docentes, bem como entre docentes e co-autores de discentes.

 

4. Discussão quanto à realização dos Simpósios nacionais anuais do GT, elaborando-se a seguinte PROGRAMAÇÃO PROVISÓRIA

 

V SIMPÓSIO DE PRÁTICA PSICOLÓGICA EM INSTITUIÇÕES

GT 28 ANPEPP

 

I ENCONTRO DE ATENÇÃO PSICOLÓGICA CLÍNICA EM INSTITUIÇÕES: ATENÇÃO E INTERVENÇÃO – PUCCAMP

 

De 23 a 25 de setembro 2004 – PUCCAMP

 

ATENÇÃO PSICOLÓGICA E SAÚDE

 

23/09 (5ª feira) - 19hs – ABERTURA

                 Mesa Redonda: Mesa Redonda “Atenção psicológica clínica”

                                              Participantes: Tânia Vaisberg e Florianita

                                              Coordenador: Vera E. Cury

 

24/09 (6ª feira) – 9:00–10:30

                  Conferência “Psicologia: ética e política”

                              Conferencista: Marilena Chauí ou Dulce Critelli

                              Mediador: Maria Luisa S. Schmidt

 

24/09 (6ª feira) – 10:30-11:00 – Coffee

 

24/09 (6ª feira) – 11:00-12:30 – Grupos de Trabalho

                                      GT 1 – Atenção psicoeducativa

                                                 (Christina Cupertino e Heloísa Szymanski)

                                      GT 2 – Atenção psicológica e Saúde Publica

                                                 (Ângela Nobre, Nilson Vieira e Maristela Araújo)

                                      GT 3 - Atenção psicológica e trabalho

       (Leny Sato e Maria Luisa S. Schmidt)

                                      GT 4 – Atenção psicológica e instituições de saúde

                                                  (Elza Dutra, Ana Francisco e Cristina Lavrador)

                                      GT 5 - Atenção psicológica e Clínica-escola

(Carmem Barreto, Sílvia Ancona Lopez, Yvette Yehia e Márcia Tassinari)

                                      GT 5 – Atenção psicológica e pesquisa

                                                    (Vera Cury, Sheva Nóbrega e Henriette Morato)

 

24/09 (6ª. Feira) – 14:00-18:00 – Continuação dos GTs

 

24/09 (6ª. Feira) – 20:00 – Jantar (por adesão)

 

25/09 (sábado) – 8:30-9:30 – Conclusão dos GTs

                              9:30-10:30 – Apresentação dos GTs

                              10:30-11:00 – Coffee

 

25/09 (sábado) – 11:00-12:30 Mesa Redonda: “Atenção Psicológica e interdisciplinaridade”

                               Participantes: Marcos, Elizabeth e Henriette Morato

                               Coordenador: Vera Cury

 

 25/09 (sábado) – 12:30-13:00 - Encerramento

 

 

 

5. Discussão do Esboço do Projeto “Alternativas de Prática Psicológica em Instituições: uma proposta de avaliação” (a iniciar-se ainda em 2004)

 

Objetivo Geral

Avaliar alternativas de práticas de atenção psicológica oferecida a pessoas ou grupos em situação de exclusão social, para construção de proposta de política pública nessa área.

Objetivos Específicos

1.                  Selecionar, dentre as alternativas de projetos do GT “Práticas Psicológicas em Instituições: atenção, desconstrução e invenção”, desenvolvidas também pelo Grupo de Pesquisa “Aprendizagem Significativa na formação de profissionais de saúde e educação” do CNPq, aquelas que mais diretamente se dirigem à atenção ao excluído.

2.                  Desenvolver um projeto de avaliação continuada, com a caracterização de critérios e indicadores de eficácia daquelas práticas, para sua utilização em Programas de Políticas Públicas.

3.                  Formular bases para transferência de metodologia de programas de atenção psicoeducativa e psicológica para profissionais de saúde e educação.

Atividades

1.                  Descrever as alternativas de prática ressaltando os seguintes temas (palavras-chave): atenção e prática psicológica; plantão psicoeducativo; oficinas de criatividade.

2.                  Implementar os projetos (Henriette Morato, Heloisa Szymanski, Christina Cupertino).

3.                  Desenvolver critérios de avaliação (Ângela Nobre).

4.                  Implantação da avaliação (Ângela Nobre) com transferência de metodologia (Henriette Morato, Heloisa Szymanski, Christina Cupertino).

5.                  Elaboração de uma proposta de implementação em programas de Políticas Públicas (Todas).

 

 

¨6. Discussão a respeito das publicações, continuando a proposta de um artigo por dois dos participantes.

- Estudos de Psicologia (UFRN) com um dossiê do GT para 2º. Semestre de 2004, com artigos do IX Simpósio (2002);

- Boletim de Psicologia (SPSP) com artigos do X Simpósio;

- Estudos de Psicologia (PUCCAMP), com a publicação de artigos do VIII Simpósio (2000);

- Discutir a viabilidade para publicação de um livro, incluindo artigos de orientandos.

 

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GT Subjetividade Contemporânea

 

Coordenação Suely Rolnik

 

Participantes presentes no X Simpósio de Pesquisa e Intercâmbio Científico da ANPEPP:

 

 

1.      Suely Rolnik (coordenadora) – Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da PUC/SP (Núcleo de Estudos da Subjetividade) suelyrolnik@uol.com.br

2.      Virginia Kastrup – Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRJ. vkastrup@terra.com.br

3.      Peter Pál Pelbart – Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da PUC/SP (Núcleo de Estudos da Subjetividade) ppelbart@uol.com.br

4.      Eduardo Henrique Passos – Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFF (Estudos da Subjetividade) e.passos@superig.com.br

5.      Regina Benevides de Barros – Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFF (Estudos da Subjetividade) rebenevi@terra.com.br

6.      Silvia Tedesco – Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFF (Estudos da Subjetividade) stedesco@novanet.com.br

7.      Maria Cristina Franco Ferraz  – Programa de Mestrado em Comunicação, Imagem e Informação da UFF mcfferraz@hotmail.com

8.      Carmem Oliveira – Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde. Área de concentração: Saúde Coletiva, UNISINOS. carmenoliveira@terra.com.br

9.      Fernanda Glória Bruno – Programa de Pós-Graduação em Ecologia Social e Comunidades – EICOS – do Instituto de Psicologia da UFRJ fgbruno@matrix.com.br

 

 

Relatório do trabalho no X Simpósio

 

        O objetivo do GT foi discutir o tema da Subjetividade Coletiva. Este tema situa-se no limite entre diferentes domínios da pesquisa: psicologia e a biologia, psicologia cognitiva e psicologia social, entre estas e a clínica, mas também entre as ciências e a filosofia. Neste plano transversal, coloca-se o problema da produção da subjetividade.

        Para pensar o tema da subjetividade coletiva evitamos partir da dicotomia indivíduo/sociedade, sujeito/grupo, parte/todo que separa o aquém e o além do indivíduo. Evitamos o pensamento dicotômico para poder pensar esta dimensão coletiva, que entendemos ser ao mesmo tempo aquém e além do indivíduo e do mundo, aquém e além do sujeito e da sociedade. Não podemos enfrentar este problema buscando a resposta rápida de que o plano coletivo se confunde com a sociedade ou com as regras simbólicas da cultura. Para aquém e para além, queremos pensar uma dimensão que não possui nem a forma do indivíduo, nem a da sociedade, na verdade, uma dimensão aquém e além das formas. Esta dimensão é a das forças de produção das formas subjetivas e objetivas.

Tendo em vista esta colocação do problema da subjetividade coletiva, a proposta foi a discussão de questões relativas às modulações da subjetividade em face do capitalismo contemporâneo – regimes de assujeitamento e controle -, bem como a identificação de estratégias de criação e resistência. Isto significa apreender os movimentos de sensibilidade coletiva e participar da invenção de dispositivos que possam ser integrados ao âmbito das práticas psi e da formação do psicólogo. Como temas de discussão no grupo tivemos a questão da relação da subjetividade contemporânea com as tecnologias, com a cidade, com a arte, com o mundo do trabalho, com a política, com o corpo, com a violência, com as novas formas de conhecimento e as novas exigências e perspectivas da clínica na atualidade. A apresentação de pesquisas de campo sobre a subjetividade coletiva em contextos específicos da sociedade brasileira contemporânea também teve lugar de destaque na discussão do grupo.

Quanto à metodologia de trabalho do GT no X Simpósio da ANPEPP, decidimos trabalhar este ano com os problemas que ainda suscitam o debate no grupo, mais do que com os resultados já consolidados dos diferentes projetos de pesquisa. Para tal, propusemos que cada integrante do GT preparasse a formulação de sua problemática em 5 laudas que foram encaminhadas ao grupo com a antecedência de 30 dias do início do Simpósio. Os problemas delimitados foram discutidos nas quatro seções determinadas para as atividades do GT. Em cada uma das seções três expositores apresentaram suas problemáticas. Para cada seção foram definidos um coordenador do debate e um relator. Na última seção foi realizada a avaliação do trabalho desenvolvido no grupo, bem como a definição dos encaminhamentos para atividades conjuntas no futuro. A dinâmica de trabalho, focada mais nos problemas do que nas soluções, favoreceu a transversalização das diferentes áreas de pesquisa que compõem o GT: psicologia clínica, psicologia cognitiva, psicologia social e institucional, filosofia e comunicação. Os resultados dos debates serão apresentados numa coletânea de artigos a ser publicada, que já está sendo preparada e que será o produto final do trabalho do GT.

Os debates desenvolvidos no GT durante o Simpósio permitiram a ampliação do escopo das pesquisas, destacando-se alguns pontos que orientam o desenvolvimento do trabalho de investigação do grupo nos próximos anos. No que diz respeito à temática geral do GT Subjetividade Contemporânea, foi importante a discussão em torno do delineamento das linhas de continuidade e ruptura entre a sociedade moderna e a contemporânea, tendo em vista os dispositivos de visibilidade e os modos próprios aos mecanismos disciplinares e de controle, bem como as respectivas estratégias de subjetivação. Esta questão, relativa às mudanças dos modos de subjetivação e das formas de sensibilidade, foi também destacada na discussão acerca do tema da atenção e da experiência com a arte, abordada no âmbito das artes plásticas e da literatura.

O GT destacou, neste encontro, a questão da subjetividade coletiva, que atravessou todo o debate. Neste sentido, o tema das redes cognitivas esteve presente, tendo sido focalizada sua dinâmica no campo das políticas públicas: as redes de atenção que compõem o SUS, as redes de redução de danos no campo da Promoção da Saúde e Prevenção das DST/AIDS, as redes cognitivas vividas pelas equipes multiprofissionais dos serviços de saúde. Tomou-se o caso das políticas públicas de saúde no Brasil como um analisador da situação contemporânea na qual as práticas coletivas ganham força de resistência aos modos hegemônicos de subjetivação.

O campo das políticas públicas foi também destacado nos debates em torno da problemática da juventude e dos dispositivos clínico-políticos voltados para a questão da violência urbana. Discutiu-se uma concepção de clínica ampliada enquanto conjunto de dispositivos que permite avanços, em especial quando pensamos em agenciamentos capazes de suscitar novos modos de subjetivação coletiva.

Por fim, nas discussões realizadas foi central o problema das estratégias de elaboração de relatos das pesquisas de campo que possuem como tema a cognição e a subjetividade coletiva. Foram apresentadas as diretrizes para o desenvolvimento de um tipo de relato das experiências que, sem seguir o modelo do relatório de pesquisa (método em terceira pessoa), evita também o tom de um diário íntimo, escrito do ponto de vista de um eu. Apontou-se para a necessidade de desenvolvimento de uma política de narratividade que seja capaz de descrever o caráter coletivo da subjetividade e das práticas coletivas.

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GT: Atendimento psicológico em clínicas-escola

 

APRESENTAÇÃO DE 26.05.04 - 27.05.04 - Aracruz Vitória

 

Ao final de cada uma das apresentações dos trabalhos que irão constituir-se em capítulos de um livro do grupo cada um dos participantes  discutiu os pontos principais sinalizados  pela equipe e aqui arrolados abaixo do título de cada trabalho que é  seguido pelos seus autor(es) e instituição de origem.

 

1. TRATAMENTOS EM GRUPO NA CLÍNICA-ESCOLA DO IP/UFRJ

Bernard Rangé, Isabela Dias Soares, Danielle Monegalha Rodrigues, André Pereira, Angélica Gurjão Borba, Fenanda Gomes de Oliveira Luz, Renata Motta.

 

Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Instituto de Psicologia, UFRJ

 

          As vantagens e desvantagens de atendimentos em grupo em clínicas-escola

          A dificuldade de lidar com atendimentos em grupo com população de baixa-renda em função das faltas e abandonos

          A importância de tratamentos padronizados para uma parcela da população que procura ajuda (para os outros poderia ser necessário tratamentos individualizados)

          A aliança terapêutica mais fraca do que nos atendimentos individuais

          A importância dos resultados individuais mais do que as médias dos grupos

          As dificuldades e tempo dispendido até conseguir montar um grupo

 

2. O ATENDIMENTO PSICOLÓGICO A CRIANÇAS COM DIFICULDADES ESCOLARES
Edna Maria Marturano  &  Luciana Carla dos Santos Elias  

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP- RP

§         a capacitação do psicólogo para lidar com a queixa escolar no contexto da saúde, tendo em vista que: 

          esse é um dos principais motivos de encaminhamento de crianças;

          em um elevado percentual de casos encaminhados verifica-se a ocorrência de problemas emocionais e de comportamento associados à queixa escolar;

          estudos de follow-up sugerem que se trata de um segmento da população infantil em risco para transtornos psicossociais na adolescência.

 

§         a importância de uma visão desenvolvimental, baseada no conceito de tarefa evolutiva, para o trabalho com crianças que apresentam queixas escolares;

§         o imperativo de uma concepção sistêmica do problema, visto que família e escola estão implicadas na sua origem e são os principais agentes de apoio para sua superação;

§         como decorrência do enfoque sistêmico, a inclusão da família e, se possível, da instituição escolar no atendimento;

§         as dificuldades para implementar atendimento com tais características nas clínicas-escola;

§         a questão do diagnóstico e de critérios de triagem clínica, já que se trata de população heterogênea, onde é necessário identificar as famílias para as quais há indicação de atendimento psicológico;

§         tornando ao primeiro ponto, levantam-se questões: Quais habilidades e conhecimentos básicos devem ser proporcionados ao futuro psicólogo para lidar com essa clientela? A capacitação pode ser proporcionada no nível da graduação ou requer uma especialização?

§         foi levantada também a questão das diferenças culturais que dificultam a aproximação entre o psicólogo e a família.

 

ALGUMAS  FORMAS ALTERNATIVAS  DE  ATENDIMENTO  PSICOLÓGICO EM CLÍNICAS ESCOLA: GRUPOS RECREATIVOS

Edwiges Ferreira de Mattos Silvares & Marina Monzanni da Rocha  USP - SP

§         A  existência de dois tipos de grupo recreativos  deve ser vista como decorrência do atendimento institucional, como recursos institucional fruto da demanda do atendimento em clinica escola. O primeiro grupo : o grupo de espera  do atendimento - crianças brincam na clinica-escola enquanto aguardam na fila de espera  -  uma tentativa de prevenção da evasão  do atendimento e o grupo de espera dos pais : crianças que vieram com seus pais para serem atendidas brincam depois de terem sido atendidas enquanto  aguardam os pais receberem a orientação;

§         A existência dos dois tipos de grupo recreativo: de espera do atendimento e  de espera dos pais, como  decorrências naturais  do trabalho que  envolve a família e a criança na instituição clinica-escola;

§         A importância de não apenas criar recursos para auxiliar o cliente mas também se pesquisar sobre os recursos criados pois apesar de estudos iniciais com grupos recreativos de espera do atendimento parecerem mostrar que eles contribuem para diminuir a evasão,  estudos com crianças cuja queixa era monossintomática não replicaram esses resultados

§         A necessidade de se continuar a pesquisa com grupos recreativos  para poder encontrar os principais fatores determinantes da vinculação a instituição.

 

O ATENDIMENTO DE PACIENTES DIFÍCEIS EM CLÍNICA-ESCOLA

 Eliane Falcone - Rio de Janeiro -RJ Universidade Estadual do Rio de Janeiro

§         Importância da discussão relativa as diferentes formas de reação dos psicólogos diante do atendimento a pacientes difíceis em clinica-escola

§         A constatação de que grande parte dos pacientes adultos que procuram atendimento em clínica-escola apresenta algum tipo de transtorno de personalidade, tornando o processo terapêutico mais difícil de ser conduzido pelo estagiário de psicologia.

§         A necessidade de se aprofundar estudos visando o aprimoramento do atendimento de pacientes difíceis no contexto da clínica-escola. Considerando-se que o trabalho do psicólogo clínico é estressante, especialmente na interação com pacientes difíceis, pode-se concluir que esse trabalho é ainda mais estressante para os estudantes de psicologia que atendem em clínica-escola.

§         A importância de se criar um método de supervisão que torne o estagiário de clínica-escola mais capaz de atender pacientes difíceis.

 

SOFTWARE DE GERENCIAMENTO DA CLÍNICA-ESCOLA: BENEFÍCIOS PARA CLIENTES, ALUNOS, SUPERVISORES E PARA A PESQUISA

Eliana Herzberg - São Paulo - SP- USP

§         Importância de se ter conhecimento do fluxo de clientes da Clínica para o planejamento de atendimentos oferecidos pela Clínica-Escola

§         Existência de outros ´softwares` com a mesma finalidade. Foi citado exemplo de Universidade que está contando com assessoria de empresa que dispõe de ‘software`e o adapta de acordo com as necessidades da Clínica-Escola

§         Preocupação dos integrantes do grupo com a questão de segurança, isto é, cuidados em relação ao sigilo dos dados de atendimento dos clientes. Necessidade da utilização de senhas e de acessos restritos ao banco de dados observando-se rigorosamente a questão das finalidades (objetivos) das consultas.

 

O ENSINO DA PSICOLOGIA PEDIATRICA COMO ESPECIALIDADE CLÍNICA

Márcia Regina Marcondes Pedromônico

Universidade Federal de São Paulo arrym@uol.com.br

§         Conhecimentos necessários: desenvolvimento psicológico normal e patológico; instrumentos de avaliação psicológica; atendimento clínico à criança e adolescente; epidemiologia; promoção e prevenção em saúde mental (Sessão 54, American Psychological Corporation)

§         Habilidade de trabalho em equipes multiprofissionais;

§         Questões de pesquisa diferente daquelas encontradas na clínica psicológica: quais sintomas comportamentais são decorrentes da condição médica e quais aqueles que decorrem das restrições médicas e educativas dos pais? Quais condições são facilitadoras da adesão ao tratamento?, entre outras.

§         Quais as expectativas do médico da participação do psicólogo no tratamento da criança? Avaliador ou terapeuta?

§         A importância da observação e avaliação de crianças sem patologias médicas ou psicológica.

 

METODOLOGIA DE PESQUISA DA INTERAÇÃO TERAPÊUTICA EM CLÍNICAS-ESCOLA

Sonia Beatriz Meyer

Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de São Paulo

§         A clínica escola é espaço para a pesquisa em Psicologia Clínica. Para a condução de uma pesquisa o primeiro passo é a formulação de uma pergunta de pesquisa. Essa etapa é especialmente trabalhosa em pesquisas clínicas em que o delineamento não é nem o de grupo nem o estudo de caso descritivo. Por isso uma classificação de possíveis questões de pesquisa pode ser útil.

§         Pode-se perguntar sobre 1) os resultados da psicoterapia (Psicoterapia funciona? Existe uma forma de psicoterapia que é superior às outras?); 2) o processo de produção de mudanças em psicoterapia (Que elementos do tratamento fazem com que ele funcione? Que tipo de experiência o cliente deveria ter durante a terapia para superar seus problemas e se sentir melhor?); 3) a influência das variáveis do terapeuta (Terapeutas experientes fazem o que dizem que fazem?); 4) do cliente (Podemos predizer quem vai se beneficiar da terapia, quem vai terminar tratamento prematuramente e quem pode piorar durante a psicoterapia?); 5) da relação terapêutica.

§         Uma pergunta ampla e genérica sobre psicoterapia é: O que ocorre entre um terapeuta e seu cliente e como isso está relacionado às variáveis iniciais do terapeuta, do cliente e aos diversos tipos de resultados?

§         Pode-se também formular perguntas de pesquisa considerando o delineamento. Em pesquisas descritivas procura-se responder se há evidências da existência ou não de um determinado fenômeno ou parte dele;  quais as características do fenômeno, posto que sua existência já foi comprovada; quais os componentes existentes em X; se existe associação/relação entre X e Z;  se X é diferente de Z. Questões pertencentes ao campo de pesquisa experimental incluem: Pode X causar ou impedir W?; X causa maior alteração em Z ou W?; Em que condições X causa a maior alteração em Z ou W e em que condições não causa?

§         A questão do uso de gravações.

§         A dificuldade dos ingressantes em Programas de Pós-Graduação em Psicologia Clínica em formular perguntas de pesquisa.

§         A existência de outros textos sobre pesquisa em psicoterapia, apesar de não especificamente enfocando pesquisas de processo e a fase de formulação de questões.

 

CLÍNICA-ESCOLA: INTEGRAÇÃO DA FORMAÇÃO ACADÊMICA COM AS NECESSIDADES DA COMUNIDADE

Suzane S Löhr

§         Pertinência da discussão do tema - diretrizes do curso de psicologia aprovada e transformada em Resolução em 07.05.04 (Resolução no. 08 de 07.05.04 do Conselho Nacional de Educação - Câmara de Ensino Superior)

§         Preocupação com a formação dos futuros psicólogos - formas de desenvolver habilidades essenciais para o psicólogo, que sejam mais amplas do que a definição do contexto

§         Mudança do foco clínicas-escolas para serviços de psicologia? Como a prática (nos seus diversos contextos aplicados) pode promover o desenvolvimento de habilidades essenciais para o futuro profissional, como capacidade empática + domínio de conteúdo teórico + maturidade pessoal+ repertório de habilidades sociais? Exemplo de esquema de supervisão partilhada (aluno participar como ouvinte, para no ano seguinte poder ser selecionado para o estágio - sugestão E. Falcone UERJ)

§         Mudança do perfil do aluno ingressante nas diversas universidades - lei de cotas para alunos das escolas públicas em trâmite. UFPR já aprovou 20% das vagas (após a primeira etapa do vestibular) para alunos de escolas públicas e para negros. Provocará maior nivelamento entre os alunos que ingressarão no ensino superior em instituições públicas e privadas? Antes os que ingressavam nas públicas eram os alunos com o melhor desempenho, o que favorecia resultados melhores, pois tinham mais facilidade em trabalhar com os conteúdos apresentados.

 

O ATENDIMENTO AO ADOLESCENTE POR EQUIPE MULTIDISCIPLINAR EM UMA CLÍNICA-ESCOLA

Maria Aznar Farias & Teresa Helena Schoen Ferreira

Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP/EPM

§         A singularidade do programa desenhado especificamente para adolescentes.

§         A importância do trabalho multidisciplinar com adolescentes.

§         A particularidade do trabalho curativo e preventivo em clínica-escola.

§         A integração do trabalho nos níveis: ensino, pesquisa e extensão.

§         O enfoque evolutivo do trabalho ajudando a identificar precocemente os possíveis desvios no desenvolvimento.

§         O uso de estratégias da Psicologia Clínica para promover um trabalho preventivo.

§         A importância do acompanhamento posterior (follow-up).

A Implantaçao de um programa clínica-escola na PUCRS

Margareth da Silva Oliveira – PUCRS –RS

§         Foi discutido no GT  a implantação do LABICO ( laboratório de de Intervenções Cognitivas, cujo objetivo é desenvolver  intervenções no modelo cognitivo comportamental e atender  alunos de graduação  no estágio curricular em psicologia clínica. Foi realizado um convênio com a Pontifícia Universidade Católica do RS e o Ministério Público do Rio Grande do Sul  especificamente com a Faculdade de Psicologia e o Instituto de Toxicologia para atender adolescentes usuários de substâncias psicoativas  que ingressam no sistema de justiça como medida protetiva. O programa  para os adolescentes consiste na avaliação inicial , uma intervenção motivacional breve e uma avaliação de follou-up. Foi apresentado no GT o perfil sócio-demográfico  de 39 adolescentes e discutiu-se os resultados da escala URICA que avalia os estágios motivacionais no momento que  os adolescentes ingressam no programa. Viu-se que 82% endossam  o estágio da pré-contemplação,entendendo que  a droga não é um problema  neste  momento para eles.

No GT  vimos  a dificuldade de trabalhar com adolescentes com esta problemática.

 

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GT de Psicobiologia e Neurociências & comportamento (2004)

 

As discussões do GT de Psicobiologia e Neurociências & comportamento abordaram a maioria dos pontos que constavam da proposta de trabalho para o X Simpósio. A troca de idéias versando sobre os trabalhos apresentados pelos participantes indicou que cada investigação específica levanta temas amplos e relevantes da área de neurociências e comportamento. O GT então se propõe a compilar textos versando sobre esses temas, seguindo o índice apresentado a seguir.

  1. Integração entre neurociências e ciência do comportamento. Maria Teresa Araújo Silva, Instituto de Psicologia, USP.
  1. Relação bi-direcional  cérebro-comportamento. Antonio Pedro de Mello Cruz, Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília.
  1. Circuitos neurais do medo e do pânico. Jesus Landeira-Fernandez, PUC-RJ, UNESA.
  1. Funções visuais em bebês: aspectos teóricos e metodológicos. Niélsy Puglia Bergamasco, Instituto de Psicologia, USP.
  1. Organização perceptual em bebês prematuros. Dora Ventura, Instituto de Psicologia, USP.
  1. Atenção. Luiz G. Gawryszewski, Instituto de Biologia, Universidade Federal Fluminense. 
  1. Psiconeuroimunologia. Circe Petersen, Instituto de Psicologia, UFRGS.
  1. Efeito Placebo. Clarice Gorenstein, Instituto de Ciências Biomédicas, USP.
  1. Técnicas de neuroimagem e funções cognitivas. Letícia Forster, Instituto de Psicologia, UFRGS.
  1. Avaliação neuropsicológica. Anita Taub, Hospital Israelita Albert Einstein. 
  1. Estímulos emocionais: processamento sensorial e respostas comportamentais. Eliane Volchan, UFRJ. 
  1. Linguagem. Maria Alice Parente, Instituto de Psicologia, UFRGS. 
  1. Memória. Gilberto F. Xavier, Instituto de Biociências, USP. (Teresa)
  1. Evolução. Maria Emilia Yamamoto, UFRGN.
  1. Envelhecimento sensorial. Maria Ângela Feitosa, Instituto de Psicologia, UnB. 

O GT considera que o conhecimento do que se passa no organismo quando o indivíduo interage com o meio pode ter implicações teóricas e práticas, e que os níveis biológico e comportamental dessa interação devem ser integrados. Por isso, acredita que a produção desse compêndio contribuirá para a formação dos estudantes de Psicologia, e servirá de interface com as outras áreas que compõem a graduação e a pós-graduação.

 

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GT - DESENVOLVIMENTO E EDUCAÇÃO
NA PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL

 

RELATÓRIO DE ATIVIDADES

 

Coordenadoras: Angela Uchoa Branco & Ana Luiza Smolka

 

 

Iniciamos os trabalhos fazendo uma apresentação da metodologia de trabalho do GT, que consistiu em uma apresentação geral das pesquisas de cada um participante, seguida de uma discussão aprofundada sobre temas e questões teórico-metodológicas a elas relacionadas. Desde o primeiro momento já foram sendo discutidas propostas para dar continuidade ao grupo e fazê-lo produtivo, o que deverá incluir publicações e participações conjuntas em congressos, dentre outras possibilidades.

 

Etapas do Desenvolvimento das Atividades

 

1- Discussão da proposta inicial do GT, seus objetivos e apresentação dos participantes do grupo

 

Apresentação da gênese da concepção do GT – idéia surgida a partir de diálogos entre Angela, Ana Luiza e Clotilde. Apresentação dos objetivos da ANPPEP e dos GTS para os novos participantes da ANPEPP. Pequeno histórico e a necessidade de constituirem-se grupos onde as pessoas compartilhem, em princípio, uma perspectiva epistemológica e teórica acerca do desenvolvimento humano, que permita a discussão e o aprofundamento de questões relacionadas ao fazer científico sobre o tema, nos diferentes contextos específicos. Ressaltou-se a importância de, a partir dessas discussões, originar publicações que dêem visibilidade nacional às produções na área e que contribuam efetivamente para o seu desenvolvimento. Destacou-se, também, a necessidade urgente de uma maior articulação no contexto das pesquisas em psicologia, entre o tema ‘desenvolvimento humano” e o tema “educação”, este último pouco representado no conjunto geral dos GTs propostos para o X Simpósio da ANPEPP.  O tema do desenvolvimento necessariamente deverá, no GT, incluir a discussão da concepção de desenvolvimento e o tema educação, incluir o estudo e análise de processos e práticas em contextos educacionais, não necessariamente a escola.

 

A ordem de apresentação dos trabalhos proposta pelas coordenadoras foi:

 

(1) As bases epistemológicas da perspectiva histórico-cultural: Angel Pino

(2) Desenvolvimento cognitivo e práticas sociais:

a - Marta (desenvolvimento adulto)

b - Diva (alfabetização)

c – Celeste (educação de surdos)

(3) Comunicação, afeto e processos de significação:

a – Ana Luiza (desenvolvimento e educação como prática social)

b - Angela (crenças, valores e metacomunicação)

c – Ivone (afeto e significação)

(4) Socialização e constituição de si e do outro em diferentes contextos:

a – Ana Cecília (família)

b – Clotilde (adoção)

c - Marilicia (educação formal)

d – Ana Paula (educação infantil)

e – Edival (educação formal)

f - Maria Claudia (outros contextos)

 

Apresentações (25 e 26/05/04):

 

Marta Kohl - vem estudando a vida adulta e questões sobre  o processo de desenvolvimento adulto. Em seu doutorado realizou estudo etnográfico com alunos do antigo Mobral e vem investigando o papel da escola no desenvolvimento intelectual. Identifica que sua tese expressa uma tendência da década de 80 de derrubar os argumentos sobre diferenças de desempenho cognitivo baseadas em diferenças individuais, ressaltando a importância das diferenças culturais. Enfatiza a idéia de que todos pensam, todo mundo é capaz de aprender; o que dificulta a aprendizagem são  as diferenças de acesso aos bens culturais.

Acredita que a escola faz diferença, mas não faz diferença sempre. Também não é a escola que constitui o único fator que faz a diferença. Dá ênfase à participação das práticas culturais, que acontecem na escola e no contexto de trabalho, por exemplo, no funcionamento e desenvolvimento mental. A escola, por exemplo, atua como fator de transcendência, ajudando a pessoa a sair de condição menos elaborada, rumo a um maior desenvolvimento.

Tem interesse em analisar o fenômeno da periodização, buscando compreender como a passagem pelos ciclos da vida é recortada em períodos pelas teorias de desenvolvimento. Seu interesse está na formulação de uma psicologia do adulto, não necessariamente o adulto não-escolarizado. Baseia seu trabalho na Teoria da Atividade, que vê o sujeito imerso em práticas culturais concretas, analisando o papel dos instrumentos simbólicos que estariam transformando sua mente. Nesse sentido, a escola deve ser vista como parte dessas práticas culturais, sendo o trabalho outro fator importante. Que tipo de inserção simbólica as práticas de trabalho exigem? Qual a relação da transcendência com a perspectiva de ativismo social, com a prática política, a atividade sindical, a prática religiosa não alienadora, a arte etc?

Em resumo, vem se dedicando ao estudo da vida adulta como estágio do ciclo de vida e o lugar do adulto como sujeitos da cultura. Seu projeto na FAPESP refere-se a políticas públicas e consiste em projeto interdisciplinar com grupo da Sociologia da Educação que vem estudando as relações entre educação e trabalho.  Entrevistas serão realizadas no contexto do projeto para a realização de estudos de caso de adultos para os quais as especificidades do contexto de trabalho conduzem a um desenvolvimento mental diferenciado. Por exemplo, sujeito com 7ª série e que trabalha com interpretaçao de mapas de meteorologia; sujeito que trabalha com marcenaria, filho de marceneiro e que teve formação específica no SENAC; familia, escola e trabalho se articulando na constituição da singularidade dos sujeitos. Julga importante discutir o conceito de “atividade”, preservando a consideração das práticas sociais como constitutivas da mente. Também se interessa em discutir a questão metodológica do acesso a esses temas, quando a relação entre a prática social e a subjetividade não se apresenta tão claramente quanto nos sujeitos selecionados para os estudos de caso.

 

 

Diva Maciel – Vem estudando os processos de co-construção de leitura e escrita, estando particularmente interessada, no momento, na participação da família em tais processos. Preocupa-se com os processos envolvendo crianças em fase de escolarização, bem como adultos pouco escolarizados. Preocupa-se também com o fato da aprendizagem da língua escrita permanecer fechada no contexto da sala de aula, com baixo grau de responsabilização social. As crianças são alfabetizadas, mas se tornam adultos que não gostam de ler nem escrever, sendo isso comum até mesmo entre os professores. Um ponto importante que gera preocupação e, portanto, precisa ser estudado é a relação escola-familia, e os problemas de interação entre essas duas instituições responsáveis pela educação da criança.

Afinal, qual a participação da família no processo de letramento? Quando a criança está aprendendo a ler, como a família participa disso? Quais as diferenças entre familias pouco ou mais escolarizadas nesse processo? O trabalho que desenvolveu recentemente foi realizado em escola pública do Plano Piloto, agregando crianças de famílias de baixa renda juntamente com classe media baixa. A investigação envolveu duas turmas de primeira série. As famílias concordaram em participar de situação estruturada na biblioteca da escola, consistindo de 20 minutos de atividade livre com revistas, papel, lápis, caneta. A expectativa era que houvesse interação em torno de uma atividade escolar semelhante a uma tarefa de casa. As sessões foram gravadas em vídeo e depois analisadas. Nesse estudo também foi possível identificar a preocupação dos pais com a questão da inteligência da criança e seu impacto sobre a possibilidade de aprender. Observou-se muita diretividade na condução da atividade, caracterizada por uma postura de comando, mas houve também maleabilidade na conduta das mães. Diva afirma que o estudo aponta aspectos que excedem ao que era o objetivo do estudo. Verifica que a criança tenta sobreviver utilizando estratégias especificas frente a uma realidade extremamente opressora e limitadora das condições de subjetivação e aprendizagem.

Sua questão principal é, como se desenvolve na criança o prazer de ler e como a família participa disso? Como lidar com questões que emergem no contexto da pesquisa e que não estavam previstas nos objetivos, embora tragam elementos importantes dos processos de significação que emergem no contexto da pesquisa?

 

 

Celeste Kelman – Vem trabalhando na educação especial já há bastante tempo, especialmente na educação de surdos. Em seu Mestrado analisou se a linguagem egocêntrica é universal, e como ela se manisfestaria nas crianças surdas. Em seu Doutorado vem se dedicando a estudar a mudança de paradigma que vem ocorrendo na educação de surdos, com a passagem da oralizaçao para a introdução da língua de sinais, especialmente a partir de 2002, com a institucionalização de Libras. Em seu trabalho, analisa o modelo atualmente implementado no DF – co-docência, duas professoras atuando em parceria - buscando identificar as estratégias interativas (comunicativas e metacomunicativas) utilizadas pelas professoras que podem estar na base do processo de uma verdadeira inclusão (ou não) dos surdos, no contexto da classe inclusiva. Tem verificado que muitas estratégias podem estar contribuindo para evitar a formação de guetos, e integrar os alunos com os demais, considerando o bem-estar da criança, sua auto-estima e motivação, o que pode favorecer, dentre outros resultados positivos, um bom desempenho acadêmico.

 

Ana Luiza Smolka – Seu projeto é abrangente, e une vários pesquisadores preocupados com questões referentes ao desenvolvimento e a educação presentes nas práticas sociais. O projeto busca compreender como se lidar com a produção do conhecimento e como este muda as práticas de transmissão do conhecimento. Envolve pesquisadoresde diferentes lugares, trabalhando com questões específicas, como por exemplo crianças, adolescentes, pessoas com diferentes tipos de dificiência sensorial, motora, mental. Analisa a escola como contexto e aqueles que estão dela excluídos. Em termos de desenvolvimento, o interesses é compreender como, nesse contexto de transformação, a ontogênese é afetada pela cultura, quais as marcas da cultura no organismo em nível microgenetico e histórico-cultural.

Existem vários modos de recortar e reconstruir objeto a partir de princípios metodológicos comuns. O objeto e a pergunta ajudam a desenhar os modos de investigação e as formas de dar conta dos dados. Crê ser necessário um esforço teórico do grupo no sentido de investigar o lugar da significação no referencial sociocultural. Entre os vários temas derivados da perspectiva sociocultural, a significação assume lugar nuclear – pérola de Vygotsky sobre o papel central dos processos de significação que interferem nos processos de desenvolvimento. Sublinha a importância de interlocutores para pensar a significação, mencionando Wertsch e seu conceito de mediação dos instrumentos, que nos permite pensar que haveriam situações onde não há mediação das significações. Fala de seu interesse pela questão da memória e como esta se situa na perspectiva dos estudos socioculturais, chamando a atenção para a  heterogeneidade da memória coletiva.

 

Angela Branco – Está interessada particularmente em analisar e discutir a ontogênese dos valores humanos, em termos de microgênese e dos contextos socioculturais (nível macro). Sublinha a necessidade de questionar conceitos sobre os quais se tem a impressão de um consenso, o qual nem sempre, porém, está presente. Sendo assim, aponta para a necessidade de discutir questões conceituais. Busca analisar o fenômeno da interdependência social e da motivação social, argumentando sobre o papel da dimensão social dos valores, profundamente carregados de emoção. Interessa discutir a emergência dos processos de significação, nas dimensões da linguagem e da motivação, os quais vão, pouco a pouco, constituindo a motivação social do sujeito, em termos de orientações para crenças e valores orientados para objetivos. Comenta que muitas vezes diferentes autores utilizam um vocabulario comum, apresentando preferências em termos de tradições e escolas de pensadores, e se pergunta se estão necessariamente falando a mesma coisa. Aponta para a contribuição de Ratner, mas critica algumas de suas idéias sobre a perspectiva cultural na psicologia. Este autor, apesar de valorizar o discurso de tensão entre o subjetivo e o cultural, acaba dando mais ênfase às atividades e práticas sociais do que ao sujeito da ação, os sujeitos das interações.

Afirma ser necessário discutir e superar as famosas dicotomias, dentre elas, entre os conceitos de ‘dicotomia versus dualidade’, ‘internalizaçao versus apropriação’, ‘significado versus sentido’. Julga importante que se estabeleçam pontes entre a perspectiva microgenética e o desenvolvimento ontogenético, ao longo dos vários contextos e ao longo do ciclo de vida. Pergunta que fatores podem estar efetivamente contribuindo com os processos de significação, e como esses processos vão se constituindo em crenças e valores que orientam a ação. Discute a questão teórico-conceitual da comunicação (processos dialógicos onde a microgênese opera) e da metacomunicação, que inclui recursos lingüísticos e não linguísticos, que vão além da narrativa. Uma questão importante seria: Como os contextos para a interpretação são configurados pela díades e se tornam parte integrante dos processos de co-construçao de significados específicos?

Argumenta que o objeto de estudo da psicologia são os processos de significação – por isso é necessário melhor definir esses conceitos. Nota como a noção de “conceito” precisa ser melhor investigada e quanto esta noção (ou construto teórico) mostrou desempenhar um papel central nas pesquisas empíricas realizadas, por exemplo, por Marilícia Palmierir (o conceito de “cooperação” entre professoras) e por Monica Pereira (o conceito de“criatividade”).

 

 

Ivone Oliveira  – Aborda a questão da dimensão afetiva na constituição da subjetividade. Explicita que o resumo apresentado originalmente estava muito geral, e que o resumo ampliado procura especificar um pouco melhor o que hoje vem investigando em relação ao tópico das emoções e dos afetos na perspectiva histórico-cultural. Tem interesse em investigar questões relativas a afetividade, e sustenta a idéia de que as emoções evoluem e são a base da constituição social da subjetividade. Acredita que desenvolver pesquisas empíricas é um grande desafio. Sugere alguns pontos de partida, como por exemplo, as relações entre memória e afeto; entre o sentido e o dizer sobre o sentido; a relação entre medo e brincadeira; e a relação entre emoção e afeto no jogo imaginário de crianças. Em seu trabalho verificou que as crianças brincavam remetendo a papéis sociais, os quais não casavam com as ações que acompanhavam a brincadeira. Comenta que em seu trabalho analisou o que as crianças tinham a dizer sobre o sentido, com base em transparências com figuras de personagens explicitamente expressando afetos. No momento atual, suas reflexões sobre o tema envolvem os professores e remetem à questão do desenvolvimento adulto. Refere-se a curso de extensão/pesquisa. Julga importante analisar o papel do afeto e da emoção nos processos ensino-aprendizagem. Tem encontrado formas de ampliar essa discussão introduzindo o trabalho de N. Elias: o sentido que a vida de um sujeito tem para si é o eco do significado que ele tem para os outros. Pretende, assim, investigar como é “isso de ser significativo para o outro” entre as crianças.

 

 

Marilicia Palmieri – Discute a questão dos padrões de desenvolvimento social no contexto da pré-escola e valores parentais. Durante Doutorado levantou dados sobre a escola e sobre a família (entrevista com casais) no que tange a motivações e valores em relaçao a cooperação, competição e individualismo. Para a tese, analisou dados relativos à sala de aula em dois contextos diferentes, da interação das professoras com as crianças e destas entre si. Os dados foram registrados em protocolo especifico e foram gravadas sessões em vídeo de situações estruturadas pelas professoras, que foram objeto de analise microgenética. Com relação à situação estruturada, pediu-se que cada professora que planejasse e implementasse uma atividade que promovesse, segundo a mesma, a “cooperação” entre as crianças. Entrevistas foram realizadas com as professoras a partir da discussão com elas sobre o vídeo produzido na situação estruturada.

No momento, vem estudando os dados referentes às crenças e valores parentais. Levanta  as dificuldades da analise microgénetica  em avançar a análise para além do nível das ações e do discurso imediatos, deixando de fora da análise a esfera do não-dito, o que aparece claramente na entrevista com as famílias. Apresenta como questão para discussão o “como avançar para além da análise microgenética” no estudo do desenvolvimento da motivação social.

 

Ana Paula Soares– Seu principal interesse no momento é a construção de sentidos sobre si no contexto da creche, através de um olhar a partir de projetos pedagógicos que promovem experiências da criança com ela mesma. Preocupa-se em como entender as relações  entre microgenese e ontogênese. Em seu Doutorado, buscou sair da perspectiva pré-determinista sobre a relação do sujeito com a criminadlidade, e buscou investigar os fatores que levam a pessoa a sair do crime. Vem procurando fazer um diálogo com autores construcionistas, e em sua tese realizou entrevistas visando o estabelecimento de diálogos com os participantes. Vem, junto com o grupo do CINDEDI, trabalhando com a construção da abordagem da “Rede de Significações”. O compromisso é compreender os sujeitos a partir dos processos interativos e a partir daí as mediações históricas e sociais. O individuo é sempre relacional, havendo aí uma radicalizaçao em termos de compreender que não existe outro espaço de compreensão  da subjetividade a não ser nas interações e no aqui-e-agora. Tem se dedicado a analisar e discutir os processos de subjetivação e conceitos como self, subjetividades, e dialogias na perspectiva da Rede.

Percebe entraves para a investigação nas discussões que ficam limitadas ao contexto de uma única entrevista. Como recuperar ali eventos de toda uma vida, e ainda reconstruir sentidos de vida, numa perspectiva de contunuidade/descontinuidade?

Decidiu, após o Doutorado, mudar de foco em relação ao tema da criminalidade e voltou-se para a temática da educação infantil. Sustenta a idéia de que, em contextos institucionais, toda ação é promotora de desenvolvimento, subjetivação. Pergunta-se qual o sentido de identidade que as instituições e seus atores adotam nas práticas promotoras de sentidos de si das crianças. Pretende trabalhar com escolas e seus projetos pensados para desenvolver a subjetividade no sentido de identidade. Algumas instituições apresentam projetos específicos nessa direção, distintos de outras atividades,  e em outras instituições, esse movimento de construção de sentidos de si vem misturado no contexto de outras atividades pedagógicas.

 

 

Edival Sebastião Teixeira – Em seu Doutorado, defendido em fevereiro, procurou investigar como a perspectiva histórico-cultural ajuda a sustentar propostas pedagógicas de ciclos de aprendizagem. É possível encontrar sustentação nessa perspectiva para a adoção de ciclos de aprendizagem? Sua resposta é que a teoria histórico-cultural ajusta-se melhor com a organização do ensino em ciclos do que em séries. No entanto, não acha que seja possível, ainda, estabelecer o tempo ótimo de um ciclo. Na volta do Doutorado inseriu-se em grupo que vem investigando o processo de expansão do sistema de ensino superior na região Sudoeste do Paraná (em torno de 460.000 habitantes), que, de três IES em 1999, saltou para 16 em 2001. Atualmente esse grupo estuda relações entre as políticas institucionais – dessas IES – para a formação/qualificação de seus docentes e a prática desses mesmos professores quanto ao ensino, à pesquisa e à extensão. Seu interesse nesse projeto é verificar relações entre as concepções de aprendizagem informadas pelos professores e a sua própria prática pedagógica, a partir da percepção de seus alunos acerca dessa prática. Em termos de projeto futuro, quer investigar que estratégias estudantes de graduação utilizam para compreender/elaborar conceitos e para construir aprendizagens. Atua como docente em curso de Administração e em programas de formação de professores.

 

 

Maria Claudia Lopes de Oliveira – Levanta pontos para orientar discussões à tarde: por exemplo, a necessidade de limpar a área em termos conceituais. É prematuro discutir-se pontos específicos ou mesmo planejar estratégias de publicação para o GT, sendo antes necessário consolidar o grupo como grupo, permitindo que apareçam aproximações entre os elementos do grupo. Acha fundamental identificar aspectos teórico-conceituais candentes e se pergunta: Qual o estilo de interação que permite promover o desenvolvimento do sujeito colaborativo, cooperativo, e ao mesmo tempo com iniciativa, autônomo?

Levanta a necessidade de se discutir sobre a relação entre microgênese e ontogênese, bem como a relação cultura-pessoa.

 

 

Após as apresentações abre-se uma discussão sobre o próprio titulo do GT: qual o conceito de desenvolvimento com o qual trabalhamos? Por que alguns adotam a denominação “sociocultural construtivismo”?  Qual o lugar do construtivismo – perspectiva que tem um corte fortemente piagetiano, e quais as vantagens e desvantagens de manter o construtivismo como parte da concepção? Por que o LABMIS  adota a denominação “sociocultural construtivista” e o pessoal de Campinas, a denominação “perspectiva sócio-historica”?

Outras questões a serem discutidas pelo grupo: relação teoria-empiria; critérios de qualidade da pesquisa qualitativa e outras apontadas no resumo de Smolka.

 

Tarde de quarta-feira

 

A discussão tem início com as coordenadoras apresentando ao GT os pontos que acreditam serem consensuais no grupo, pontos de acordo tácito no grupo, e que servem de eixo para os debates: (1) A busca da compreensão entre os diferentes olhares, e não de um consenso; (2) O pressuposto da constituição sócio-histórico-cultural da pessoa.

A partir daí, apresentam tópicos específicos para discussão:

 

- Relação cultura x sujeito/self/pessoa;

         Identidade, construção de si, autonomia, agente

         Praticas sócio-culturais ßà sujeito dialógico

- Processo de significação

         Emoção, afeto, linguagem, comunicação e metacomunicação;

Internalizaçao/apropriação – valores, conhecimento; sentido & significado; representações sociais e sentido;

      Conceito de desenvolvimento

 

Alguns dos pontos discutidos:

 

Ana Smolka discorrre sobre a gênese do ISCRAT (International Society for Cultural Research and Activity Theory) / SSCR  (Wertsch/ Pablo del Rio/ Amélia Alvarez) / ISCAR (International Society for Cultural and Activity Research) – Comenta que todas as siglas ISCRAT, SSCR, ISCAR, deixam de fora o “H” de histórico. A discussão se dá nas tensões entre as tendências culturalistas e historicistas. A perspectiva histórico-cultural, e o próprio conceito de atividade, têm uma marca evolucionária, mas o problema está em como se argumenta ou explica a passagem para a dimensão simbólica. Existe uma heterogeneidade na concepção de atividade e na forma de concebê-la. Para os teóricos da Atividade, em geral, a explicação se dá em termos do reflexo da realidade. Para os críticos da teoria da atividade, essa explicação pode remeter a uma visão mecanicista.

- Os teóricos da atividade acusam os HC de idealistas, porque não explicitam as bases materiais dos processos de significação; são considerados como representantes de um materialismo “light”.

- Leontiev , Davidov e os nórdicos: buscam a base teórica da analise da dimensão do pessoal da teoria da atividade. Outros grupos, compostos por Gergen, Schweder etc se intitulam representantes da psicologia cultural, mas alguns vem da antropologia, sem a marca materialista dialética.

- O momento atual do ISCAR: continua sem ter o histórico na sigla, mas já adere a uma perspectiva que contempla os processos histórico-evolucionistas. A discussão em torno da terminologia veio do Encontro de Genebra, desenvolveu-se em Campinas - Brasil (2000), e institucionalizou-se em Amsterdan (2002), com a proposta de encontros a cada 3 anos;

- Diferenças entre Vygotsky/Leontiev: Leontiev vai explicar a emergência da consciência com base nas noções de reflexo, complexificação e transformação. Vygotsky preza a base material do comportamento mas discute a noção de consciência e “reflexividade” (subjetividade?) como um reflexo da realidade; compreender como se constitui a subjetividade é questão importante. Afinal, como se produz a possibilidade da significação? O que acontece no nível relacional tem uma materialidade, mas uma materialidade simbólica (isso nos leva a pensar, por exemplo, nos conceitos de concreto e abstrato em Marx). Essa é uma das questões mais difíceis que demanda ainda muito estudo e elaboração.

Angela pontua que a presença do termo social remete à dimensão do outro e da emoção. Ana Smolka afirma que a grande questão de Vygotsky é como o sujeito se constitui a partir das relações sociais; como critica o mito da dissolução dos sujeitos no social, enfatizando como os sujeitos se singularizam na trama das relações sociais.

Ana Paula estabelece em seguida um diálogo com a critica de Diva à visão de sujeito pelo construcionismo: afinal, existem vários construcionismos e várias noções de sujeito. Gergen se orienta para a psicologia discursiva, e não se envolve nas questões de desenvolvimento. Shotter e Harré têm apoio em Vygotsky, e já pensam o sujeito fornecendo elementos para pensar o desenvolvimento. Já o pós-construcionismo se interessa teoricamente pelas relações ator-rede.

Marta afirma que as noções de atividade/ação situada/ação em contexto consistem em algo importante a ser considerado nas análises, e não podem ser desprezadas. Angela retoma a questão da utilização do termo construtivismo, afirmando que este se justifica pelo fato do sujeito ativo se constituir através de uma trajetória singular. Claramente, sua trajetória seria única mesmo que ele fosse “passivo”, porém o sujeito é especialmente ativo em sua motivação, em sua vontade subjetiva, nas variadas dimensões que passam pelo eixo da emoção. Marta, por sua vez, afirma que a história do termo “construtivismo”, vindo da psicogênese, acaba por contaminar o seu sentido, mesmo que se tenha claro o papel do sujeito ativo que o termo construtivismo implica.

Angela recorre a discussão do grupo (GT) anterior, onde se discutia o tema da autonomia, diante da admissão da idéia de constituição histórico-cultural da pessoa. Ressalta a necessidade de se rever e discutir o conceito de autonomia. Refere-se a distinção que deve ser feita entre dualidade e dicotomia. O conceito de dualidade contrasta com o conceito de de fusão, e implica numa dialética entre o sujeito singular e o contexto da cultura; implica também na afirmação do espaço da pessoa  contextualizada, em termos da noção de “separação inclusiva” proposta por Valsiner e Cairns. Já a noção de dicotomia  é definitivamente problemática, na medida em que o sujeito é visto como separado da dimensão do social.

Ana Paula considera que Clotilde defende um sujeito mais determinado socialmente do que ela própria concebe. Diz que Kátia discute identidade a partir de Harré;  dois objetos idênticos  não são o mesmo objeto. Aponta para a confusão muitas vezes feita entre a utilização de termos como eu/self/singularidade.

Angela, Diva e Ana Cecília argumentam que o aparato biológico do ser humano existe e é importante também considerá-lo, mesmo adotando-se uma perspectiva sociocultural. O bebê ao nascer tem singularidades que precisam ser levadas em conta; afinal, nem tudo se resume puramente no fator sociocultural. Não há como negar esse substrato biológico, mas o grupo concorda que isso não é o fundamental para a compreensão do desenvolvimento humano.

Ana Paula sugere que se discuta a questão: self ou subjetividade? Autores foucaultianos, por exemplo, fazem separaçao entre subjetividade, individualidade e singularidade. Já os manuais de psicologia do desenvolvimento tem forte orientação piagetiana. Discute que só é possível se falar de self quando surge a noção de eu. Faz referência a Michael Lewis e o seu conceito de self experiencial. O conceito de self também é empregado por Fogel e, no Brasil, por Maria Lyra. Ambos destacam a questão do self no bebê, e tanto Hermans como Fogel fazem referência ao “dialogical self”.

Para Harré, continua, o self é visto enquanto ficção retórica (ver livro Singular Self). Na realidade, existe uma grande confusão relativa ao conceito de self. Existiriam  três conceitos de self: o self corporal; o self 2, relativo ao autoconceito; e o self 3, relacionado a como cada um se constitui na relaçao com o outro. Daí a necessidade de que seja analisada em termos contextuais e históricos a própria concepção de self.

Ana Smolka refere-se, então, a Massimo Canevacci  e a Dialética do Individuo. Fala da facilidade com que se confunde, muitas vezes, o desenvolvimento infantil e a constituição do sujeito, pois estes não são, necessariamente, os mesmos processos.

Angela pergunta à Ana Paula como ela articula a noção de subjetividade com a noção de self dialógico com a qual vem trabalhando, inspirada nas idéias de Hermans. Sugere que Ana Paula discuta a relação entre subjetividade e história. Ivone intervém perguntando se há consenso no grupo sobre a visão de que há uma base sócio-histórico-cultural da formação da subjetividade. Ela estabelece uma relação entre história individual e historia social, ressaltando a questão do signo e dos processos de significação.

Celeste aponta apossibilidade efetiva de extrapolar o conceito de self de Fogel, uma vez que ele pesquisou apenas o self do bebê na relação com a mãe. Sugere Ivana Markova e Lotman como referências interessantes.

Ana Luiza aborda a questão da emergência do conceito de self; sua origem numa perspectiva individual. Falar do self pode orientar  o pensamento a um recorte individualista. Refere-se a Damazio, e às noções de self,e  protoself – consciente. Ana Luiza prefere falar do sujeito, enquanto Vygotsky fala em individuo e pessoa. Ela busca apoio nas perspectivas de Vygotsky e Bakhtin. O importante é a preservação do sujeito não diluído no social – Bakhtin. Reflete sobre Vygotsky e os modos individuais de participação dos sujeitos nas práticas sociais – especialmente a linguagem. O self seria a instância, não nomeada, mas sentida; quando ele se torna falado, torna-se subjetividade, torna-se histórico; o sujeito se torna histórico por meio da linguagem. Ana Luiza refere-se a Emile Benveniste, lingüista que se interessa pela subjetividade expressa na linguagem; afirma que a linguagem não e instrumento; reflete sobre a teoria enunciativa da linguagem da perspectiva do sujeito (Bakhtin).

Vygotsky, no manuscrito de 1929, já coloca o sujeito em si e para si e a importância da atividade reflexiva, posição profundamente hegeliana. Segue refletindo sobre Foucault e Bakhtin – noções de sujeito diferentes, mas que podem se articular na medida que Foucault volta o olhar para as práticas cotidianas onde se produzem os micropoderes, aspecto não tematizado por Vygotsky.

Processos de significação: o processo de constituição de sentidos é dinâmico, aberto, não há controle possível sobre os significados que se produzem no contexto social; ao mesmo tempo, há algo em comum entre todos eles (significado). No mesmo momento histórico no qual Foucault falava de micropoderes e sociedade disciplinar, Goffman falava de instituições totais e Deleuze de sociedade de controle, que impõem um modelo de ordem social sobre o sujeito de uma forma difícil de se escapar.

Ana Paula afirma que a questão sobre a discussão do sujeito  tem sido muito teórica, epistemológica e pouco prática. Marilicia se refere à questão da identidade na perspectiva histórico-social e aos trabalhos realizados no contexto da psicologia social da PUC (Silvia Lane, Ciampa, etc), os quais estariam separando identidade e afetividade.

 

Quinta-feira (manhã) 

 

Procedeu-se, inicialmente, a distribuição de material trazido para divulgação da produção intelectual dos membros do grupo, como por exemplo artigos publicados recentemente por cada um e que expressam as idéias recentes de cada componente do GT.

Marta retoma a discussão sobre como a inserção de sujeitos em determinadas práticas sociais resulta na formação do psiquismo. Fala das categorias de compreensão de mundo surgidas a partir da imersão em práticas específicas. Cita Tulviste e a possibilidade de fazer um catálogo de atividades práticas culturais, relacionando isto com o modelo utilizado pela biologia com relação ao estudo das formas vivas.

Angela retoma a discussão da riqueza da possibilidade de trazer todo um conjunto de experiências alternativas para dentro da escola, de modo a contribuir para que a escola saia da inércia. Ana Cecília discute o enriquecimento da atividade profissional do educador, quando ele traz essas experiências alternativas realizadas na comunidade para dentro da escola. Ana Paula fala da dificuldade de lidar com o discurso que os professores tem,  e com uma prática não baseada na negociação de possibilidades de significação, já que a negociação de sentidos/significados é intrinsecamente relacionados a prática. Pergunta como, numa situação particular, é possível descolar o significado do sentido?

Ana Luiza argumenta que o trabalho de Vygotsky é heterogêneo, e não define bem as distinções entre signo, significado e significação. Focar somente na distinção que Vygotsky faz entre sentido e significado é simplificar a discussão. Ela e Pino têm trabalhado com o conceito de significação como produção de signos e sentidos. Ler a visão de significado de Vygotsky como a de Saussure é um erro. No modo de conceber o processo de significação, Vygotsky está muito mais próximo das idéias de Peirce.

O significado também é dinâmico e acontecente, o que vai produzindo estabilidade, criando materialidade simbólica, são as práticas sociais; o conceito é um modo de funcionamento da linguagem e dos processos de significação. A produção de signos e sentidos nos remete aos processos de significação, que por sua vez remetem aos diferentes momentos da história da língua presentes em cada evento particular de significação.

Angela enfatiza o papel importante da comunicação nos processos de estabilização dos sentidos negociados. Ana Luiza fala da necessidade de compreender melhor os processos de comunicação e da necessidade de se pensar a estabilização como base para a compreensão. Ivone  remete a visao de  compreensão de Bakhtin. Maria Cláudia diz que a comunicação raramente se dá em condições isonômicas de enunciação entre interlocutores o que torna a comunicação uma arena ideológica.

Marilicia fala da necessidade de analisar as relações entre processos de significação e de atribuição de significados. Edival pergunta: é o signo sempre uma produção coletiva, relacional? Não é possível se pensar em signos individuais?

Ana Paula argumenta que não é preciso haver um outro “face-a-face”  para que se fale do “social”. O princípio da dialogia ajuda a estabelecer que o signo é sempre social e envolve o outro sempre, mesmo sem que este esteja presente. Marta afirma que o signo tem sempre potencial de compartilhamento e fala da intenção comunicativa de quem produz e a intenção interpretativa de quem tem acesso a esta produção.

 

Planejamento das atividades futuras do grupo:

 

Reunião de SBP – Ribeirão Preto (26 a 29 de outubro)

1)     Proposta de Angela – Mesa Redonda sobre Processos de Significação (3 apresentaçoes + debatedor): Clotilde, Ana Luiza, Angela e Pino;

2)     Marta – Mesa Redonda ou Simpósio  sobre Práticas Sociais e Desenvolvimento Humano: Marta, Ana Luiza, Ana Paula, Maria Claudia;

3)     Sessão Coordenada sobre Metodologia Qualitativa na Perspectiva Histórico-Cultural (até 06 pessoas): a proponente seria Diva e os participantes, Celeste, Edival, Marilicia, aluno de Marta, e aluno da UnB, por exemplo.

4)     Reunião do GT durante a Reunião da SBP, visando a discussão dos textos previamente apresentados. 

 

Possibilidade de participação em futuros eventos:

 

- Encontro da JUBRA – outubro de 2004 - Rio de Janeiro/RJ

- Encontro N/NE de Psicologia – maio de 2005 - Salvador/BA

- Encontro ISCAR 2005 – setembro de 2005 – Sevilha/Espanha

 

Os membros do GT que estiveram efetivamente presentes durante o X Simpósio foram: Angela Branco; Ana Luiza Smolka; Ana Cecília Bastos; Ana Paula Soares; Celeste Kelman; Diva Maciel; Edival Teixeira; Ivone Oliveira; Maria Claudia Lopes de Oliveira; Marilicia Palmieri e Martha Kohl.

 

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