Mesas Redondas

 

CONFERÊNCIA - MARITZA MONTEIRO

UM POUCO DA HISTÓRIA DO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM PSICOLOGIA DA PUC-RIO

TRATAMENTOS EM GRUPO NA CLÍNICA-ESCOLA DO IP/UFRJ


 

 


 

CONFERÊNCIA - MARITZA MONTEIRO

 

Conferência apresentada no
X Simpósio da
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia. 
Aracruz, Espirito Santo, Brasil. 24 aos 29 de Maio de 2004

25 de Maio de 2004

 

Na América Latina os estudos de pós-graduação em psicologia oscilam entre o avançado desenvolvimento em certas áreas da disciplina e o total subdesenvolvimento e ainda ausência em outras. Certas nações deste Continente têm cursos reconhecidos por sua eficiência e pela boa formação que oferecem a seus formandos ao ponto de atrair alunos provenientes de outros países da região e ainda do subcontinente do Norte e da Europa (a PUC do Santiago do Chile, por exemplo), outras carecem deste nível de estudos ou oferecem esporádicos cursos de pós-graduação genéricos que duram o tempo que se demora para graduar a primeira e única turma. Mas é necessário reconhecer que isto não é um rasgo presente unicamente em nossos países. O mesmo acontece no resto do mundo, onde ao lado de instituições com alto grau de desenvolvimento e qualidade, podem existir regiões e universidades de muito menor desenvolvimento.

E o baixo desenvolvimento na educação de quarto nível costuma coincidir com a ausência ou escassez de centros de investigação no campo disciplinar. Com efeito, parece ser uma constante que onde não se desenvolve a investigação científica como uma prática tão acadêmica como ligada ao desenvolvimento nacional dos países, costuma-se encontrar um baixo e lento desenvolvimento de cursos de pós-graduação.

Estudos de pós-graduação, investigação e rotação do conhecimento

Essas disparidades supõem migrações internas das regiões desprovidas para aquelas que oferecem estudos superiores e também desde as de menor para as de maior qualidade, especialização e prestígio. Mas também é freqüente a migração externa para reconhecidos centros externos de produção de conhecimento. Sobre tudo nos níveis doutorais e de pós-doutoramento. De fato, o surgimento e desenvolvimento tanto de muitos centros de investigação como de cursos de pós-graduação pode ter sua origem neste segundo tipo de migração, que pode dar lugar a iniciativas promovidas por indivíduos, ao invés de em políticas de educação superior programadas pelo Estado ou por instituições acadêmicas específicas. De fato, uma combinação de ambas as fontes é freqüente.

O intercâmbio com centros de estudos de pós-graduação e de investigação de outros países tanto de docentes e investigadores, como de estudantes, é desejável e enriquecedor, pois permite o que às vezes se qualificou de “fertilização cruzada”. Quer dizer, coloca às pessoas, tão receptoras de conhecimentos, como comunicadoras deles, diante de situações distintas que estimulam a problematização e a formulação de hipóteses, como também a geração de novas vias para o estudo dos problemas já expostos ou de outros novos. E além disso, ampliam o horizonte cognitivo e geram novas experiências. Em tal sentido, o contato interinstitucional deveria ser uma possibilidade ao alcance não só dos investigadores, mas também também dos estudantes de pós-graduação.

Este tipo de intercâmbio é caro se se trata de enviar os estudantes fora, até por períodos curtos, mas é possível reduzir o impacto econômico se se criarem programas de professores visitantes dentro do marco de convênios interuniversitarios; segundo os quais professores especialistas se transferem por períodos variáveis, que podem ser tão curtos como duas semanas e tão compridos como um semestre e até um ano. Estas visitas têm a vantagem de que favorecem a todos os estudantes de um ou mas cursos de pós-graduação, e inclusive de várias universidades no país receptor.

Quanto à mobilização de estudantes, ela se facilita igualmente nos casos nos quais há convênios interuniversitarios, pois em tais casos o país ou região que envia provê passagens e gastos de manutenção e a região ou país receptores podem prover alojamento e a inserção do estudante não só em um curso de pós-graduação equivalente ao que cursa em seu país de origem, mas também além em um centro de investigação onde pode trabalhar com investigadores ou com equipes de investigação altamente especializados, o qual pode lhe dar uma valiosa experiência e avançar sua própria investigação de tese. Na América Latina não dispomos de programas de rotação de estudantes universitários, tanto no nível de graduação como no de pós-graduação, como os que criou a União Européia e que permitiram compartilhar recursos docentes e de investigação, de uma vez que ampliam o horizonte cultural dos beneficiários. E a prática das chamadas bolsas sandwiche, com as quais os estudantes de Doutorado podem fazer até um ano de estudos e de investigação em uma instituição acadêmica de outro país, mediante convênio previamente estabelecido, é uma exceção e não uma regra. A causa principal da raridade de tais convênios reside nas dificuldades econômicas que afligem à maioria das Universidades latino-americanas; a qual a sua vez deriva da miopia dos governos da região que privilegia quase qualquer outro gasto público, com deterioração da educação. Ou da hipermetropia de alguns desses governos, que lhes leva novamente a privilegiar gastos destinados ao suposto lucro de modelos fomentados externamente, negando no presente a possibilidade de desenvolvimento educativo da população, que é fundamental para toda transformação democrática.

Por uma União Pan-americana de Investigação e Estudos do Pós-graduação

A idéia de um programa continental de rotação de docentes e estudantes poderia ser viável na América Latina iniciando-se como um programa piloto no nível das pós-graduações vinculadas à formação de investigadores e de geração de conhecimentos como produto da investigação científica.. Isto é, Mestrados e Doutorados. O vínculo que poderia permitir a rotação de estudantes poderia ser a existência de linhas de investigação compartilhadas. Quer dizer, o centro motivador do deslocamento seria a produção de conhecimento e não a mera obtenção de um título. Em minha experiência como docente de pós-graduação nos seguintes países latino-americanos: Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Porto Rico e Uruguai, encontrei que em áreas tais como a psicologia social, a psicologia política, a psicologia comunitária, a psicologia da saúde ou sanitária, a psicologia escolar e educativa, a psicologia ambiental e a psicologia clínica, há uma multiplicidade de linhas de investigação concorrentes. O mesmo ocorre com os estudos centrados em aspectos organizacionais enfocados de uma perspectiva sistêmica. Do mesmo modo, os estudos sobre aspectos ontológicos e epistemológicos da psicologia; sobre identidades sociais; sobre ideologia; sobre análise de discurso político: sobre lideranças (políticas, empresariais, comunitários, grupais em geral); sobre organização e desenvolvimento comunitário; sobre aspectos urbanos e do meio ambiente, entre muitos outros, floresceram paralelamente em nossa a América. Estabelecer vínculos docentes e estudiantis entre os centros de investigação onde eles se levam a cabo, quase sempre estreitamente ligados ou próximos às pós-graduações, fortaleceria essas investigações e enriqueceria a essas pós-graduações.

Mas além disso seria uma fonte de assessores e de orientadores de tese que beneficiaria países onde ainda não se desenvolveram sistemas de pós-graduação permanentes e sólidos; permitindo incorporar-se a tais convênios e abrindo um campo para a atualização de conhecimentos e para a formação de investigadores que poderiam desenvolver simultaneamente investigação e pós-graduação em seus países. Em tais casos se poderia fazer com que organismos internacionais pan-americanos custeassem um número de bolsas que beneficiassem aos países com menor desenvolvimento no campo da investigação e dos estudos de pós-graduação; fortalecendo ao mesmo tempo os sistemas de geração e transmissão de conhecimento nos países receptores. Para isso caberia gerar um sistema de fomento e assessoramento que poderia auspiciar a geração de pós-graduações nas áreas mas desprovidas delas a partir dos seguintes objetivos que enlaçam os estudos de pós-graduaçãos à investigação:

·  Melhorar e atualizar o conhecimento dos profissionais formados das Escolas ou Faculdades de Psicologia.

·  Contribuir à formação de novos recursos acadêmicos e de investigadores especializados.

·  Contribuir à produção de novos conhecimentos e de novos modos de conhecer, ao fortalecer a investigação psicológica e gerar centros de reflexão e produção de saber psicológico que responda às necessidades de cada país.

Estes três objetivos podem e devem estar interconectados, pois se o segundo e o terceiro se levam a cabo, o primeiro se verá beneficiado por eles, já que ao haver melhores docentes e mais e melhores investigadores, produzirá-se conhecimento que responda aos problemas da sociedade, haverá mais oportunidades de manter em dia a informação científica dirigida, tanto a que se produz no país como a que se dirige serão não só transmitidas e divulgadas, mas sim o serão de maneira mas didática e eficiente. Entretanto, não sempre esses objetivos se alcançam a plenitude, pois contra eles conspiram alguns fatores, tais como:

·  A criação cuidadosa de cursos de pós-graduação em função de circunstâncias transitivas, de interesses individuais ou de objetivos afastados das circunstâncias socioculturales e do grau de formação e necessidades da população profissional que deveria cursá-los.

·  A debilidade de muitos cursos, expressa na impossibilidade de receber uma nova turma a cada ano, devido à carência de docentes suficientes ou à falta de demanda. Incapacidade de abri-los em outros casos devido à escassez de recursos materiais e financeiros.

·  A baixa capacidade de resposta quanto ao conteúdo essencial dos cursos de pós-graduação que se oferecem, por falta de pertinência social ou científica.

·       A dificuldade para ter um corpo docente integrado por pessoas com a adequada formação de quarto nível, ou porque não necessariamente quem a forma estão capacitadas para a docencia.

·       A dificuldade para recrutar e conservar às pessoas com a formação adequada devido às condições pouco atrativas de salário e de trabalho.

·         Falta de correspondência entre a temática e objetivos dos cursos de pós-graduação e as demandas que requer o grau de desenvolvimento social do país e as necessidades de sua população; o qual em muitos casos pode estar relacionado com a formação recebida em âmbitos alheios à realidade dos países latino-americanos, que formam a quão profissionais para obter graus de quarto nível, migram para eles sem ter desenvolvido ainda com claridade uma razão para fazê-la, mais à frente do desejo de obter um título de prestígio. Tais pessoas retornam sabendo muito de algo importante para um centro de saber externo e se convertem em repetidores de dito saber, mais que em geradores de saber relacionado com os problemas de seus países.

Isto levou a que o início da formação de estudos de pós-graduação em psicologia em alguns países latino-americanos tenha sido irregular. Quer dizer, que houve abertura de cursos genéricos, derivada em primeiro lugar da necessidade de melhorar o status acadêmico dos docentes universitários, e muito menos pela necessidade de produzir conhecimento mediante o auspício da investigação científica e a formação de investigadores. Também houve casos de “falsos Isto arranques significa que surgem cursos de pós-graduação com uma ou duas turmas, que produzem alguns Mestres ou Doutores e que logo adoecem chegando a desaparecer. As causas podem residir no que foi anteriormente exposto ou na baixa demanda subseqüente, que não permite custear a manutenção do Curso e que de fato o torna desnecessário. Além disso, a estrutura do currículo pode ser um fator fundamental nesse fenômeno. Pós-graduações mal estruturadas, com ênfase teórica e sem atualização prática, ou viceversa, com prática sem reflexão teórica; com disciplinas desconexas que não preparam para a elaboração do trabalho de tese, usualmente têm um número baixo de formandos.

A geração na América Latina de um sistema internacional de pós-graduação que desenvolva uma rede de estudos de quarto nível conectada a centros de investigação com bom nível de desenvolvimento, onde se estejam gerando e divulgando conhecimentos específicos poderia levar a uma transformação educativa em nossa parte do continente que de uma vez que melhore e desenvolva ambas as áreas (pós-graduação e investigação) nos diferentes países da região; contribua para a diversidade e a sistematização, para a produção de conhecimentos úteis para a região.

Condições básicas para a geração de 
pós-gradua-ções vinculadas à investigação científica

A situação ideal para os estudos de pós-graduação parece ser uma combinação de fatores sociais, institucionais e individuais. Isto é, disposição e condições das instâncias nacionais, das instituições acadêmicas e de pessoas capacitadas e motivadas, para gerar um sistema de pós-graduação que atenda aos seguintes níveis de complexidade:

·  Atualização do conhecimento. Quer dizer cursos que permitam informar aos profissionais formados dos avanços em aspectos muito específicos de sua disciplina.

·    Especialização profissional em áreas particulares de uma disciplina, de tal maneira que haja profissionais altamente capacitados em campos específicos do conhecimento ou em aspectos necessários para a solução de problemas sociais ou psicológicos em uma região ou em um país, mediante a aplicação de conhecimentos qualificados e a geração de técnicas ad hoc.

·   Formação de investigadores que possam gerar novo conhecimento que produza soluções aos problemas da região ou do país; que responda a interrogantes científicas e que gere novas perguntas, submetendo a crítica o conhecimento existente a fim de corrigi-lo e fazê-lo cada vez mais socialmente pertinente.

Ainda no pressuposto de que os anteriores requisitos se cumpram, é necessário saber que na América Latina, como em outros lugares do mundo, é difícil manter as condições ótimas para o funcionamento de cursos de pós-graduação que transmitam conhecimentos de alta qualidade e nos quais se gere novo conhecimento. Essas condições são:

1.     A existência de uma política de pós-graduação de caráter nacional, que permita criar e sustentar um sistema nacional de pós-graduação, coerente quanto a sua razão social e científica.

2.     Existência de um sistema inter institucional de pós-graduação, coerente com os esboços do sistema nacional, que seja gerenciado eficientemente e que promova o desenvolvimento e manutenção dos cursos que o integram e a produção e divulgação de conhecimento.

3.     Prover os recursos financeiros e administrativos básicos para a manutenção destes cursos.

4.     Existência de um corpo docente bem formado que possa atender às necessidades de cada curso de pós-graduação e que esteja composto por pessoas com experiência em investigação científica, cujos produtos estejam publicados e possam ser estudados, consultados e discutidos pelos estudantes.

5.     Existência de um Centro de Informação e Documentação em cada sistema de pós-graduação intrainstitucional, onde os estudantes contem com acesso a informação atualizada de alto nível.

6.     Existência de uma estrutura física adequada quanto a salas-de-aula, laboratórios (se for o caso) e espaço para discussão.

7.                  Correspondência entre estudos de pós-graduação e de graduação quanto às áreas de conhecimento que desenvolvem, de tal maneira que se garanta a demanda de ditos cursos e tenha sentido sua abertura, e que além disso dê aos estudantes as bases teóricas e metodológicas da disciplina que lhes permitam logo realizar um trabalho mais avançado, mais complexo, mais profundo e produzir novo conhecimento.

As relações entre investigação e
estudos de pós-graduação no nível nacional.

É necessário ter em conta que a relação entre investigação e estudos de pós-graduação varia segundo o tipo de pós-graduação que se queira e se possa desenvolver em um país ou em uma região. Assim, cursos de atualização dos conhecimentos recebidos nos cursos de graduação (Licenciaturas em alguns lugares da América), não supõem a inclusão de investigação. Usualmente são avaliados mediante exames ou a apresentação de trabalhos monográficos, ou a elaboração de uma revisão bibliográfica da produção havida em relação com algum conceito, algum processo psicológico ou alguma teoria; quer dizer, o que se está acostumado a chamar nos países anglo-saxões “state of the art”; artigos sobre o estado da disciplina em relação ao tema tratado, para o momento em que se realiza dito trabalho.

 Muitos estudos de pós-graduação em nossa a América são iniciados com a criação deste tipo de cursos, pois embora o conhecimento difundido pode ser de alta qualidade, são menos exigentes no sentido de que não requerem laboratórios, ou o tempo e recursos que são necessários para desenvolver investigações. Os títulos outorgados são variados e possivelmente o aspecto comum a todos é a denominação genérica de pós-graduação, que pode ou não incluir a palavra especialização, assinalando a seguir a área da psicologia predominante nos conhecimentos transmitidos. Este tipo de pós-graduação não está dirigido à produção de novos conhecimento; não capacita para investigar em nenhuma tarefa que ultrapasse a busca de fontes e a investigação de documentos. Seu objetivo é pôr em dia aos profissionais em alguma área particular da psicologia e cumprem a função social e acadêmica de transmitir conhecimentos.

Para obter uma relação produtiva e enriquecedora do saber entre estudos de pós-graduação e investigação é necessário então contar com cursos de pós-graduação que de uma vez que aprofundam no conhecimento de temas específicos, produzam investigação sobre os mesmos. Tal trabalho tem ao menos dois graus nos estudos de quarto nível na América Latina: os cursos de Especialização com orientação para o desenvolvimento de novas formas de aplicação e o desenvolvimento técnico e, os cursos de Mestrado e de Doutorado. Os primeiros estão centrados em um objeto específico de conhecimento e na aplicação e desenvolvimento de técnicas e procedimentos para a solução de problemas para o fomento de bem-estar psicológico. A formação que dão pretende transformar profissionais genéricos em profissionais específicos, capazes de desenvolver técnicas renovadoras e úteis no exercício especializado da psicologia. Em tal sentido, os especialistas devem ser capazes de abordar metodologicamente a solução de problemas; o que também se torna necessário para construir, aplicar e avaliar técnicas.

Em alguns países o início da educação de quarto nível se baseia na combinação de cursos de Extensão ou Atualização com cursos de Especialização e essa combinação é o que se está acostumado a chamar genericamente, Pós-graduação em Psicologia.

A relação de uma vez mais estreita e mais ampla entre pós-graduação e investigação se obtém nos cursos de Mestrado e de Doutorado. É mais estreita porque neles o trabalho de investigação deve ser inerente aos estudos que se realizam. E é mais ampla porque os modos de investigar se multiplicam já sua vez fortalecem e desenvolvem os existentes, de uma vez que podem gerar novos métodos e técnicas. Pode dizer-se que a formação de investigadores se inicia nestas duas instâncias do pós-graduação, embora naquelas Instituições de Educação Superior onde existe a tesinha ou tese de Licenciatura para obter o título profissional, ela constitui em muitos casos a primeira experiência de investigação para os estudantes, que também para muitos deles e elas está acostumadas ser a única e última; mas que em honrosos casos pode gerar o interesse por uma carreira científica. A fugacidade dessa experiência faz que para a maior parte das pessoas sejam os Mestrados o primeiro momento de capacitação para a investigação sistemática e científica, se é que não se recebeu instrução prática ao trabalhar em centros de investigação, os quais a sua vez revistam exigir o Mestrado e o Doutorado como condição sine qua non para avançar nos mesmos, ou para ingressar neles

Em alguns países da América Latina se centra nas Mestrados o peso da capacitação metodológica para a investigação e em uma boa parte deles se condiciona o ingresso aos Doutorados ao ter obtido o título do Mestre. Mas esta não é uma norma generalizada. É mais freqüente que não haja essa relação de formação em investigação prévia e que os Doutorados aceitem profissionais sem nenhum tipo de pós-graduação prévia e inclusive sem experiência em investigação. Em tais casos os programas doutorais deveriam ver-se obrigados a introduzir disciplinas metodológicas a fim de suprir a formação da qual carecem os doutorandos.

Quando no sistema de pós-graduação gerado pela instituição se estabelece a necessidade de ter o grau do Mestre como requisito prévio ao Doutorado, os programas de Mestrado deveriam enfatizar os aspectos metodológicos que capacitarão os alunos a levar a cabo uma investigação sistemática para realizar sua tese. Em tais casos, o Doutorado só receberá a aquelas pessoas que só tenham sorte formação, embora tal normatização em muitos casos é complementada pela possibilidade de receber a pessoas que tenham levado a cabo investigações científicas durante um certo número de anos, demonstrado pelo número de publicações e relatórios técnicos derivados das mesmas.

Sobre este ponto é necessário dizer que embora por uma parte, em muitos países latino-americanos os estudos de pós-graduação começaram como parte da iniciativa de centros acadêmicos; por outra, surgiram como uma política de Estado lhe tenda a capacitar cada vez mais aos docentes e profissionais do país, também se produziu em países como o Brasil, Chile, México, Porto Rico e Venezuela movimentos institucionalizadores do ensino de pós-graduação e do fomento da investigação no campo da psicologia que conduziram à geração de sistemas de estudos de pós-graduação intrainstitucionales e interinstituciones acadêmicas. Isto é: por uma parte as instituições estatais encarregadas da educação geraram organismos encarregados de regular, definir de maneira geral os diferentes tipos de pós-graduação que se deseja fomentar, e fiscalizar as condições básicas para o funcionamento dos pós-graduaçãos. E a sua vez, as principais instituições acadêmicas desses países que oferecem ditos estudos geraram sistemas de pós-graduação que de uma vez que seguem os esboços gerais oficiais, complementam-nos com regulamentos internos que obedecem a uma lógica na qual os objetivos do ensino oferecido por cada nível de pós-graduação tendem a complementar-se, lhe dando coerência a ditos estudos.

Tipos de pós-graduação e relação com a investigação

Nos países com sistemas de pós-graduação, estes estudos seguem duas tendências básicas: 1) pós-graduaçãos com programas “fechados”, quer dizer aqueles que respondem a um planejamento na qual as disciplinas dos pensa de estudo estão predeterminadas, embora se introduz um certo número de créditos para as chamadas disciplinas optativas e eletivas, o qual flexibiliza o plano de estudos e permite que os estudantes possam tomar algumas que estão mais perto de seu tema de estudo. Tema este que para as Mestrados e os Doutorados se está acostumado a centrar na investigação de tese ou na área problemática que conduzirá a dita investigação. Neste tipo de programa se trata de guiar aos estudantes para a formulação de problemas de investigação dentro de certas linhas igualmente pre-determinadas, existentes em ditos cursos. E se não houver tais linhas, procura-se obter, mediante atividades dirigidas, que os estudantes formulem seus problemas e projetos de investigação de tese o mais breve possível (inclusive se dão prazos dentro dos quais tal coisa deve ocorrer).

 2) pós-graduações individualizadas nas quais tudo gira em torno da investigação do ou a lhe cursem e embora existe um plano básico para esses estudos, só estabelece previamente os tipos de atividade que devem realizar-se, e o número de cada uma delas, assim como o número de unidades acadêmicas (créditos) que lhes corresponderá e que deverão ser cursados por todo aspirante a obter o grau correspondente.

A adoção de um ou outro modelo está influenciada por fatores culturais e econômicos. Os pós-graduaçãos de pensum “fechado”, com disciplinas preestabelecidas (que podem estar muito bem pensadas e ser excelentes) são mais fáceis de administrar e permitem conseguir com mas facilidade tutores ou diretores de tese e portanto, na medida em que oferecem um plano pre-estabelecido, liberam o estudante das decisões e diminuem suas responsabilidades. E em tal sentido permitem também ter coortes de majores dimensione e receber mais ganhos. Os pós-graduaçãos de tipo tutorial exigem, como seu nome o indica, uma maior atenção ao estudante, uma relação mais estreita entre eles e seus tutores, com uma carga maior para ambos e pela mesma razão, menor possibilidade de atender a mas estudantes. De uma vez isto se compensa com o compromisso, atividade e responsabilidade dos cursantes; assim como com a possibilidade para eles de gerar novas linhas de investigação.

Ideia para tornar mais efetiva a relação entre
 investigação e estudos de pós-graduação: 
o que nos ensinam os modelos desenvolvidos na América Latina

A integração de cursos dentro de um sistema de pós-graduação como estratégia de fortalecimento do sistema de pós-graduação intra e interinstitucional, pode ser um recurso útil que permite somar recursos e economizar esforços, embora traz consigo alguns perigos que podem debilitar ao mesmo sistema que queriam ajudar. Pode ser uma estratégia eficaz e acessível para enfrentar as crises financeiras que cada certo tempo afligem às Universidades Públicas (Nacionais ou federais, estaduais), não só em nossos países mas também também em países altamente industrializados. A bonança financeira das Universidades públicas depende dos avatares da economia e da política; dos objetivos dessa política, de sua concepção da educação e de sua relação com o desenvolvimento em um país. No caso latino-americano, a penúria administrativa foi mas bem crônica, e nos tempos da cólera que vivemos em muitos dos países da região, tornou-se agudo e ameaça seriamente ao quarto nível.

No que consiste a integração? Em todo sistema de pós-graduação intrainstitucional é possível encontrar que entre os diversos cursos que formam parte do mesmo, há pontos de coincidência. Isto é bastante freqüente quanto aos aspectos metodológicos que são requisitos básicos das Mestrados e de algumas Especializações. Nessas áreas coincidentes bem podem ser compartilhada o ensino.

Contribuições e Idéias para a integração

1.     Oferta de seminários ou disciplinas que poderiam ser dados pelos doutorandos nos cursos de Mestrado e de Especialização, obtendo créditos acadêmicos por cada tarefa, na medida em que ela se derive ou relacione com sua investigação de tese. Estas disciplinas devem referir-se à temática dos projetos de tese que os doutorandos estão desenvolvendo, mas se se geram linhas de investigação compartilhadas entre todos os níveis de pós-graduação (Doutorados, Mestrados, Especializações, cursos de Atualização de conhecimentos), poderia-se orientar aos doutorandos, para que essas disciplinas se ajustem tanto aos requisitos do doutorado como aos requerimentos desses cursos.

2.     Linhas de investigação que possam ser compartilhadas pelos cursos de pós-graduação(em seus diversos níveis) e os centros de investigação da Unidade Acadêmica de Psicologia da Instituição ou das Instituições de uma mesma região ou país. trataria-se neste caso de gerar redes de investigação que beneficiariam a todos os participantes, estimulariam a geração, divulgação e aplicação de conhecimento nesses campos e poderiam inclusive aumentar o número dos possíveis tutores ou assessores para as tese de terceiro nível (graduação ou licenciatura) ou de quarto nível (pós-graduação), assim como para os trabalhos especiais de grau (Especialização). Poderia-se inclusive pensar que os doutorandos fossem assessores de tese de Mestrado ou trabalhos do especialização que se levassem a cabo na mesma linha de investigação de seu projeto de tese, e que essa atividade de assessoramento pudesse ser considerada dentro do programa doutoral.

dentro da idéia da integração e de uma vez pensando em um sistema conjunto de investigação e estudos de pós-graduação, poderia desenhar-se programas de pós-graduação nos quais os cursantes poderiam fazer práticas de investigação ou desenvolver suas investigações de tese nos centros de investigação já estabelecidos nas Universidades ou em Centros de investigação especializados segundo o desenvolvimento empresarial ou industrial de cada país, fortalecendo assim as linhas de investigação existentes ou desenvolvendo outras novas; já que débito também propiciá-la geração de novos campos.

A idéia de unir estudos de pós-graduação e investigação deveria responder a uma visão do sentido que pode ter uma formação altamente qualificada em um país. Para isso seria necessário que nos cursos de graduação (licenciaturas, cursos de profissionalização) seria conveniente e ainda necessário, que houvesse uma orientação sobre as possibilidades de pós-graduação, de investigação e as áreas mas necessitadas de profissionais e de investigação. Quando os estudantes de cursos de pós-graduação têm claro um problema de investigação, não só quanto a que, como e onde investigar, a não ser quanto ao porquê e o para quanta sorte tarefa, não só têm mais probabilidades de realizar com éxito esses cursos, mas também além disso saberão bem onde inserir seus conhecimentos para que sejam socialmente úteis e pessoalmente satisfatórios. Possivelmente este aspecto pareça utópico, mas as deveríamos ver as utopias como metodologias para a ação de transformar ao mundo em que vivemos. O estudante que sabe o que quer, de onde vem e aonde vai e por que vai ali provavelmente faça um trabalho de investigação mais útil a seu lugar de origem e terá menos possibilidade de cair nas visões alocêntricas que convertem a muitos graduados em cursos de pós-graduação de prestigiosas universidades da Europa ou dos EUA, em repetidores do evangelho teórico de algum grande professor europeu ou americano, convertendo-se em missionários propagadores e fiéis observantes da palavra quase-divina do professor. E esquecerão sua voz e as vozes de seu país. Se queremos desenvolver uma ciência própria, será necessário que essa união entre investigação e estudos de pós-graduação, que gera um espaço único para a criação, responda a problemas próprios das sociedades em que vivemos. Que olhe ao que se faz além de nossas fronteiras, mas que tanto para as respostas como para as perguntas que se faça em relação com o externo e com o interno, haja um olho crítico, um ouvido atento, uma pele sensível, um cérebro acordado e um coração apaixonado pela tarefa de construir o mundo em que vivemos e que vive dentro de nós.

 

Maritza Montero

 

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UM POUCO DA HISTÓRIA  DO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM PSICOLOGIA DA PUC-RIO

  

Foi em março de 1966 que o Departamento de Psicologia da PUC-Rio implantou o primeiro Curso de Mestrado em Psicologia do país, sob a Coordenação do Pe. Antonius Benko. A primeira dissertação de mestrado foi defendida, dois anos depois, em 1968, sob a orientação do professor Carlos Paes de Barros. Este curto prazo da defesa da primeira dissertação (dois anos e meio), foi à época, uma exceção. Nos primeiros anos de funcionamento da pós-graduação em Psicologia, na PUC-Rio, assim como nos cursos mais tradicionais, implantados no início da década de 70, como o da USP Experimental e o da USP Escolar e Desenvolvimento (1970), do ISOP da FGV (1971), o de Social da PUC-SP, o da PUCCAMP e o da PUC-RS (1972), os prazos oficiais para a conclusão dos Cursos de Mestrado eram muito mais longos do que os atuais; isto porque algumas destas instituições, em seus regulamentos internos, ou não fixavam prazos ou estabeleciam prazos muito  dilatados para as defesas das dissertações.

 

Em 1972, quando apenas seis Cursos de Mestrado em Psicologia estavam sendo oferecidos no país, o Curso da PUC-Rio foi o primeiro a ser credenciado pelo Conselho Federal de Educação; tendo sido recredenciado em 1979, 1985 e em 1990. O Curso de  Doutorado só foi implantado em 1985, sob minha coordenação. Poderíamos nos perguntar por que o primeiro Programa a implantar o Mestrado no país demorou quase vinte anos para implantar o Doutorado, quando não foi assim em outros Cursos implantados nos anos seguintes. Por exemplo, os dois  Programas da USP, de Psicologia Experimental e de Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano, que iniciaram o Mestrado em 1970, implantaram o Doutorado em 1974.

 

Mas vamos voltar à história da Pós-graduação em Psicologia da PUC-Rio para tentarmos compreender um pouco o que se passou no Programa. Desde a sua criação, em 1966, até o ano de 1978 o Mestrado, que já tinha sido em vários momentos considerado centro de excelência, era oferecido em duas áreas de concentração: Psicologia Aplicada à Clínica e Psicologia Experimental. Recomendava-se que a Dissertação fosse de natureza empírica, mas a partir de 1970, com a contratação de um competente grupo de teóricos da Psicologia e da Psicanálise, dentre eles a professora Circe Navarro Vital Brasil e o professor Luiz Alfredo Garcia Rosa, isto foi objeto de longos debates, e a área de Psicologia Experimental passou a ser denominada de Teórico-Experimental e muitas dissertações de natureza teórica passaram a ser defendidas.

 

Em 1978, apesar de o corpo docente estar constituído por professores altamente qualificados de diferentes áreas – dentre eles, os professores Aroldo Rodrigues, Psicologia Social; Carlos Paes e Barros, Psicanálise; Charles Esberard, Psicofisiologia;  Ângela Biaggio, Psicologia do Desenvolvimento; Monique Augras, Psicodiagnóstico; Circe Navarro Vital Brazil, Metodologia Científica - o processo de recredenciamento do Mestrado, considerou o corpo docente limitado, em número, para duas áreas de concentração. Como as áreas de especialização dos docentes eram diversas, e não havia uma concentração em nenhuma delas, neste momento - em que eu me encontrava na Direção do Departamento e o professor Aroldo Rodrigues na Coordenação de Pós-graduação – o Programa optou por um Mestrado em uma única área, que foi então denominada de Processos Motivacionais. A escolha desta área, excessivamente ampla, refletiu, assim, a constituição do corpo docente da época. Visto que, já na sua origem, esta área parecia apresentar problemas, decidiu-se proceder a uma reavaliação da mesma. Considerávamos que a delimitação de uma única área de concentração deveria refletir uma real articulação e não apenas se constituir numa solução artificial. Tornava-se necessária então uma delimitação de objetivos mais específicos e uma concentração de recursos humanos para a consecução de tais objetivos.

 

Ao longo dos anos de 1980 e 1981, uma Comissão Especial discutiu as reformulações necessárias e apresentou uma proposta, que foi aprovada pelo Programa e pelas instâncias internas da PUC-Rio, com área de concentração em Psicologia Clínica, implantada no ano seguinte. Enquanto discutia a necessidade de reformulação, o Programa ampliou  seu corpo docente, concentrando as contratações na área de Clínica. A definição da área de concentração em Psicologia Clínica fundamentou-se, sobretudo, em quatro importantes considerações: 1) o papel de liderança exercido pelo Departamento de Psicologia da PUC-Rio em relação à tradição da Clínica no Rio de Janeiro; 2) a demanda dos candidatos (um levantamento realizado a partir dos requerimentos dos candidatos ao Mestrado nos anos de 1979/80/81, indicou que 90% deles buscavam a área de Clínica; 3) a inexistência, à época, desta área de concentração em outros Mestrados do Grande Rio;  e 4) a então constituição do corpo docente (a partir de 1979, na medida em que alguns professores de diferentes áreas se desligaram do Programa, as novas contratações foram concentradas na área de Clínica).

 

Em 1982, quando o professor Bernard Rangé dirigia o Departamento de Psicologia, e eu coordenava a Pós-graduação, a reformulação da área de concentração em Psicologia Clínica, foi implantada com três linhas de pesquisa ( Teoria e Prática Psicanalítica, Linguagem e Construção do Sujeito e Práticas Institucionais e Desenvolvimento Humano). Tal reformulação levou o Curso a recuperar sua excelência e a ser avaliado com conceito A pela CAPES, em 1984. O Programa estava assim pronto para propor o nível de Doutorado, que foi aprovado neste mesmo ano e iniciado em 1985.

 

Nos 8  anos que se seguiram, o Programa de Psicologia Clínica da PUC-Rio manteve o conceito A na CAPES, todavia nas avaliações de 92/93 e 94/95 o conceito caiu para B, tendo em vista os prazos longos de conclusão dos Cursos, sobretudo do Curso de Doutorado, e a queda na produção bibliográfica do corpo docente. No início do ano de 1996, recebi da Diretora do Departamento, professora Maria Euchares Mota e dos colegas do Programa insistentes solicitações para que assumisse, mais uma vez, o cargo de Coordenadora de Pós-graduação e Pesquisa. Havia nestas solicitações dos colegas a esperança de que pudéssemos recuperar a tradição de excelência, perdida nas duas avaliações anteriores. Aceitei o desafio, passando a discutir com os professores a grande importância da produção docente e da produção discente no processo de recuperação da excelência do Programa. Discutimos uma proposta de reformulação dos Cursos de Mestrado e Doutorado visando, sobretudo, à redução dos prazos de defesa das dissertações e teses, e à articulação das disciplinas às quatro linhas de pesquisa agora propostas: Teoria e Prática Psicanalítica; Linguagem e Construção da Subjetividade; Instituições, Práticas Sociais e Culturais; e Família e Casal: Estudos Psicossociais e Psicoterapia.  Com o trabalho conjunto de professores e alunos, reduzimos os prazos de defesa de dissertações e de teses e aumentamos a produção qualificada docente e discente, recuperando assim a nota 5 na avaliação da CAPES no biênio 96/97.

 

Entretanto, no triênio seguinte (98/99/2000), o Programa aumentou o prazo médio de defesas, sobretudo, das teses de Doutorado e teve a produção docente reduzida, tendo sido ressaltado pela CAPES que uma das linhas de pesquisa apresentava produção bibliográfica muito baixa. Em 2001, a Diretora do Departamento, professora Ana Maria Rudge e os colegas da Pós-graduação, insistiram para que eu aceitasse a Coordenação,  mais uma vez, com o objetivo de recuperar o papel de liderança que o Programa de Psicologia Clínica da PUC-Rio, por tantos anos, exerceu no cenário nacional da Pós-graduação. E pela terceira vez, , aceitei o desafio. Discutimos nas reuniões do corpo docente a necessidade de implantarmos no Programa o procedimento de credenciamento para orientação na Pós-graduação, o que foi aprovado pelo conjunto dos professores que elegeram uma Comissão de Credenciamento composta por quatro docentes (dois professores associados e dois professores titulares). Como resultado deste trabalho, no final de 2001, os professores que não apresentaram produção considerada mínima pela referida Comissão não foram credenciados para orientar na pós-graduação, não tendo recebido, assim, alunos novos. Como conseqüência do credenciamento, uma das linhas de pesquisa – Instituições, Práticas Sociais e Culturais - foi desativada, passando apenas a concluir os projetos e orientações já em andamento.

 

No momento, o corpo docente do Programa de Psicologia Clínica da PUC-Rio é constituído por 12 professores vinculados (11 deles no NRD6), uma Bolsista PRODOC/CAPES e uma bolsista Recém-Doutora/FAPERJ. A proposta geral do Mestrado e do Doutorado caracteriza-se pelo estudo das teorias e práticas próprias do campo da Psicologia Clínica, pela investigação, no contexto sócio-cultural, das questões a ela relacionadas, e pelo exame crítico destas mesmas teorias e práticas com vistas à sua renovação.

 

 

Encontram-se matriculados no Programa um total de 82 alunos, 43 doutorandos e 39 mestrandos. Desde a implantação do Mestrado em 1966 e do Doutorado em 1985, já foram defendidas 556 Dissertações e 85 Teses. Grande número dos egressos atuam em ensino e pesquisa, em Cursos de Graduação e Pós-graduação de universidades públicas e privadas, algumas das quais entre as  mais conceituadas do país.

 

É importante ressaltar que, apesar de a PUC-Rio ser uma instituição privada, nenhum aluno, dos Cursos de Mestrado e de Doutorado em Psicologia Clínica, paga mensalidade. Todos são bolsistas. Aqueles que não possuem bolsa da CAPES ou do CNPq são contemplados com uma bolsa da Vice-Reitoria Acadêmica, com isenção total de pagamento. O Programa conta com um total de 28 bolsas de Mestrado ( 22 da CAPES e 6 do CNPq )  e 23 bolsas de Doutorado ( 13 da CAPES e 10 do CNPq ). Portanto, 11 mestrandos e 20 doutorandos, que não possuem bolsa das agências, são bolsistas da Vice-Reitoria Acadêmica. A única situação em que o aluno paga mensalidade no Programa de Pós-graduação em Psicologia é a do não cumprimento do prazo de  24 meses para a defesa da Dissertação de Mestrado e de 48 meses para a defesa da tese de Doutorado, o que nos últimos três anos só ocorreu com uma doutoranda. Diferentemente também de outros Programas de instituições privadas, as bolsas da CAPES, para aqueles alunos que pelos critérios da agência podem recebê-las, são concedidas integralmente, como forma de manutenção, não sendo divididas em duas bolsas, utilizadas para pagamento à instituição das mensalidades de dois alunos, como ocorre com a maioria das instituições privadas que recebem bolsas da CAPES.

 

Para finalizar, gostaria de dizer que um novo arranjo das linhas de pesquisa já está sendo discutido visando à entrada no Programa de Pós-graduação de professores com produção bibliográfica de qualidade que se encontram, no momento, atuando apenas na Graduação. Para tanto deverá ser implantada, a partir de 2005, uma linha de pesquisa intitulada Clínica e Neurociências, asssim como um desbobramento de duas linhas  já existentes, dando origem a mais uma nova linha de pesquisa intitulada Clínica e Cultura, tendo em vista a necessidade de adequarmos a produção acadêmica às necessidades sociais prementes com as quais nos deparamos.

 

Esta história é, portanto, a história das reformulações pelas quais o Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-Rio passou, passa e continuará passando no sentido de acompanhar os novos desenvolvimentos da produção de conhecimento na área e, ao mesmo tempo, exercer o papel de liderança que sempre lhe coube no cenário da Pós-graduação em Psicologia no Brasil.

Terezinha Feres Carneiro - CURSO DE PÓSGRADUAÇÃO PSICOLOGIA PUC-RIO

 

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TÓPICOS DISCUTIDOS NA  ANPEPP

APRESENTAÇÃO DE 26.05.04 - 27.05.04

 

 

TRATAMENTOS EM GRUPO NA CLÍNICA-ESCOLA DO IP/UFRJ

Bernard Rangé, Isabela Dias Soares, Danielle Monegalha Rodrigues, André Pereira, Angélica Gurjão Borba, Fenanda Gomes de Oliveira Luz, Renata Motta

Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Instituto de Psicologia, UFRJ

Pontos levantados pelos membros do GT em relação ao trabalho:

·          As vantagens e desvantagens de atendimentos em grupo em clínicas-escola

·          A dificuldade de lidar com atendimentos em grupo com população de baixa-renda em função das faltas e abandonos

·          A importância de tratamentos padronizados para uma parcela da população que procura ajuda (para os outros poderia ser necessário tratamentos individualizados)

·          A aliança terapêutica mais fraca do que nos atendimentos individuais

·          A importância dos resultados individuais mais do que as médias dos grupos

·          As dificuldades e tempo dispendido até conseguir montar um grupo

 

 

 

O ATENDIMENTO PSICOLÓGICO A CRIANÇAS COM DIFICULDADES ESCOLARES
Edna Maria Marturano&  Luciana Carla dos Santos Elias  

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

Pontos levantados pelos membros do GT em relação ao trabalho:

·  a capacitação do psicólogo para lidar com a queixa escolar no contexto da saúde, tendo em vista que: 

o   esse é um dos principais motivos de encaminhamento de crianças;

o   em um elevado percentual de casos encaminhados verifica-se co-ocorrência de problemas emocionais e de comportamento associados à queixa escolar;

o   estudos de follow-up sugerem que se trata de um segmento da população infantil em risco para transtornos psicossociais na adolescência.

 

·    a importância de uma visão desenvolvimental, baseada no conceito de tarefa evolutiva, para o trabalho com crianças que apresentam queixas escolares;

·    o imperativo de uma concepção sistêmica do problema, visto que família e escola estão implicadas na sua origem e são os principais agentes de apoio para sua superação;

·    como decorrência do enfoque sistêmico, a inclusão da família e, se possível, da instituição escolar no atendimento;

·    as dificuldades para implementar atendimento com tais características nas clínicas-escola;

·    a questão do diagnóstico e de critérios de triagem clínica, já que se trata de população heterogênea, onde é necessário identificar as famílias para as quais há indicação de atendimento psicológico;

·    tornando ao primeiro ponto, levantam-se questões: Quais habilidades e conhecimentos básicos devem ser proporcionados ao futuro psicólogo para lidar com essa clientela? A capacitação pode ser proporcionada no nível da graduação ou requer uma especialização?

·    foi levantada também a questão das diferenças culturais que dificultam a aproximação entre o psicólogo e a família.

 

ALGUMAS   FORMAS ALTERNATIVAS  DE  ATENDIMENTO  PSICOLÓGICO EM CLÍNICAS ESCOLAS: GRUPOS RECREATIVOS

Edwiges Ferreira de Mattos Silvares & Marina Monzanni da Rocha

 - Universidade de São Paulo - SP

Pontos levantados pelos membros do GT em relação ao trabalho

·    A  existência de dois tipos de grupo recreativos  deve ser vista como decorrência do atendimento institucional, como recursos institucional fruto da demanda do atendimento em clinica escola. O primeiro grupo : o grupo de espera  do atendimento - crianças brincam na clinica-escola enquanto aguardam na fila de espera  -  uma tentativa de prevenção da evasão  do atendimento e o grupo de espera dos pais : crianças que vieram com seus pais para serem atendidas brincam depois de terem sido atendidas enquanto  aguardam os pais receberem a orientação;

·    A existência dos dois tipos de grupo recreativo: de espera do atendimento e  de espera dos pais, como  decorrências naturais  do trabalho que  envolve a família e a criança na instituição clinica-escola;

·    A importância de não apenas criar recursos para auxiliar o cliente mas também se pesquisar sobre os recursos criados pois apesar de estudos iniciais com grupos recreativos de espera do atendimento parecerem mostrar que eles contribuem para diminuir a evasão,  estudos com crianças cuja queixa era monossintomática não replicaram esses resultados

·    A necessidade de se continuar a pesquisa com grupos recreativos  para poder encontrar os principais fatores determinantes da vinculação a instituição.

 

 

O ATENDIMENTO DE PACIENTES DIFÍCEIS EM CLÍNICA-ESCOLA

 Eliane Falcone - Rio de Janeiro -RJ Universidade Estadual do Rio de Janeiro falcone@uninet.com.br

Pontos levantados pelos membros do GT em relação ao trabalho

·    Importância da discussão relativa as diferentes formas de reação dos psicólogos diante do atendimento a pacientes difíceis em clinica-escola

·    A constatação de que grande parte dos pacientes adultos que procuram atendimento em clínica-escola apresenta algum tipo de transtorno de personalidade, tornando o processo terapêutico mais difícil de ser conduzido pelo estagiário de psicologia.

·    A necessidade de se aprofundar estudos visando o aprimoramento do atendimento de pacientes difíceis no contexto da clínica-escola. Considerando-se que o trabalho do psicólogo clínico é estressante, especialmente na interação com pacientes difíceis, pode-se concluir que esse trabalho é ainda mais estressante para os estudantes de psicologia que atendem em clínica-escola.

·    A importância de se criar um método de supervisão que torne o estagiário de clínica-escola mais capaz de atender pacientes difíceis.

 

 

 

SOFTWARE DE GERENCIAMENTO DA CLÍNICA-ESCOLA: BENEFÍCIOS PARA CLIENTES,ALUNOS, SUPERVISORES E PARA A PESQUISA

Eliana Herzberg - São Paulo - SP- Universidade de São Paulo eherzberg@usp.br

 

·    Importância de se ter conhecimento do fluxo de clientes da Clínica para o planejamento de atendimentos oferecidos pela Clínica-Escola

·    Existência de outros ´softwares` com a mesma finalidade. Foi citado exemplo de Universidade que está contando com assessoria de empresa que dispõe de ‘software`e o adapta de acordo com as necessidades da Clínica-Escola

·    Preocupação dos integrantes do grupo com a questão de segurança, isto é, cuidados em relação ao sigilo dos dados de atendimento dos clientes. Necessidade da utilização de senhas e de acessos restritos ao banco de dados observando-se rigorosamente a questão das finalidades (objetivos) das consultas

 

 

O ENSINO DA PSICOLOGIA PEDIATRICA COMO ESPECIALIDADE CLÍNICA

Márcia Regina Marcondes Pedromônico

Universidade Federal de São Paulo arrym@uol.com.br

Pontos levantados pelos membros do GT em relação ao trabalho

 

·     Conhecimentos necessários: desenvolvimento psicológico normal e patológico; instrumentos de avaliação psicológica; atendimento clínico à criança e adolescente; epidemiologia; promoção e prevenção em saúde mental (Sessão 54, American Psychological Corporation)

·     Habilidade de trabalho em equipes multiprofissionais;

·     Questões de pesquisa diferente daquelas encontradas na clínica psicológica: quais sintomas comportamentais são decorrentes da condição médica e quais aqueles que decorrem das restrições médicas e educativas dos pais? Quais condições são facilitadoras da adesão ao tratamento?, entre outras.

·  Quais as expectativas do médico da participação do psicólogo no tratamento da criança? Avaliador ou terapeuta?

·  A importância da observação e avaliação de crianças sem patologias médicas ou psicológica.

 

METODOLOGIA DE PESQUISA DA INTERAÇÃO TERAPÊUTICA EM CLÍNICAS-ESCOLA

Sonia Beatriz Meyer

Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de São Paulo

sbmeyer@usp.br

Pontos levantados pelos membros do GT em relação ao trabalho

·         A clínica escola é espaço para a pesquisa em Psicologia Clínica. Para a condução de uma pesquisa o primeiro passo é a formulação de uma pergunta de pesquisa. Essa etapa é especialmente trabalhosa em pesquisas clínicas em que o delineamento não é nem o de grupo nem o estudo de caso descritivo. Por isso uma classificação de possíveis questões de pesquisa pode ser útil.

·         Pode-se perguntar sobre 1) os resultados da psicoterapia (Psicoterapia funciona? Existe uma forma de psicoterapia que é superior às outras?); 2) o processo de produção de mudanças em psicoterapia (Que elementos do tratamento fazem com que ele funcione? Que tipo de experiência o cliente deveria ter durante a terapia para superar seus problemas e se sentir melhor?); 3) a influência das variáveis do terapeuta (Terapeutas experientes fazem o que dizem que fazem?); 4) do cliente (Podemos predizer quem vai se beneficiar da terapia, quem vai terminar tratamento prematuramente e quem pode piorar durante a psicoterapia?); 5) da relação terapêutica.

·         Uma pergunta ampla e genérica sobre psicoterapia é: O que ocorre entre um terapeuta e seu cliente e como isso está relacionado às variáveis iniciais do terapeuta, do cliente e aos diversos tipos de resultados?

·         Pode-se também formular perguntas de pesquisa considerando o delineamento. Em pesquisas descritivas procura-se responder se há evidências da existência ou não de um determinado fenômeno ou parte dele;  quais as características do fenômeno, posto que sua existência já foi comprovada; quais os componentes existentes em X; se existe associação/relação entre X e Z;  se X é diferente de Z. Questões pertencentes ao campo de pesquisa experimental incluem: Pode X causar ou impedir W?; X causa maior alteração em Z ou W?; Em que condições X causa a maior alteração em Z ou W e em que condições não causa?

·         A questão do uso de gravações.

·         A dificuldade dos ingressantes em Programas de Pós-Graduação em Psicologia Clínica em formular perguntas de pesquisa.

·         A existência de outros textos sobre pesquisa em psicoterapia, apesar de não especificamente enfocando pesquisas de processo e a fase de formulação de questões.

 


CLÍNICA-ESCOLA: INTEGRAÇÃO DA FORMAÇÃO ACADÊMICA COM AS NECESSIDADES DA COMUNIDADE


Suzane S Löhr

·    Pertinência da discussão do tema - diretrizes do curso de psicologia aprovada e transformada em Resolução em 07.05.04 (Resolução no. 08 de 07.05.04 do Conselho Nacional de Educação - Câmara de Ensino Superior)

·    Preocupação com a formação dos futuros psicólogos - formas de desenvolver habilidades essenciais para o psicólogo, que sejam mais amplas do que a definição do contexto

·    Mudança do foco clínicas-escolas para serviços de psicologia? Como a prática (nos seus diversos contextos aplicados) pode promover o desenvolvimento de habilidades essenciais para o futuro profissional, como capacidade empática + domínio de conteúdo teórico + maturidade pessoal+ repertório de habilidades sociais? Exemplo de esquema de supervisão partilhada (aluno participar como ouvinte, para no ano seguinte poder ser selecionado para o estágio - sugestão E. Falcone UERJ)

·    Mudança do perfil do aluno ingressante nas diversas universidades - lei de cotas para alunos das escolas públicas em trâmite. UFPR já aprovou 20% das vagas (após a primeira etapa do vestibular) para alunos de escolas públicas e para negros. Provocará maior nivelamento entre os alunos que ingressarão no ensino superior em instituições públicas e privadas? Antes os que ingressavam nas públicas eram os alunos com o melhor desempenho, o que favorecia resultados melhores, pois tinham mais facilidade em trabalhar com os conteúdos apresentados.

 

O ATENDIMENTO AO ADOLESCENTE POR EQUIPE MULTIDISCIPLINAR EM UMA CLÍNICA-ESCOLA

 Maria Aznar Farias & Teresa Helena Schoen Ferreira

Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP/EPM

 maznar@terra.com.br

Pontos levantados pelos membros do GT em relação ao trabalho:

 

-   A singularidade do programa desenhado especificamente para adolescentes.

-          A importância do trabalho multidisciplinar com adolescentes.

-          A particularidade do trabalho curativo e preventivo em clínica-escola.

-          A integração do trabalho nos níveis: ensino, pesquisa e extensão.

-          O enfoque evolutivo do trabalho ajudando a identificar precocemente os possíveis desvios no desenvolvimento.

-          O uso de estratégias da Psicologia Clínica para promover um trabalho preventivo.

A importância do acompanhamento posterior (follow-up).

  

A Implantaçao de um programa clínica-escola na PUCRS

 Margareth da Silva Oliveira – PUCRS –RS marga@pucrs.br

 

Foi  apresentado no GT  a implantaçao do LABICO ( laboratório de de Intervençoes Cognitivas).Este laboratório têm o objetivo de desenvolver  intervençoes no modelo cognitivo comportamental e atender  alunos de graduaçao  no estágio curricular em psicologia clínica. Foi realizado um convênio com a Pontifícia Universidade Católica do RS e o Ministério Público do Rio Grande do Sul  especificamente com a Faculdade de Psicologia e o Instituto de Toxicologia para atender adolescentes usuários de substâncias psicoativas  que ingressam no sistema de justiça como medida protetiva.

O programa  para os adolescentes consiste na avaliaçao inicial , uma intervençao motivacional breve e uma avaliaçao de follou-up. Foi apresentado no GT o perfil sócio-demográfico  de 39 adolescentes e discutiu-se os resultados da escala URICA que avalia os estágios motivacionais no momento que  os adolescentes ingressam no programa. Viu-se que 82% endossam  o estágio da pré-contemplaçao,entendendo que  a droga ñao é um problema  neste  momento para eles.

No GT  vimos  a dificuldade de trabalhar com adolescentes com esta problemática.

 

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